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Rali pede pausa e ativos de risco caem à espera de BCE, seguro-desemprego: Espresso

Postado por: TC Mover em 04/06/2020 às 7:22

Os ativos de risco interrompem o rali e as bolsas europeias têm a primeira queda em cinco dias na manhã desta quinta-feira. Os futuros dos índices acionários americanos apontam para abertura em queda – a primeira em três pregões. O petróleo cai, o dólar americano avança ante pares pelo primeiro dia em seis e os rendimentos dos Treasuries recuam, sinal de que o investidor precisa respirar e revisar o racional por trás das altas recentes: que o mundo desenvolvido está se recuperando rapidamente da crise provocada pela pandemia de coronavírus. Esse movimento deve permear os ativos brasileiros na abertura do mercado futuro, com Ibovespa futuro pressionado, dólar saindo da mínima em nove semanas e juros futuros engordando prêmio de risco. Daqui a pouco, o Banco Central Europeu deve anunciar mais estímulos para os mercados, enquanto mantém as taxas referência para a política monetária inalteradas. A expectativa é que o BCE aumente as linhas de recompra de títulos, a 1,25 bilhão de euros.

 

O mercado espera relaxamento – nada mais. O investidor fica de olho na coletiva pós-decisão de juros por parte da presidente da instituição, Christine Lagarde – que deve repassar as medidas adotadas hoje e as que poderão vir no futuro próximo, caso a economia da Zona do Euro não reaja da forma esperada. As vendas no varejo na região frustraram o consenso em abril. No entanto, a notícia de que a coalizão que governa a Alemanha fechou acordo para um novo pacote de ajuda a limitar as perdas nas bolsas. De Frankfurt, onde o BCE está sediado, o foco passa para Washington, onde o governo dos Estados Unidos anuncia os números de pedidos de seguro-desemprego semanais. Por aqui teremos os balanços da brMalls e da Randon, assim como a precificação da oferta subsequente da varejista Centauro, após o fechamento. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, terá reunião virtual com dirigentes dos bancos para agilizar a retomada do crédito.

 

Para finalizar, não deixa de surpreender o olhar indiferente do mercado quanto à política doméstica– que está longe de ter se tornado construtiva. O investidor avalia que a aliança com o Centrão e as transferências de auxílio emergencial para cidadãos, Estados e municípios serão suficientes para distensionar Brasília. Se as ruas ajudarem, o presidente Jair Bolsonaro fica e o ministro da Economia Paulo Guedes continua ditando os rumos da economia. Mas isso parece ser mais um desejo da torcida do que a realidade. Novos atores, antes adormecidos, apareceram: são elementos fora da esquerda que querem tirar do bolsonarismo o monopólio das ruas, amparados por adversários da situação nos Poderes Legislativo e Judiciário. Por ora, esse faz de conta ajuda em uma recuperação dos ativos, carente de sustentação nos fundamentos econômicos. Com a recessão começando a mostrar as garras, o Centrão se torna menos confiável: pode evitar uma crise no Congresso, mas sua presença no governo estimula o mal-estar nas ruas.

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