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Temor com diplomacia comercial americana deixa mercado brasileiro volátil em dia de Ptax

Postado por: TC Mover em 31/05/2019 às 13:00

Sinais de fraqueza na economia chinesa e o acirramento nas disputas comerciais entre os Estados Unidos e seus maiores parceiros comerciais marcam o tom dos negócios na B3 nesta sexta-feira, com a bolsa e o câmbio operando na mesma direção e os juros futuros mistos – reflexo da cautela do investidor em meio a um ambiente de forte aversão ao risco.

 

Além da disputa entre os EUA e China, que esta semana escalou com ameaças de restrições à atuação de empresas americanas, compras de produtos agrícolas e exportações de minerais raros por parte do país asiático, o presidente Donald Trump impôs sobretaxa de 5% sobre bens importados do México, a partir de 10 de junho, para conter a imigração ilegal. A situação gera interrogantes sobre quão confiável é Trump como aliado comercial – criando um clima de incerteza que pode aprofundar ainda mais a desaceleração econômica global, disseram gestores.

 

Com o mercado global tenso, o investidor no Brasil monitora a decisão do PL de apresentar substitutivo ao texto base da Reforma da Previdência sendo discutido na Câmara neste momento e que mexe em pontos nevrálgicos da proposta da equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes. Na semana que vem, o mercado deve ficar de olho na tramitação da reforma na Comissão Especial da Câmara, assim como nos desdobramentos referentes à apresentação do substitutivo, a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre as privatizações e dados econômicos de emprego nos EUA e de indústria no Brasil.

 

BOLSA: O índice Bovespa recuava 0,23% a 97.230 pontos por volta das 10h50, com volume projetado de quase R$13 bilhões, levemente acima das médias diárias do ano. Nem a notícia de possível fusão entre a BRF e a Marfrig ou o plano do governo de liberar R$20 bilhões do dinheiro do FGTS e do PIS-Pasep para o consumo dá fôlego ao investidor, que repercute a situação externa com preocupação, disse o trader Israel Massa, contribuidor TC. Na ponta negativa, Vale ON e Petrobras PN lideram as perdas, com recuos de 1,30% e 1%, respectivamente, refletindo a queda do minério pelo terceiro dia, no caso da primeira, e da incerteza sobre a decisão no STF da semana que vem sobre as privatizações. BRF cai com a notícia de que deve se juntar à Marfrig, que subia 3,7%, para criar a quarta maior empresa de proteínas do mundo.

 

CÂMBIO E JUROS: O dólar futuro recua 0,65% ante o real brasileiro na B3 e recua para a casa dos R$3,9650, com a moeda brasileira mostrando o segundo melhor desempenho entre as moedas emergentes em dia de fixação da taxa PTax. O real se descola do peso mexicano, que derrete mais de 3% após a ameaça dos EUA de sobretaxar as exportações do país. Para estrategistas do Morgan Stanley, apostar contra o peso mexicano via o real pode ser vantajoso para o investidor global, mostrando que a divisa brasileira pode estar desvalorizada demais. Nos juros, os contratos do DI com os vencimentos mais curtos recuam após a taxa de desemprego ter mostrado recuo sem riscos para inflação – aumentando a percepção de que a economia pode precisar de um corte de juros antes do final do ano para ressuscitar. Já os prazos mais longos refletem o maior risco mundo afora.

 

EXTERIOR: O rendimento dos bônus de dez anos da Alemanha caiu para a mínima histórica de 0,209% hoje enquanto os juros dos Treasuries tocam seu menor nível em 21 meses. As ações norte-americanas despencavam, com o índice Dow Jones cedendo 1,3% e o S&P500 caindo 1,28% na esteira da decisão de Trump sobre o México e da fraqueza do setor manufatureiro na China, que desacelerou mais que o esperado em maio.

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