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Sinal trocado: exterior alivia, mas cenário local se torna cauteloso com manifestações e entrevista de Guedes, em dia de IPCA-15 e Caged

Postado por: TC Mover em 24/05/2019 às 8:40

Chegamos ao final de uma semana bem convulsionada nos mercados, com as bolsas europeias e os futuros dos índices acionários americanos subindo na crença de que a escalada nas tensões comerciais e geopolíticas deverá ceder. Alguns sinais dão suporte a essa tese: ontem à noite, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu que a “muito perigosa” Huawei, foco de uma campanha de desprestígio e restrições por conta de praticar suposto espionagem para o governo chinês, pode ser incluída em um eventual acordo comercial com Pequim. Hoje, a premiê britânica Theresa May anunciou sua saída do cargo – seu substituto será o encarregado de tirar o Reino Unido da União Europeia depois de três anos de tentativas fracassadas. Sem solução iminente no curto prazo, a guerra comercial vai impactar ainda mais a economia global, e os conflitos geopolíticos, como o Brexit os as tensões no Oriente Médio por causa do Irã, tomarão novas dimensões. A volatilidade, por tanto, não deve perder maior ímpeto na semana que vem, mesmo com os ativos de risco apresentando recuperação na manhã desta sexta-feira.

 

A situação do Reino Unido é sintomática: em um discurso emotivo à saída da sede do governo, em Londres, May disse hoje que seu último dia como líder conservadora será em 7 de junho, mas que permanecerá como primeira-ministra até que um sucessor seja escolhido. Assim, haverá na Grã-Bretanha uma luta intestina para sucedê-la com discursos ainda mais polarizados e favoráveis a um Brexit abrupto. Neste momento, há poucas perspectivas de que um acordo de saída seja costurado no Parlamento britânico. O que preocupa o mercado, de acordo com um gestor sediado em Londres, é a possibilidade de o novo líder pressionar por uma saída da União Europeia em 31 de outubro sem um acordo, se os pedidos de uma eleição geral pela oposição prosperam, ou se brotes independentistas, como o da premiê escocesa Nicola Sturgeon, no Twitter, começarem a ganhar mais força.

 

Já no fronte doméstico, o maior engajamento tanto do governo quanto do Congresso na questão da pauta legislativa que importa – Reformas Administrativa, Tributária e Previdenciária, etc. – ajudou a aliviar as preocupações do investidor após as disputas entre o presidente Jair Bolsonaro e líderes partidários na semana passada, da manutenção dos problemas de comunicação e da desarticulação do governo no Congresso. No entanto, não se engane: o governo está bagunçado. Mas, independentemente dos sinais menos apocalípticos na política local, o investidor deve escolher se proteger às vésperas das manifestações pró-governo de domingo, que podem ser uma Caixa de Pandora. O mercado vai querer preservar o nível do índice Bovespa, que busca retornar aos 94 mil pontos, e que o câmbio não volte a superar os R$4,10. A prudência chama, especialmente em meio à onda de saída de investidores estrangeiros nas últimas semanas.

 

Deve repercutir hoje, ao longo do dia, a entrevista do ministro da Economia, Paulo Guedes, à revista Veja. Nela, ele disse que renunciará se a reforma da Previdência virar uma “reforminha” e adverte que, sem a aprovação de um projeto sólido, o Brasil pode quebrar já em 2020. Mas deixa claro, para o alívio da torcida, que não vai deixar ninguém na mão se decidir renunciar: “Eu não sou irresponsável. Eu não sou inconsequente. Ah, não aprovou a reforma, vou embora no dia seguinte. Não existe isso. Agora, posso perfeitamente dizer assim: ‘Olha, já fiz o que tinha de ter sido feito. Não estou com vontade de ficar, vou dar uns meses, justamente para não criar problemas, mas não dá para permanecer no cargo’. Se só eu quero a reforma, vou embora para casa.” Guedes reconhece que há uma margem de negociação, que pode no máximo ir a R$800 bilhões. Menos que isso, será um remendo, incapaz de resolver o rombo das contas públicas. A leitura não devia ser negativa, mas, caro investidor, nunca se sabe: então fique atento aos sinais de reação a essas declarações no noticiário. Na entrevista, Guedes reafirma sua confiança nas convicções de Bolsonaro e acredita em uma união política em torno da agenda econômica do governo.

 

Na agenda, a divulgação do IPCA-15 é o destaque do dia no Brasil. Apesar do consenso esperar uma desaceleração do índice na base mensal, para 0,42%, a taxa acumulada em 12 meses deve atingir 4,99%, maior patamar desde o começo de 2017. Se os números impactam o mercado de juros, é difícil saber – até porque a autoridade monetária e economistas insistem que o fenômeno é temporário. Também serão divulgados os dados do registro nacional de emprego, conhecido como Caged, à tarde, assim como os pedidos de bens duráveis nos EUA e a contagem de sondas Baker Hughes, também nos EUA.  Bolsonaro, Guedes e o presidente do Banco central, Roberto Campos Neto, terão reuniões com líderes empresariais e políticos – mas nada que tenha o potencial de redefinir os rumos da agenda legislativa ou dissipar os temores do alerta que Guedes emitiu hoje na sua entrevista para a Veja. Fique de olho na repercussão desse assunto ao longo do pregão.

 

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Mercado hoje, segundo Contribuidores TC

 

 

As bolsas europeias e os futuros dos índices acionários americanos mostravam altas nesta sexta-feira, revertendo parcialmente a forte queda de ontem, com o investidor confiante de que a escalada nas tensões comerciais e geopolíticas deverá ceder após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerir que a Huawei poderia ser incluída em um eventual acordo comercial com Pequim. Ontem à tarde, Trump disse à repórteres da Casa Branca que poderia incluir a gigante de telecomunicações chinesa em um eventual acordo. A China tem criticado duramente a iniciativa americana de impor restrições à Huawei e outras empresas chinesas de tecnologia, o que deve impedir a assinatura de uma acordo para acabar com a guerra comercial entre as duas nações no curto prazo.

 

Bolsas: Por volta das 07h00, o índice pan-europeu Stoxx600 mostrava alta de 0,70%, enquanto os futuros dos índices americanos Dow Jones Industrials e S&P500 subiam 0,60% e 0,58%, respectivamente, e mostravam uma recuperação parcial das fortes quedas no pregão de ontem. O Xangai Composto fechou praticamente estável, em alta de 0,02%, em meio à forte cautela com a incerteza política e econômica. A volatilidade, medida pelo índice VIX, recuava 4,91% hoje.

 

 

 

 

 

 

 

Principais notícias corporativas

 

 

Natura: A Fitch colocou a nota da Natura em observação negativa após acordo com a Avon.

 

Minerva: A Minerva divulgou que irá emitir R$400 milhões em debêntures.

 

GPA: Dona do Casino pede proteção contra credor e preocupa GPA (Valor)

 

Fundos: Private equity eleva estoque de capital para compras (Valor)

 

Paper Excellence: Mesmo enrolada com Eldorado, Paper Excellence não descarta novos negócios (Estado)

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

08h00 IPC-S capitais (maio) – FGV

08h00 Confiança do comércio – FGV

09h00 IPCA-15 anual (maio) – IBGE

09h00 IPCA-15 mensal (maio) – IBGE

14h00 Relatório Caged (abril) – MinEconomia

 

Indicadores internacionais

05h30 Reino Unido – Núcleo de vendas no varejo mensal (abril)

05h30 Reino Unido – Vendas no varejo mensal (abril)

09h30 EUA – Núcleo de pedidos de bens duráveis mensal (abril)

09h30 EUA – Pedidos de bens duráveis mensal (abril)

10h00 México – PIB trimestral (1T)

14h00 EUA – Contagem de sondas Baker Hughes

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

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