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Reflexo das primárias argentinas faz dólar disparar e Ibovespa cair; tensão externa deve marcar pregão

Postado por: TC News em 12/08/2019 às 12:04

Sem o menor sinal de que Estados Unidos e China queiram resolver suas disputas comerciais, com os protestos em Hong Kong avivando temores de uma intervenção chinesa e a situação política na Argentina se deteriorando inesperadamente, o pregão na B3 é de quedas fortes. O Ibovespa registra seu pior recuo em uma semana, o dólar sobe pelo décimo dia em 13 sessões e os juros embutem prêmio de risco ao longo da curva. Mas, por quê? A derrota do presidente argentino Mauricio Macri nas primárias é um revés para o projeto de erradicar o populismo de esquerda da América Latina.

 

Para o Brasil, essa derrota é negativa, dada a importância da Argentina para a indústria manufatureira do país. Macri e o presidente brasileiro Jair Bolsonaro costuravam uma agenda conjunta de mais comércio bilateral e de luta contra a esquerda intervencionista. A Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China e dos Estados Unidos; no entanto, a participação do país nas exportações brasileiras caiu de 7,32% em 2017 para 4,60% em 2018. De janeiro a julho deste ano, o tombo nas exportações brasileiras para a Argentina foi de 40% na comparação com o ano passado.

 

Uma rodada pelos ativos argentinos mostra a gravidade do resultado: o peso argentino negociado nos mercados internacionais caía perto de 29%, rondando os 60 pesos por dólar. Para o investidor, é claro que o eleitor culpará Macri pela economia em recessão, pela inflação elevada, pela falta de reservas internacionais e pelo programa de financiamento com o Fundo Monetário Internacional. Se já era difícil consertar o país com um governo liberal, como Alberto Fernández, que participou diretamente da quebra do país entre 2003 e 2015, vai evitar um calote? Os bonds argentinos despencavam com esse temor.

 

Some a isso a situação em Hong Kong, que está se tornando cada vez mais violenta e já levou o governo chinês a dizer que vê sinais de terrorismo nos protestos. Esse ambiente geopolítico mais tenso fazia o dólar futuro operar acima dos R$4,01 por volta das 11h30. O Ibovespa derrete perto de 1,9%, perdendo o suporte dos 102 mil pontos.  Entre as quedas mais proeminentes no índice, Petrobras PN recuava 2,40%, Santander Brasil unit 3% e Eletrobras 3,50%. O contrato de DI para janeiro de 2021 avançava, apesar dos dados fracos de crescimentoeconômico e inflação divulgados hoje pelo Banco central e a FGV.

 

Os papéis de bancos pesavam fortemente na queda do índice, com Itaú Unibanco liderando em pontos ao cair 3,81%, a R$35,32. A XP cortou os preços-alvo das ações PN do Bradesco e da unit do Santander Brasil, citando os balanços do segundo trimestre abaixo do consenso. No lado das altas, os papéis ON da JBS estavam à frente, com alta de 1,46%, a R$27,82; a empresa tem operações na Argentina, cujas exportações podem ser beneficiadas pela forte desvalorização do peso ante o dólar americano. Vale ON e Suzano ON, ações de companhias exportadores, também avançavam. Também eram destaque as áreas, que caíam: as ações ON da Gol caíam 6,30% e as PN da Azul, 5,66%.

 

Na sexta à noite a Agência de Aviação Civil, a Anac, havia divulgado que as quatro principaisempresas aéreas com atuação no Brasil – Gol, Latam, Azul e Avianca Brasil – registraram prejuízo líquido combinado de R$ 397,3 milhões no primeiro trimestre, revertendo o lucro de R$211 milhões de um ano antes. Na agenda de balanços, teremos Magazine Luiza, que divulga seus resultados do segundo trimestre após o fechamento do mercado. Será a primeira vez que solta resultados após a compra da Netshoes. Segundo o consenso TC, a companhia deve registrar lucro líquido de R$105 milhões. As ações ON da Magalu recuavam 0,93% no final desta manhã.

 

(Foto: Mauricio Macri – Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

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