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Recuo das bolsas nos EUA, Europa repercute ataques de Trump à China, risco de Brexit abrupto; Ibovespa opera instável

Postado por: TC Mover em 30/07/2019 às 12:50

As bolsas caíam mundo afora nesta manhã, com os investidores caprichando na cautela após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tuitar nesta manhã ataques à China – exatamente no dia em que emissários dos dois países se reúnem em Pequim para tentar resolver o conflito comercial que já se arrasta por 16 meses e ameaça o crescimento econômico global. As críticas de Trump, que em três tuites mencionou a falta de vontade do país asiático para fechar um acordo com os EUA, o suposto desejo dos chineses de negociar uma solução à guerra comercial com o opositor Partido Democrata e a acusação de que a China descumpriu a promessa de comprar bens agrícolas americanos, deixam o investidor se perguntando se não será ele, o próprio Trump, quem quer que as negociações colapsem.

 

Tanto o momento quanto o tom das críticas são suspeitos, disse um gestor sediado em Londres. Quando Trump disse que Pequim quer fazer concessões nas negociações, mas que não sabe se deve aceitá-las, “fica clara a sensação de que Trump, o irascível, vai desfazer qualquer avanço se assim achar conveniente”, disse. Esse risco, aponta, deprime os mercados hoje – que também operam no vermelho em meio a uma temporada de resultados mista. Nos EUA, ainda teremos nesta noite a divulgação do balanço trimestral da Apple, que funciona como termômetro da atividade industrial e do consumo por lá e deve deixar os mercados mais tensos. A expectativa é que os dados não sejam tão empolgantes – mais um fator que deixa o investidor apreensivo nesta terça-feira.

 

Também pesa contra o avanço dos ativos de risco a possibilidade de um Brexit sem acordo. As ações na Europa caem desde cedo com os sinais de que o novo premiê britânico, Boris Johnson, vai se preparar para uma saída abrupta da União Europeia.  A libra esterlina tocou hoje seu menor patamar ante o dólar em 25 meses. Os investidores também atentam para as decisões de política monetária mundo afora. Nesta madrugada, o governador do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, manteve a taxa de juros negativa em 0,10%, embora tenha dito que “não hesitará” em implementar mais estímulos à economia caso a inflação continue em queda. Amanhã chega finalmente a Super Quarta, quando os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos divulgam suas decisões a respeito das taxas básicas de juros. A expectativa é de corte tanto lá como aqui.

 

Com uma postura mais defensiva pelo mundo, o Ibovespa opera instável: depois de recuar boa parte do pregão, virou e passou a operar no azul perto do meio-dia, enquanto o dólar futuro avança. Os juros operam entre a estabilidade e a queda. Entre os papéis, Itaú PN registrava a maior queda do Ibovespa, em pontos e em percentagem, com o investidor receoso pelos comentários do presidente do banco, Cândido Bracher, de que a margem financeira deve crescer no piso da meta para o ano e que a tendência de queda nos juros por maior concorrência veio para valer. A queda do Itaú puxa os outros bancos, deixando o índice financeiro como o setor de pior desempenho na B3 no dia de hoje. O noticiário doméstico, além das polêmicas declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre um desparecido na ditadura militar, continua parado.

 

Ao mesmo tempo que o mercado mostra ver valor no segmento financeiro representado pelos bancos digitais, parece dar menos peso às transformações pelas quais os grandes bancos têm passado“, diz André Gordon, sócio gestor do fundo GTI. Entre as altas, GPA registra o maior avanço percentual, alta de 2,54% após duas quedas seguidas. Mais cedo, a Abras informou que as vendas em supermercados subiram 4,04% em junho, em relação ao mesmo período do ano passado, que registrava o impacto da greve dos caminhoneiros. Hoje, no Brasil, o investidor deve ficar atento à temporada de resultados trimestrais: nesta terça-feira, serão divulgados balanços de CSN, Cteep, Lojas Renner, TIM Brasil, Smiles e Sonae Sierra – todos depois do fechamento do mercado. No exterior, foco nos sobressaltos da relação EUA-China, nos tuítes de Trump e no balanço da Apple.

 

(Foto: Trump/ Wikicommons)

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