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Tensão volta com pressão política em Brasília e derruba bolsa; exterior reduz apetite por risco após Livro Bege

Postado por: TC Mover em 05/06/2019 às 18:16

A bolsa operou a maior parte do pregão em queda nesta quarta-feira, enquanto o dólar se manteve alta em boa parte do dia, ambos pressionados por notícias de Brasília. A confiança na capacidade de articulação do governo teve um baque hoje, após a Comissão Mista de Orçamento do Congresso adiar, a princípio para terça-feira, a votação de um pedido do governo de um crédito suplementar de R$248,9 bilhões – necessário para garantir o pagamento de subsídios e benefícios assistenciais sem descumprir a Regra de Ouro do Orçamento. Partidos do Centrão e da oposição se uniram para adiar a aprovação da pauta até o governo garantir R$11 bilhões para educação, saúde e habitação, entre outras exigências.

 

Segundo o contribuidor TC e analista político da IdealPolitik, Leopoldo Vieira, fatos como esses dão “ao Parlamento um xeque-mate no presidente Jair Bolsonaro, podendo fazer andar o impedimento quando lhe convier, além de ser uma total irresponsabilidade do establishment político com a recuperação econômica”. No entanto, avalia Vieira, é provável que tudo não passe de bravata e, no fim, acabe tudo fluindo, como a autorização ao pedido de R$11 bilhões.

 

Os ativos aprofundaram perdas depois da notícia da Bloomberg, citando fontes, de que o governo estuda flexibilizar o teto de gastos após a aprovação da Reforma da Previdência. À medida em que o calendário econômico caminha em direção à aprovação, o Congresso aposta em manobras que enfraqueçam o governo e o forcem a voltar à antiga ordem do toma lá, dá cá.

 

investidor também passou o dia com um pé atrás por conta do julgamento da lei das estatais no Supremo Tribunal Federal. Na prática, o STF debate a necessidade de uma aprovação do Congresso em casos de privatização e de licitação em casos de transferência de controle acionário, o que impacta diretamente empresas como Petrobras, Banco do Brasil e Eletrobras. A sessão foi encerrada com o voto do ministro Luís Roberto Barroso, contra a necessidade do aval do Congresso. O placar terminou empatado, com dois votos a favor da necessidade do aval do Congresso – dos ministros Ricardo Lewandowski e Edson Fachin – e dois contra – dos ministros Alexandre de Moraes e Barroso. A votação continuará nesta terça-feira.

 

Todas essas pressões de Brasília levaram o Ibovespa a fechar em queda de 1,42%, a 95.998 pontos, e o dólar futuro negociado na B3 a sua primeira alta em quatro pregões, subindo 0,65% a R$3,887. Os juros também fecharam em alta. O cenário externo, que estava mais calmo, teve brusca mudança com a divulgação, hoje à tarde, do Livro Bege do Federal Reserve, que traz sondagem periódica com empresas nos distritos onde a autarquia opera, e mostrou desempenho moderadamente positivo da economia norte-americana entre abril e meados de maio. Isso frustrou as apostas de que a crescente disputa comercial com a China tenha feito a atividade pisar no freio e que possa forçar uma redução dos juros na maior economia do mundo. Os rendimentos dos Treasuries de dez anos, que chegaram a cair quase 6 pontos-base, passaram a recuar 1,1 ponto-base logo após a divulgação do Livro Bege, sinal de que alguns investidores reverteram suas apostas sobre a queda da taxa-alvo básica de juros nos próximos meses. Ainda assim, as bolsas americanas fecharam em alta pelo segundo dia consecutivo, com S&P500 e Dow Jones subindo 0,82%.

 

Amanhã deve ser mais um dia para ficar de olho em Brasília, com uma agenda importante: além da continuidade do julgamento da lei das estatais no STF, o Senado terá sessão extraordinária para votação do Marco Legal do Saneamento Básico. Entre os indicadores, serão divulgadas as vendas de automóveis no Brasil.

 

(Foto: B3/Divulgação)

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