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Retórica comercial EUA-China mais agressiva testa mercados; investidor analisa maratona de votações

Postado por: TC Mover em 23/05/2019 às 8:43

Os ativos de risco abriram sob forte pressão nesta quinta-feira, na medida em que cai a ficha entre os investidores de que a disputa comercial entre a China e os Estados Unidos será prolongada. Não há solução à vista, pelo que mostra o noticiário de hoje: duas matérias de jornais, um em Hong Kong e o outro em Pequim, este último ligado ao regime do presidente Xi Jinping, destacam que o governo do país asiático está repensando toda sua política comercial com os EUA e que a retaliação pode escalar antes de as duas nações chegarem a um acordo. Analistas do banco Goldman Sachs agora veem maiores chances de um impasse prolongado entre os dois países. Os futuros das bolsas em Nova Iorque mostram quedas próximas de 1%, o petróleo despenca e os rendimentos dos Treasuries americanos desabam com temor de que a querela se estenda por mais meses, o que significaria que o crescimento global sofra ainda mais a médio e longo prazos.

 

Nesta linha de raciocínio, os dados divulgados hoje mais cedo na Europa trouxeram más notícias no quesito crescimento, com queda do PMI de manufatura e de serviços na Zoma do Euro e na Alemanha, além de mais uma queda do indicador de crescimento iFo do país. “Na minha visão, o cenário externo é simples de se explicar: a economia global está em uma situação frágil e em um ambiente de desaceleração. A guerra comercial tende a acentuar este pano de fundo, que poderia ser inevitável mesmo na ausência da batalha entre EUA e China”, disse Dan Kawa, chefe de investimentos da TAG Investimentos. Por isso, o investidor fica de olho, ao longo da manhã de hoje, de mais divulgações de dados econômicos, desta vez nos EUA, e que incluem números do setor imobiliário, do mercado de emprego e de desempenho manufatureiro. Eles também podem ajudar a elucidar o que o Federal Reserve, banco central americano, fará nas próximas semanas.

 

Já no plano local, é inevitável a releitura das votações de ontem no Congresso, que deixaram um sentimento mais positivo com a cena política interna, porém com nuances. É inegável o impacto benigno que está tendo, no sentimento de mercado, a maior disposição do Parlamento em avançar com a tramitação de pautas econômicas caras ao país. Ontem, os deputados aprovaram a redução do número de ministérios que formava parte da MP da Reforma Administrativa, mas devolveram o Coaf – órgão de monitoramento de operações suspeitas de lavagem de dinheiro – ao Ministério da Economia, tirando-o das mãos do Ministério da Justiça. Hoje veremos se o mercado acha isso uma vitória significativa ou uma derrota tática: para gestores como Marcos Mollica, do fundo Opportunity, o fato de que tanto governo quanto Parlamento estejam engajados no avanço das iniciativas, especialmente a da Reforma da Previdência, é um sinal positivo que deve, no entanto, ser ponderado com prudência.

 

Ontem o ministro da Economia, Paulo Guedes, reiterou sua confiança em que a economia fiscal da Reforma da Previdência estará na casa do R$1 trilhão em dez anos, e insistiu na importância de implementar um regime de capitalização do país. O fato que Guedes bata tanto nessa tecla quer dizer que a batalha por uma reforma potente está bem encaminhada. Mas, cuidado, caro investidor: não relaxe com esses sinais e lembre-se que, em Brasília, até os acordos mais explícitos podem significar pouca coisa na hora H. Fique de olho no que o presidente Jair Bolsonaro fale para jornalistas em um café da manhã e no que tenha a dizer em uma cerimônia no Paraná. A agenda econômica inclui o índice de confiança do consumidor em maio da FGV, que deve mostrar a percepção sobre as condições econômicas, políticas e financeiras aqui no Brasil. No exterior, os dados sobre a atividade nos setores industrial e de serviços nos EUA e a ata da última reunião de política monetária do Banco Central Europeu também são destaques. Os pedidos semanais de seguro-desemprego dos Estados Unidos devem trazer alguma volatilidade – assim que não perca eles de vista.

 

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Mercado hoje, segundo Contribuidores TC

 

 

Os índices acionários globais mostram desempenho ruim nesta quinta-feira, refletindo o maior ceticismo quanto à solução da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. Segundo o jornal South China Morning Post, a China estaria repensando todas as premissas do seu relacionamento econômico com os EUA após este impor restrições à atuação de algumas das suas companhias, como a Huawei. Já o Diário do Povo, um jornal ligado ao governo chinês, sinalizou que a restrição à Huawei causa grave desconforto, indicando maior probabilidade de uma escalada das disputas, que já se estendem por 14 meses.

 

Bolsas: Os futuros de índices americanos despencavam por volta das 07h30, com o Dow Jones recuando 0,97% e o S&P500 cedendo 1,03%. O índice Xangai Composto fechou em queda de 1,36%, com investidores na China reduzindo suas posições em ativos de risco e migrando para outros mais seguros. O índice pan-europeu Stoxx 600 mergulhava 1,45%, atingindo seu menor patamar em uma semana com crescentes dúvidas sobre a conclusão do processo de saída do Reino Unido da União Europeia. Com a incerteza em alta, o índice VIX – que mede a volatilidade de mercado – disparava 12% nesta manhã, o que deve fomentar mais retiradas líquidas de capital para ativos emergentes, como as ações brasileiras.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Principais notícias corporativas

 

 

 Petrobras: A Petrobras deu início ao processo de redução de sua participação na BR Distribuidora, a menos de 50%, via oferta de ações.

 

Natura: O conselho da Natura aprovou por unanimidade os termos da fusão com a Avon, com uma fatia de 76% da companhia resultante da fusão. A compra será feita com ações. A Natura informou que terá US$1,6 bilhão de financiamento com bancos para o negócio.

 

Sanepar: A Sanepar determinou fixação de reajuste tarifário de 2019 a 8,37%.

 

GPA: O GPA divulgou a renovação de contrato com o Credit Suisse como formador de mercado até maio de 2020.

 

Invepar: A Invepar anunciou que obteve decisão judicial favorável ao restabelecimento da cobrança do pedágio na Linha Amarela, assim como o dever de abstenção do Município do Rio de Janeiro à prática de novos atos de suspensão.

 

Liq: A Liq informou que acionistas que somam mais de 5% do capital social requerem a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária sobre a conveniência da destituição do atual conselho e consequente eleição de um novo.

 

CSN: A CSN está em tratativas com diversos investidores sobre venda antecipada de minério de ferro, por meio de streaming. Mas, afirma que qualquer elaboração de resultado neste momento seria prematura.

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

08h00 IPC-S (maio) – FGV

08h00 Confiança do consumidor (maio) – FGV

10h30 Arrecadação federal (abril) – Receita Federal

 

Indicadores internacionais

03h00 Alemanha – PIB anual (1T)

03h00 Alemanha – PIB trimestral (1T)

04h30 Alemanha – Prévia do PMI composto (maio)

04h30 Alemanha – Prévia do PMI industrial (maio)

04h30 Alemanha – Prévia do PMI do setor de serviços (maio)

05h00 UE – Prévia do PMI industrial (maio)

05h00 UE – Prévia do PMI composto Markit (maio)

05h00 UE – Prévia do PMI do setor de serviços (maio)

09h30 EUA – Pedidos iniciais por seguro-desemprego

10h45 EUA – Prévia do PMI industrial (maio)

10h45 EUA – Prévia do PMI composto Markit

10h45 EUA – Prévia do PMI do setor de serviços (maio)

11h00 EUA – Venda de casas novas (abril)

11h30 EUA – Estoque de gás natural

20h30 Japão – Núcleo do IPC nacional anual (abril)

20h30 Japão – IPC nacional anual (abril)

20h30 Japão – IPC nacional mensal (abril)

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

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