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Ruído político deve persistir com vazamentos, à espera de votações, em dia de agenda fraca

Postado por: TC Mover em 10/06/2019 às 18:11

Nesta terça-feira, o investidor deve continuar com uma posição defensiva na bolsa, à espera de mais desdobramentos relacionados ao vazamento das conversas do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e de um dos procuradores que comandam a força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol. Mesmo com gestores avaliando que o andamento da agenda econômica no médio prazo não deve sofrer alterações, ainda é necessário avaliar melhor como a articulação entre os poderes Executivo e Legislativo fica abalada com o episódio.

 

Hoje, o noticiário foi intenso em relação ao tema. O presidente da comissão especial da Câmara que analisa o mérito da reforma da Previdência, Marcelo Ramos, disse que o vazamento não afetará o calendário do projeto. Também repercutiu no sentimento o silêncio dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, que não comentaram a situação. Nem o presidente Jair Bolsonaro se atreveu a sair em defesa do seu ministro xodó, embora o vice, Hamilton Mourão, tenha declarado que “Moro é de reputação ilibada para Bolsonaro”. O ambiente em Brasília está difícil de ser lido.

 

Entre o silêncio dos donos do poder e a enxurrada de repercussões do assunto na imprensa, o investidor decidiu se resguardar, reler a situação e sair taticamente de algumas das suas posições. O Ibovespa fechou em queda de 0,36%, somando 97.466 pontos. Por trás do desempenho ruim do índice, estiveram as estatais – que ficam estremecidas com quaisquer indícios de desarticulação política – e os bancos, após matéria da revista Crusoé no fim de semana que disse que a Lava Jato está perto de encontrar nexos de doleiros com algumas das maiores instituições financeiras do país.

 

O câmbio e os juros operaram voláteis em um dia ameno no exterior. O dólar fechou em alta de 0,21%, a R$3,891, e o DI com vencimento para janeiro próximo registrou queda de 0,5 ponto base. As bolsas americanas fecharam no azul, após os governos americano e mexicano terem se entendido na questão da imigração ilegal, evitando um novo capítulo de sobretaxas e restrições comerciais. A queda na aversão ao risco foi pequena, mas o investidor mundo afora acelerou a migração de ativos seguros, como os Treasuries, para instrumentos de maior risco, como as ações. Esteja atento ao que o presidente americano Donald Trump possa dizer em relação à China, à desvalorização do iuan e ao Federal Reserve. Quaisquer comentários sobre esses assuntos podem interferir no mercado.

 

Amanhã, fique de olho no andamento para a apresentação do parecer da Nova Previdência, que foi adiado por conta das incertezas que ainda persistem sobre a participação de Estados e municípios no projeto. É importante estar atento, também, à tramitação do pedido do governo de R$248,9 bilhões em crédito suplementar, que passará pela Comissão Mista de Orçamento pela manhã e segue para apreciação conjunta de senadores e deputados à tarde. A agenda de divulgações econômicas traz desemprego e dados de salários no Reino Unido, preços ao produtor nos Estados Unidos e dados de inflação no atacado e no varejo no Japão. Aqui, teremos os números do primeiro decêndio do IGP-M e o IPC semanal da Fipe.

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