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Terça repleta de eventos deve ser volátil; dados de inflação dos EUA, Apple, balanços e BoJ são destaque

Postado por: TC Mover em 29/07/2019 às 17:36

A terça-feira promete. Além de marcar a retomada das conversas comerciais entre os Estados Unidos e a China, o dia começa com a decisão de juros do Banco do Japão, que deve fortalecer o compromisso da autarquia de manter as taxas de juros em território negativo para evitar uma valorização do iene caso o Federal Reserve decida cortar a taxa básica na quarta. É claro que o BoJ e seu presidente, Haruhiko Kuroda, que deve falar em coletiva após o anúncio, estão ficando sem ferramentas para estimular a economia, abalada pelas incertezas comerciais globais de outros países ricos.

Passados 90 dias do colapso das negociações para pôr fim à guerra comercial, que dura quase 16 meses, negociadores chineses e americanos se reencontram em Xangai a partir de amanhã. As conversas foram precedidas de sinais contraditórios de ambos os lados: os chineses dizem que estão comprando soja americana e que vão comprar ainda mais produtos agrícolas dos EUA. Mesmo assim, os dados oficiais mostram que as importações chinesas de soja americana estão no menor patamar desde 2004. O investidor está pouco animado e isso se reflete no sentimento de mercado.

 

Em Nova Iorque, o índice Dow Jones avançou enquanto S&P500 recuou. O dólar americano se fortaleceu e os rendimentos dos Treasuries caíram. A volatilidade, medida pelo índice VIX, disparou mais de 6%. As commodities operaram voláteis. Entre as moedas, a libra esterlina foi o destaque, com tombo de mais de 1,3% para seu menor nível em quase 28 meses, após o premiê Boris Johnson começar a se preparar para uma saída abrupta do Reino Unido da União Europeia. Segundo operadores, essa notícia abalou a confiança do mercado, fazendo o real brasileiro se desvalorizar ante o dólar nesta segunda feira.

 

O Ibovespa subiu 0,65% a pontos, a maior alta em sete sessões. O volume foi de R$9,58 bilhões, abaixo das médias diárias do ano e, presumivelmente, produto do início das férias de verão no Hemisfério Norte – que esvaziam os mercados globais ao longo de agosto. Os juros futuros operaram instáveis ao longo do dia, tentando seguir a trajetória do dólar ou repercutindo as crescentes apostas de um corte de juros de meio ponto percentual na quarta-feira pelo Banco Central. No noticiário político, o destaque foi mais uma intervenção desastrada do presidente Jair Bolsonaro, desta vez misturando ataques políticos contra um dirigente da OAB e a ditadura militar. A brincadeira pode acabar no Supremo Tribunal Federal.

 

No âmbito corporativo, a volatilidade das ações da Petrobras no pregão de hoje reforçou ainda mais o dia já conturbado para os índices. A estatal, que divulga resultados no dia 1º de agosto, abriu o dia no vermelho, mas se recuperou e fechou em alta. A ação preferencial subiu 0,92%, enquanto a ordinária avançou 1,23%. O Banco do Brasil também teve ganhos na sessão, após anunciar plano de reorganização, que inclui programa de demissões e mudança de 333 agências em postos de atendimento, e a criação de 42 agências empresas.

 

Ainda nos destaques de altas, a BR Malls subiu 4,7% com a confirmação da negociação de venda de sete shoppings ao BTG Pactual. A Via Varejo avançou 4,63% nesta segunda-feira com o desmonte de posições vendidas. Já na ponta oposta, Itaú registrou alta 0,41%, com investidores se posicionando antes do balanço do segundo trimestre, que será divulgado hoje, depois do fechamento, assim como o de Multiplan.

 

Nesta terça-feira, é importante estar atento aos seguintes indicadores: pela manhã, a FGV divulga a inflação, medida pelo IGP-M, mensal e anual de julho. Às 11h00, a Associação Brasileira de Supermercados, a Abras, divulga o índice nacional de vendas. No exterior, os Estados Unidos informam indicadores como renda e gastos pessoais do mês de junho e preços de imóveis. A China divulga PMI industrial composto e não-manufatura de julho. Quanto aos balanços, será um dia cheio: CSN, Cteep, Lojas Renner, Tim Brasil, Smiles e Sonae Sierra comunicam seus rendimentos do segundo trimestre depois do fechamento do mercado.

(Foto: Haruhiko Kuroda – World Economic Forum)

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