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Seis meses de Bolsonaro se passaram e houve avanços, apesar das intrigas palacianas; mercados mundo afora operam em modo de aversão ao risco

Postado por: TC Mover em 02/07/2019 às 8:48

Jair Bolsonaro completou ontem seis meses como presidente da República, um período marcado pela implementação um tanto confusa da sua estratégia da “nova política” e a pouca oposição à agenda liberal do seu ministro da Economia, Paulo Guedes, que, é sem dúvidas, a maior estrela da nova administração. Pontos que ficam como interrogantes para os próximos meses e para o restante do mandato é a relação – ora tensa, ora volátil, porá cordial às vezes – com o Parlamento. De igual forma, se o apoio que Bolsonaro brindou a Guedes até o momento se manterá incólume até 31 de dezembro de 2022. 

 

Ruídos não faltaram, mas o balanço é bem melhor do que imaginaríamos alguns meses atrás: a Reforma da Previdência está bem encaminhada para aprovação em tempo recorde, há avanços significativos em áreas como a infraestrutura, e, neste fim de semana, tivemos a assinatura do acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia. Do lado negativo, faltou comando nas áreas sociais do governo, a pauta ideológica contaminou o gerenciamento dos ministérios e a constatação de que, sem a Nova Previdência, a estratégia para reavivar a economia brasileira fica órfã.  

 

Assim, nesse pano de fundo, o investidor foca sua atenção hoje na pauta doméstica, com a leitura, ao longo da manhã e da tarde de hoje, do parecer do relator, deputado Samuel Moreira, sobre o texto da reforma na comissão especial da Câmara. Apesar dos atritos com o Congresso, a reforma da Previdência, principal projeto deste início do governo, avança com pouca diluição, em termos da economia fiscal do projeto, e com oposição inesperadamente baixa. O apoio da grande maioria do Parlamento é inédito para uma proposta tão impopular. A expectativa no mercado é de que a pauta seja votada no plenário da Câmara antes do recesso parlamentar, que começa em 18 de julho.

 

No exterior, pesa no sentimento a decisão dos Estados Unidos de propor sobretaxas sobre US$4 bilhões em importações vindas da União Europeia, incluindo queijos, carnes, massas e alguns tipos de uísque. A medida, em retaliação aos subsídios de aviões europeus, mostra que as tensões comerciais ainda são uma dor de cabeça para os investidores, apenas alguns dias após o anúncio da trégua comercial temporária entre os EUA e a China. A aversão ao risco domina de novo, junto com um movimento de leve realização, que, em teoria, pode impactar o rumo dos negócios aqui na B3. Fique de olho na reunião da Opep com os países não-membros do bloco, onde pode ser sacramentada a extensão de cortes de produção do petróleo até começo de 2020. 

 

Para hoje, além do foco em Brasília, o investidor também precisa prestar atenção nas divulgações de indicadores econômicos locais: a produção industrial de maio, divulgada pelo IBGE, e a inflação ao consumidor nas capitais, pela FGV. No exterior, o PMI de serviços Caixin da China pode dar mais pistas sobre a saúde econômica do país. Além disso, ainda teremos índice de preços ao produtor na União Europeia e discurso de John Williams, membro do comitê de política monetária do Federal Reserve, conhecido como FOMC. Mais cedo, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, disse em evento em Zurich, que a situação de guerra comercial deve impactar os países emergentes de formas diversas, mas que ele vê o Brasil bem preparado para quaisquer choques negativos na cena externa.

 

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Mercado hoje, segundo Contribuidores TC

 

O investidor decidiu embolsar ganhos recentes e fazer uma releitura mais crítica da trégua comercial entre os EUA e a China no fim de semana, após planos do presidente americano Donald Trump de impor sobretaxas comerciais em alguns produtos vindos da União Europeia despertaram temores de mais protecionismo. A procura por ativos seguros voltou com força na manhã desta terça-feira, com o investidor comprando títulos soberanos dos países mais desenvolvidos, aumentando suas posições em ienes e dando mais um gás na demanda por ouro e prata. Com os ativos de risco sob pressão, os futuros dos índices acionários americanos recuavam e as bolsas europeias mostravam ganhos ínfimos, após uma sessão mista na Ásia. O dólar recuava ante seus pares. O mercado pode permanecer volátil antes do Dia da Independência nos EUA, em 4 de julho.

 

Após começar a semana com fortes altas, levando o índice S&P500 ontem a mais uma máxima histórica no ano, o entusiasmo do mercado esfriou após o governo Trump expandir uma lista de produtos europeus que podem ser atingidos por tarifas. O mercado ainda não desmonta suas apostas de que o Federal Reserve e outros bancos centrais deverão embarcar em uma rodada de novos cortes de taxa de juros – como a Austrália fez hoje cedo. Mas, de acordo com um gestor sediado em Londres, essa aposta deverá ser assumida com mais parcimônia na esteira da trégua entre os EUA e a China.

 

 Bolsas: Os mercados de renda variável no mundo inteiro devem repercutir a menor liquidez antes do feriado de quinta nos EUA, assim como a divulgação, no dia seguinte, dos dados de emprego e crescimento salarial dos EUA. Hoje, os futuros dos índices Dow Jones e S&P500 apontam para uma abertura em queda, recuando 0,10% e 0,12%, respectivamente. O índice pan-europeu Stoxx600 avançou 0,16% e tocava seu maior patamar em sete semanas. O FTSE 100, do Reino Unido, negociava perto da máxima em nove meses com os prospectos para a eleição do novo líder do partido de governo. Já a demanda por ativos de mercados emergentes patinava, com o fundo de índice iShares MSCI Emerging Markets recuando 0,4% no pré-market do Nova Iorque.

 

Principais notícias corporativas

 

 Vale: O preço do minério de ferro atingiu preço recorde na China, 900 iuan, alta de mais de 5% no pregão de hoje.

 

 Neoenergia: As ações da Neoenergia subiram 8%, fechando a R$16,96 por ação, no primeiro dia de negociação, após a abertura de capital que movimentou R$3,7 bilhões. 15% da oferta foi adquirida por pessoas físicas, principalmente pelos esforços do canal de distribuição do Banco do Brasil – que vendeu a totalidade da sua participação.

 

 Braskem: O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, reafirmou que a companhia não tem interesse em permanecer como acionista da Braskem, que seu plano é focar em exploração e produção de petróleo e vender ativos para reduzir a dívida. 

 

 Light: A Light informa que o conselho aprovou oferta primária de 100 milhões de ações, poderá ser acrescida de até 22,2 milhões e que a precificação deverá ocorrer no dia 11 de julho. 

 

 Cemig: A Cemig deverá oferecer até 11,1 milhões de ações ordinárias da Light em oferta secundária, reduzindo sua participação em 5,5% na companhia.

 

 Usiminas: Moody’s elevou a nota de crédito da Usiminas de B1 para Ba3; a perspectiva foi mantida como estável.

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

08h00 IPC-S capitais semanal (junho) – FGV

09h00 Produção industrial mensal (maio) – IBGE

09h00 Produção industrial anual (maio) – IBGE

11h00 Vendas de veículos mensal (junho) – Fenabrave

 

Indicadores internacionais

06h00 UE – IPP mensal (maio)

06h00 UE – IPP anual (maio)

17h30 EUA – Estoques de petróleo bruto – API

22h45 China – PMI do setor de serviços mensal (junho) – Caixin

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

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