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Sinais confusos entre EUA e China impactam mercados; reforma e ameaça de “tsunami” no radar

Postado por: TC Mover em 13/05/2019 às 9:03

Os mercados acionários globais desabam nesta segunda-feira, com o iene avançando ante o dólar americano em meio à forte procura por ativos mais seguros após a disputa comercial entre os Estados Unidos e a China ganhar intensidade no fim de semana. Sem esperanças de uma resolução iminente após a rodada de conversas da semana passada, pronunciamentos mútuos sugerem que o ambiente azedou: enquanto o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, destacou o tom “construtivo” das conversas, a China disse que um eventual acordo deve retirar as sobretaxas impostas na sexta-feira e ser justo para ambas as partes. O iuan recuou pelo sétimo dia, na expectativa de que o governo chinês vai desvalorizar artificialmente a moeda para fazer frente às novas tarifas – mais um motivo para que o investidor fique tenso.

 

Ontem à noite, um jornal chinês acusou os EUA de darem para trás nos compromissos assumidos há cinco meses ao elevar as tarifas de importação sem maiores motivos. Enquanto o assessor econômico do presidente Donald Trump, Larry Kudlow, dizia que os chineses convidaram Mnuchin e a delegação americana a retomar as conversas em Pequim, o próprio Trump jogava mais lenha na fogueira com uma enxurrada de tuítes pouco amistosos, ameaçando colocar mais sobretaxas nas importações chinesas daqui a um mês para forçar uma solução. Hoje, autoridades americanas devem anunciar detalhes de como irão implementar, possivelmente em junho, as sobretaxas adicionais de 25% sobre todas as importações remanescentes da China. Pequim ainda está analisando como retaliar a decisão americana de sexta-feira que pune as vendas de quase seis mil produtos chineses em solo americano.

 

Assim, o medo controla os mercados de novo. O índice de volatilidade mais popular do planeta, o VIX, disparou 19% no pregão asiático. Muitos fundos de risco mundo afora estão com exposição acima da média ao mercado acionário, o que deve exacerbar as vendas de ativos de risco via robôs. O mercado brasileiro deve sentir esse movimento de aversão ao risco reinante nesta segunda-feira. Por aqui, a situação está longe de mostrar calma: além dos ruídos ao redor da tramitação da reforma da Previdência, que ontem ganhou mais um crítico no ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a semana começa com o investidor querendo entender o que o presidente Jair Bolsonaro quis dizer em uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo de sexta, em que declarou que, nesta semana, poderia haver “um tsunami” na política. As limitações evidentes na comunicação do presidente se somam à sua habilidade para causar problemas. A articulação política pode ter alguns tropeços se o Centrão decidir reagir a notícias de que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, poderia ter recuado em indicar o ministro das Cidades – por medo de que os apoiadores mais radicais de Bolsonaro, liderados por seu filho Carlos, sabotem a nomeação. De qualquer forma, nota-se um consenso maior em relação à necessidade e formato da reforma, o que está ajudando a amortecer as penúrias vindas dos mercados externos.

 

Fique de olho no discurso do vice-presidente do Federal Reserve, Richard Clarida. Hoje vamos ter mais uma divulgação da pesquisa Focus, possivelmente contabilizando mais um ajuste de projeções de crescimento do PIB doméstico para 2019. Nesta semana, não há indicadores econômicos de grande relevância no Brasil. A agenda destaca os números do PIB da Zona do Euro no primeiro trimestre e, nos EUA, das vendas no varejo e da produção industrial em abril, ambos na quarta-feira. Dados de produção industrial na China e na Zona do Euro serão conhecidos na terça-feira. Neste mesmo dia o mercado poderá ler ata da reunião do Banco Central da semana passada, que pode trazer pistas sobre o futuro da taxa Selic. Paralelamente, a agenda de resultados do primeiro trimestre segue a todo vapor, com balanços de empresas como Itaúsa, Cosan, JBS, Oi e Burger King hoje, e Eletrobras, Equatorial, Guararapes, Light, Kroton, Embraer, Ultrapar nos próximos dias.

 

 

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Mercado hoje, segundo Contribuidores TC

 

As bolsas globais despencavam nesta segunda-feira, enquanto o iuan chinês se desvalorizava pelo sétimo dia consecutivo, com o investidor se perguntando em que momento as tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos exacerbaram, após meses de pronunciamentos otimistas por parte das duas nações.

 

Bolsas: O índice Xangai Composto recuou 1,2% hoje, enquanto o de Tóquio, o Nikkei 225, caiu 0,80%, explicitando os temores de uma piora nas negociações e de uma desaceleração global mais profunda. Os futuros de índices americanos S&P500 e Dow Jones Industrials caíam 1,13% e 1,20%, apontando para uma abertura em queda.

 

Principais notícias corporativas

 

M.Dias Branco I: A M.Dias Branco apresentou um lucro líquido de R$56,9 milhões no primeiro trimestre, o que representa retração de 59,3% na base anual.

 

Dias Branco II: BTG Pactual corta alvo da M. Dias Branco ON de R$45 para R$40.

 

Alpargatas: A Alpargatas registrou um lucro líquido de R$43,5 milhões no primeiro trimestre, uma queda de 61,5% na comparação anual.

 

Petro Rio: A Petro Rio divulgou uma produção média de 20.956 barris de óleo equivalente por dia em abril. No primeiro trimestre, o número foi de 14.953 barris.

 

Direcional Engenharia I: A Direcional Engenharia reportou um lucro líquido de R$20,4 milhões no primeiro trimestre, revertendo o prejuízo apurado em igual período em 2018.

 

Direcional Engenharia II: BTG Pactual eleva preço alvo da Direcional ON para R$11. Mantém compra com múltiplos baratos e margens e alta.

 

Burger King: Resultado de Burger King do primeiro trimestre de 2019 mostra receita líquida de R$665,3 milhões, Ebitda ajustado de R$52 milhões e lucro líquido de R$3,1 milhões.

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

08h25 Relatório Focus – Banco Central

15h00 Balança comercial até 12 de maio – Min. Economia

Indicadores internacionais

20h50 Japão – Transações Correntes (sem ajuste sazonal) (Mar); consenso ¥3,161 T

 

Resultados corporativos

AA Burger King

DF Itaúsa

DF Cosan

DF Cesp

DF Renova Energia

DF Anima

DF JBS

DF Eletrobrás

DF Oi

 

Teleconferência de resultados

09h00 Alpargatas

10h00 Direcional Engenharia

11h00 M. Dias Branco

12h00 Burger King

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

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