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Risco de diluição da Nova Previdência pode crescer hoje; exterior em alta deve amenizar temores

Postado por: TC News em 11/07/2019 às 8:41

A Câmara dos Deputados aprovou ontem, por 379 a 131, o texto-base da Reforma da Previdência, placar muito acima do esperado pelo governo e o mercado – uma margem de 71 votos além dos 308 necessários. A bolsa, que se antecipou à aprovação da pauta e andou bem até a parte final do pregão, quando ensaiou alguma realização, deve operar volátil hoje, principalmente com os sinais de desidratação da reforma ao longo da votação dos destaques, marcada para hoje. 

 

O texto aprovado ontem visa a produzir uma economia fiscal de R$980 bilhões em dez anos, fundamental para ajudar a reequilibrar as finanças públicas e focar os gastos no que o país precisa: saúde, educação, segurança e infraestrutura. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o grande vencedor com a aprovação da Nova Previdência, suspendeu a votação dois destaques por volta das 23h00 de ontem logo após líderes de partidos do centro e a oposição se juntarem para amenizar o teor da reforma com algumas emendas marotas. Qual o custo fiscal dessa brincadeira? Não se sabe. Maia sabe que cautela nessa hora é pouca. 

 

Maia marcou a sessão de votação dos destaques para hoje, às 09h00, mas a pressão por um adiamento crescia ao longo da noite, de acordo com o relato de uma fonte à TC Mover. Uma demora pode frustrar a aposta do investidor de que a Nova Previdência saia da Câmara para o Senado já aprovada em dois turnos até o dia 17 de julho – último dia antes do recesso parlamentar, – deixando espaço para uma realização na bolsa. A jornalistas, o Maia justificou o adiamento por achar “melhor parar e retomar na quinta para que os deputados saibam os destaques que estão votando”, reiterando o compromisso pessoal de que o segundo turno será votado até sexta-feira de noite ou sábado de manhã. 

 

O temor com o avanço dos “destaques do mal” pode ser contrabalançado pelo ânimo de festa do investidor mundo afora: as ações na Ásia, Europa e os futuros das bolsas americanas subiam na manhã de hoje, refletindo os sinais cada vez mais por parte dos maiores bancos centrais da necessidade de relaxar a política monetária e evitar uma piora nas condições econômicas globais. Os preços dos Treasuries americanos, que operam em sentido inverso aos juros, se valorizavam, enquanto o dólar americano recuava ante pares e algumas moedas de países emergentes. A indicação cada vez mais contundente de que o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, está aberto a cortar a taxa Fed Funds dá um gás nas compras de todo tipo de ativos de risco. 

 

Hoje, o investidor fica de olho na divulgação da ata do Banco Central Europeu, assim como na sabatina de Powell perante o Comitê Bancário do Senado americano – para ter mais pistas sobre o rumo dos juros nos EUA. Entre os indicadores econômicos externos, o mais notável é o núcleo do índice de preços ao consumidor, que deve ter aumentado 0,2% em junho na base mensal. Aqui, pesa o número de vendas no varejo de maio – que pode reforçar mais uma vez a necessidade de o Banco central cortar a taxa básica de juros Selic para evitar uma desaceleração mais pronunciada da economia brasileira – agora que a aprovação da Previdência está logo ali. 

 

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Principais notícias corporativas

 

No âmbito corporativo, a Gol adquiriu direitos de usos dos horários de pouso e decolagem de voos atualmente detidos pela Avianca nos aeroportos de Congonhas, Santos Dumont e Guarulhos, no total de US$77,3 milhões. A Eletrobras informou que sua controlada, a Chesf, aprovou a incorporação da ETN. 

 

Também entra no radar dos investidores o início da análise pelo Carf da multa aplicada à Ambev sobre apropriação de ágio, ou declaração de aumento de capital, indevidamente no processo de fusão entre a Ambev e a InBev; a multa poderá chega à R$5,5 bilhões e a companhia considera a chance de perda possível. O Banco do Brasil e a União iniciaram o processo de oferta secundária de ações do IRB Brasil: serão colocadas à venda 83,9 milhões de ações ordinárias e a precificação da oferta será encerrada no dia 18 de julho. Os bancos coordenadores da oferta de ações da Light elevaram o preço por ação para R$18,09. 

 

Por último, a petroleira boliviana YPBF mostrou interesse na fatia da Petrobras no gasoduto Bolívia-Brasil, após a estatal brasileira assinar acordo com o Cade para venda da sua participação de 51%; Goldman Sachs retomou a cobertura dos papéis da Petrobras com recomendação de compra e preço-alvo de R$41,90.

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

05h00 IPC semanal (julho) – Fipe

09h00 Vendas no varejo mensal (maio) – IBGE

09h00 Vendas no varejo anual (maio) – IBGE

09h00 Vendas no varejo ampliado mensal (maio) – IBGE

09h00 Vendas no varejo ampliado anual (maio) – IBGE

 

Indicadores internacionais

03h00 Alemanha – IPC mensal (junho)

09h30 EUA – Pedidos iniciais por seguro-desemprego

09h30 EUA – Núcleo IPC mensal (junho)

09h30 EUA – IPC mensal (junho)

09h30 EUA – Rendimento real mensal (junho)

15h00 EUA – Balanço orçamentário federal mensal (junho)

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

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