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Semana ativa para os BCs começa em tom positivo; no radar, atas, Jackson Hole e venda de dólar do BC

Postado por: TC Mover em 19/08/2019 às 9:16

O noticiário do fim de semana não trouxe mudanças profundas no cenário, mas os mercados operam otimistas, apesar do presidente americano Donald Trump dizer que não está pronto para assinar um acordo comercial com a China. Para nossos membros experientes, os comentários apontam a um desejo dele de usar a guerra comercial como instrumento para sua reeleição. Ao indicar que a Casa Branca gostaria de ver Pequim resolver primeiro os protestos em Hong Kong, ele afasta as chances de um acerto rápido. Não parece haver uma mudança nos fundamentos e, sim, uma pausa nos ruídos. 

 

Então, por que os mercados reagem tão bem a essa pausa? Pode ser o calendário ativo dos maiores bancos centrais do mundo na semana. Na sexta-feira começa a reunião de Jackson Hole, evento organizado pelo Federal Reserve e utilizado, pelos BCs, como veículo para enviar recados aos mercados. Com as taxas de juros se estabilizando após fortes quedas, o mercado está otimista que o poder de fogo dos BCs possa retornar com força. O Tesouro dos EUA está explorando a possibilidade de vender Treasuries de 50 anos e 100 anos – acalmando o humor em relação aos ativos de risco.

 

Os investidores também devem ficar de olho ao longo da semana na divulgação das atas do Fed e do Banco Central Europeu, no meio da semana. De novo, de acordo com um gesto sediado em Hong Kong, no há sinais claros de que a política monetária atual – de amplo estímulo na oferta de dinheiro e juros ultra baixos – esteja funcionando. Na Europa, o índice de preços ao consumidor, divulgado hoje mais cedo, ficou abaixo das expectativas, confirmando o quadro deflacionário do momento e a limitação dos BCs, neste caso, do BCE, de lidar com este quadro. O momento e, portanto, de tensão e cautela extrema. 

 

Assim, as bolsas na Europa e na Ásia avançam hoje, puxando consigo os futuros dos índices acionários americanos, com o investidor à espera de mais notícias no front da guerra comercial, das atas do Fed e do BCE, e de dados que permitam inferir com mais precisão o grau de desaceleração global. O tom positivo do mercado de hoje rompe com as quedas que marcaram o início das últimas três segundas-feiras. De todos os dados e eventos da semana, a fala do presidente do Fed, Jerome Powell, na sexta, deve dar indicações mais precisas sobre o rumo dos juros nos EUA em meados do mês que vem.

 

Um outro ponto interessante para ficar de olho nesta semana é a atividade do mercado de capitais e os sinais de fadiga– já mencionados por nós na semana passada – em relação a emissões novas na renda fixa. Matéria do Valor Econômico de hoje disse que a emissão de R$1 bilhão em certificados de recebíveis imobiliários pela Rede D’Or só encontrou demanda para pouco mais da metade dos papeis ofertados – por conta de uma taxa de juros muito baixa e de vencimentos muito longos. Será essa emissão um sinal de alerta sobre a real capacidade de absorção de novas ofertas no mercado local? A conferir. 

 

Fique de olho também na venda de dólares à vista que o BC fará entre os dias 21 de agosto e 29 de agosto, em decisão que deve ajudar a melhorar o quadro de liquidez do câmbio e marca uma mudança no uso dos instrumentos da política cambial do Banco central do Brasil. O investidor deve seguir atento, ainda, aos movimentos entre chineses e americanos. Lá fora, o BC da Austrália vai divulgar a ata da reunião de política monetária. Por aqui, a Fipe informa dados de inflação pelo IPC semanal hoje  e a FGV divulga o IGP-M do segundo decêndio de agosto. O Ministério da Economia comunica dados da balança comercial semanal e comissão do Senado começa os debates sobre a Reforma Tributária.

 

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Principais notícias corporativas

 

Entre os destaques corporativos, B3 ON liderou os ganhos do Ibovespa em peso, com alta de 2,65%, após ser incluída no rebalanceamento da nova prévia do índice. Petrobras PN e Vale ON foram as de maior peso negativo, com quedas de 1,32% e 0,46%, respectivamente. A Oi foi um dos grandes destaques da sessão, sob ameaça de perder a concessão caso não reaja à queima rápida de caixa. Segundo o Estado de S. Paulo, a companhia enviou relatório à Anatel em que diz só terá recursos até fevereiro de 2020 caso não reaja. O governo está avaliando acelerar a votação da lei das teles, segundo traders.

 

A Notredame Intermédica foi incluída na segunda prévia do rebalanceamento do Ibovespa, que entra em vigor em setembro; a B3 ON passou a ser a quinta ação de maior peso, no lugar de Petrobras ON. Em entrevista à Reuters, o presidente da CPFL diz que a companhia passa por expansão e que está avaliando oportunidades, como a Cemig. A Via Varejo teve ação ON rebaixada para market perform pelo BB Investimentos. O BTG Pactual elevou o preço-alvo de Magazine Luiza para R$44. A Sabesp informou a celebração de protocolo de intenções com município de Mauá para equacionar dívidas do município com a companhia.

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

05h00 IPC semanal – Fipe

08h00 IGPM segundo decêndio (agosto) – FGV

08h25 Relatório Focus – Banco Central

15h00 Balança comercial semanal – MinEconomia

 

Indicadores internacionais

00h00 Japão – Balança comercial mensal (julho)

06h00 UE – Núcleo IPC mensal (julho)

06h00 UE – Núcleo IPC anual (julho)

06h00 UE – IPC mensal (julho)

06h00 UE – Núcleo IPC anual (julho)

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

 

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