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Sinais de recessão global fazem ativos de risco derreterem; indicadores dos EUA, Japão podem trazer mais pistas

Postado por: TC Mover em 14/08/2019 às 17:49

A tempestade ainda não chegou, mas o investidor já pode avistar as nuvens carregadas no horizonte: os dados fracos de atividade na China, PIB da Zona do Euro e inflação no Reino Unido dão sinais de desaceleração global. Na Alemanha, o PIB contraiu 0,1% no trimestre passado, com economistas e líderes do governo culpando as incertezas causadas pela guerra comercial Estados Unidos-China e a perspectiva de um Brexit sem acordo pelo esfriamento da economia. Na China, o crescimento da produção industrial mostrou seu menor nível em de 17 anos, a despeito dos estímulos governamentais.

 

O medo de uma recessão global fez o investidor ir em busca de proteção, o que provocou uma inversão na curva dos títulos de dívida soberana dos Estados Unidos – e pressionou o botão de pânico mundo afora. Mas por que a inversão é mau sinal? Porque sugere que o investidor prefere segurança a retorno. A curva de juros em qualquer país costuma ser ascendente, já que se espera que investimentos de mais longo prazo remunerem melhor para compensar o risco de ter o dinheiro parado por mais tempo. Os juros dos Treasuries de dois anos têm se contraído de forma mais rápida do que os de prazos mais longos, refletindo as dúvidas do investidor quanto à saúde da economia americana.

 

A diferença entre os Treasury yields de dois e dez anos atingiu, nesta manhã, 3 pontos-base negativos, a menor em quase 14 anos. A última inversão da curva dos Treasury yields de dois e dez anos aconteceu em 2005, dois anos antes dos EUA caírem na sua pior recessão em oito décadas. Segundo um estudo do Credit Suisse, uma recessão ocorre, em média, 22 meses após a inversão. O presidente norte-americano Donald Trump aproveitou para alfinetar o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, culpando-o pela situação da economia: disse que, graças à lentidão em cortar juros, outros países estão se beneficiando do dólar forte. No Reino Unido também houve inversão na curva.

 

Assim, o cenário não poderia ter sido outro nesta quarta-feira: as bolsas na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil fecharam no vermelho. O Dow Jones Industrials teve seu pior dia do ano, queda de 3,05%, a 25.479 pontos. Os bancos puxaram as quedas em Wall Street. As commodities caíram, sendo que o petróleo Brent recuou mais de 3% e atingiu US$58 na mínima do dia, preço que não se via desde janeiro. O dólar avançou ante pares, e o contrato do ouro subiu 0,8%, depois de ter caído 2% ontem. O VIX, indicador de volatilidade, disparou mais de 27%. O ETF que replica o Ibovespa em Nova Iorque, o EWZ, despencou 4,9% – mais um sinal de apetite por ativos seguros.

 

O Ibovespa fechou em queda de 2,94%, a 100.258 pontos, maior recuo desde 27 de março, com volume negociado de R$16 bilhões. Na sessão de hoje, praticamente todas as companhias do índice operaram boa parte do dia em queda. Um dos principais destaques foi a Vale, que liderou as perdas do Ibovespa com recuo de 3,5%, apesar de uma leve alta no preço do minério de ferro na China. A Petrobras PN despencou 3,4%, acompanhando a queda do petróleo. A Kroton teve a maior perda percentual do índice, 11,6%, após reportar resultados fracos. O dólar futuro negociado na B3 avançava 2% no final do pregão, tendo chegado a alcançar R$4,0490 na máxima do dia. Os juros operaram em alta, com o DI para janeiro próximo subindo 2,5 pontos-base a 5,47%.

 

Na sexta, o investidor precisa estar atento a divulgações de indicadores que podem trazer mais pistas sobre os rumos da economia mundial: Estados Unidos e Japão informam dados de produção industrial mensal, e EUA publica também números de pedidos iniciais por seguro-desemprego, produtividade do setor não-agrícola e dados do varejo, entre outros. É importante estar atento, ainda, a qualquer tuíte de Donald Trump sobre China, Federal Reserve ou o dólar – se especula que ele interviria para enfraquecer a moeda. Vale seguir monitorando a situação na Argentina. Hoje, aliás, o presidente do país, Mauricio Macri, disse em seu Twitter que o candidato opositor, Alberto Fernández, também vai trabalhar para que a incerteza na eleição não impacte a economia argentina.

 

Por aqui, amanhã a FGV divulga dados de inflação medidos pelo IPC-10 de agosto às 08h00. Hoje, último dia de divulgação de resultados, mais de vinte companhias reportam balanços do segundo trimestre, como Via Varejo, Oi, Marfrig e JBS. O investidor deve seguir também com um olho no noticiário local. Hoje começou a tramitar no Senado a Reforma da Previdência, com aprovação na Comissão de Constituição e Justiça de requerimentos de audiências públicas com especialistas e outras pessoas ligadas ao tema. Os encontros acontecerão entre segunda-feira e quinta-feira da próxima semana. Amanhã teremos mais de 20 companhias explicando aos investidores seus balanços do segundo trimestre e expondo suas perspectivas para o restante do ano.

 

(Foto: Wall St./Pixabay)

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