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Temor sobre economia global leva dólar a R$3,88; bolsa mantém 94 mil

Postado por: TC Mover em 07/03/2019 às 18:25

Os riscos em torno da desaceleração da economia mundial começam a ganhar protagonismo no mercado, enquanto não se encerram as negociações comerciais entre Washington e Pequim. Não à toa os investidores estarão focados nos dados do Relatório de Emprego dos Estados Unidos referente ao mês de fevereiro, que saem amanhã, às 10h30, horário de Brasília. Além da China, o potencial desaquecimento da economia americana foi apontado pelo presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, dentre os fatores externos por trás da revisão da estimativa do BCE para o crescimento da zona do euro neste ano de 1,7% para 1,1%. Culpou também a Itália e o fraco desempenho do setor automotivo alemão.

 

Mais cautelosa, portanto, a autoridade monetária europeia deu um passo além: adiou para 2020 qualquer alta no juro básico da região e anunciou uma nova rodada do programa de crédito bancário a bancos comerciais europeus, o chamado TLTRO. O BCE se tornou, assim, o primeiro banco central a atenuar a política monetária em reposta à desaceleração global.

 

O dólar futuro voltou a emplacar alta firme frente ao real, encerrando a quinta-feira cotado a R$3,877, na maior cotação de 2019, apagando quase toda a desvalorização acumulada no ano. Na máxima, chegou a valer R$3,909 em reflexo da alta da moeda americana em todo o mundo, frente a demais divisas emergentes e perante o euro, na esteira do BCE. Em Nova Iorque, os índices Dow Jones e S&P500 recuaram 0,78% e 0,81%, respectivamente, completando quatro dias seguidos de baixa. Na B3, a busca por proteção no dólar também reflete o aumento da percepção de riscos sobre a capacidade de construção política do governo, sob o receio de desidratação da reforma da Previdência. O investidor estrangeiro retirou mais R$498 milhões da bolsa brasileira em 1 de março, ampliando o saldo negativo no ano para R$1,59 bilhão. Mesmo com a subida do dólar, os juros futuros reduziram prêmios de risco no fim da sessão: o contrato para janeiro de 2020 caiu 1,5 ponto-base a 6,465%. Circulou na comunidade TC a informação de que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara deverá ser instalada na próxima semana, podendo apreciar a reforma na última semana de março.

 

O índice Bovespa alternou altas e baixas ao longo do pregão ante de encerrar em alta de 0,13% a 94.340 pontos, interrompendo uma sequência de quatro quedas seguidas. A tendência positiva se consolidou logo após um tuíte do presidente Jair Bolsonaro defendendo a aprovação da reforma da Previdência, “que combate privilégios, como aposentadoria especial para políticos, que cobra menos dos mais pobres, e que incluirá todos, inclusive militares”. Segundo um operador, ao se posicionar na rede social em prol do projeto crucial para o ajuste das contas públicas, Bolsonaro ajuda a esvaziar a leitura de que o governo tem gastado energia com outros assuntos em vez da proposta que altera as regras de aposentadorias. A valorização nas ações de blue chips, como Vale, Ambev, Itaú e Bradesco, ajudou a sustentar o Ibovespa na contramão da aversão ao risco. Na outra ponta, no entanto, os papéis das concessionárias CCR e Ecorodovias sofreram perdas superiores a 5% diante de preocupações sobre investigações de corrupção no setor de concessionárias de rodovias. Na quarta-feira, a subsidiária da CCR Rodonorte fechou acordo de leniência com o Ministério Público no valor de R$ 750 milhões.

 

(Foto: B3/Divulgação)

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