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Sinais de que a guerra comercial está só no começo estremecem os mercados; amanhã, é dia de ata do Copom

Postado por: TC Mover em 05/08/2019 às 17:34

As bolsas globais afundaram e a demanda por ativos seguros disparou nesta segunda-feiradepois que a China intensificou a guerra comercial com os Estados Unidos. A volatilidade medida pelo índice VIX saltou até 32% hoje, após a mídia estatal chinesa confirmar que o governo daquele país ordenou a suspensão das importações de produtos agrícolas americanos e poderia sobretaxar algumas compras feitas recentemente. O índice S&P500, que fechou em queda de 2,98%, completou sua maior sequência de quedas diárias desde outubro do ano passado: seis seguidas. O Dow Jones Industrials teve a pior sessão de 2019, com queda de 2,90%. O ouro se aproximou dos US$1.500 a onça e até o Bitcoin, popular em circunstâncias como as de hoje, voltou a tocar os US$11 mil.

 

O investidor quer saber até onde a sangria vai chegar. Difícil prever, até porque a sensação é de que a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China apenas começou. Aos poucos, porém mais rapidamente que o esperado, a retórica hostil entre os dois países está se materializando: já há data para sobretaxar a China; houve desvalorização explícita do iuan; foram suspensas as importações de soja e outros perecíveis americanos; a China foi acusada de manipular o câmbio. Os cenários binários – caos total ou acerto forçado – são cada vez mais possíveis. A coisa está tão feia que o Federal Reserve está monitorando bem de perto a situação, disse a diretora Lael Brainard em coletiva hoje.

 

Nesta segunda, além do tombo nos ativos de risco, a compressão nos juros dos Treasuries de curtíssimo e longo prazos atingiu patamares inéditos. A chamada inversão da curva dos Treasuries, o mais poderoso indicador antecedente de recessão, tocou -34 pontos-base, a pior desde agosto de 2007. Com a China deixando o iuan se desvalorizar, o que equivale a exportar deflação, os maiores bancos centrais do mundo se verão obrigados a cortar juros rapidamente. “Se as tensões comerciais continuarem aumentando, o Federal Reserve pode optar por cortar a taxa Fed Funds agressivamente em setembro e deixá-la perto do limite inferior a zero”, observa Kevin Harris, da Continuum Economics.

 

Geralmente, quando o presidente americano Donald Trump toca fogo no bosque, os nossos políticos reagem com presteza. Além de traçar uma estratégia para culminar a votação, em segundo turno, da Reforma da Previdência na Câmara, até quinta-feira, os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e o da Câmara, Rodrigo Maia, se comprometeram com o governo para que a proposta de Reforma Tributária seja fruto de um consenso entre ambos os poderes. Isso deve ajudar a proteger os ativos domésticos do impacto mais imediato do embate comercial, que é o êxodo dos estrangeiros do mercado brasileiro. Mas, não se iluda: Ibovespa, câmbio e juros vão continuar sangrando na semana.

 

Com volume perto das médias diárias do ano, e especialmente forte em papéis como a Vale, o Ibovespa fechou em queda de 2,51% a 100.097 pontos, pior fechamento desde o fim de junho. O destaque negativo do pregão entre os papéis foi a CSN, que caiu 5,99% cotada a R$14,91, menor patamar desde 16 de maio. Em grande parte da sessão de hoje, não teve nenhum papel, dos 66 que compõem o índice, que subiu. O dólar futuro disparava 2,0%, a R$3,973, próximo do fim do dia. Dependendo da pressão sobre o dólar nos próximos dias, não descarte algum movimento de intervenção do Banco Central com oferta de linha com recompra. Já os DIs, como são conhecidos os juros futuros, ajustaram para cima e embutiram prêmio extra.

 

Para amanhã, o evento de maior destaque será a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Banco Central, que na semana passada cortou a taxa básica de juros Selic de 6,50% para 6,00%. A reunião aconteceu um dia antes de Trump anunciar a sobretaxa de 10% sobre US$300 bilhões de importações vindas da China. Fique de olho também no discurso de James Bullard, membro do comitê de política monetária do Federal Reserve, às 13h00. Já, no plano corporativo, a temporada de balanços segue com pelo menos dez companhias informando resultados após o fechamento do mercado – entre elas, BB Seguridade, Banco Pan e Raia Drogasil.

 

(Foto: Banco do Povo da China – Stock Emperor || Agenda: TC Mover)

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