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Rali da Previdência ganha tração com votação no primeiro turno; segundo turno, Fed são foco amanhã

Postado por: TC News em 10/07/2019 às 18:13

O investidor teve seu otimismo renovado nesta quarta-feira com o início da votação da Reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara dos Deputados, após recusarem os requerimentos de retirada de pauta, em um processo célere apesar das tentativas de obstrução da pauta por parte da oposição e do atrito existente entre governo e Parlamento. Segundo a Folha de S. Paulo, a liberação de emendas foi acelerada e até R$5,6 bilhões em verbas extras foram prometidos a deputados para agilizar a aprovação.

 

O presidente Jair Bolsonaro se defendeu, dizendo que as emendas são parte do orçamento federal e, como tal, seu desembolso é coisa corriqueira. Com o primeiro turno quase no bolso, o mercado aguarda o segundo turno que, segundo o presidente da Casa, Rodrigo Maia, poderia ocorrer na sexta-feira, atendendo à expectativa dos investidores de aprovação antes do recesso parlamentar, que começa em 18 de julho. Ainda é negociado entre deputados alguma fórmula para incluir estados e municípios na reforma, ainda na Câmara. A proposta deve ser diluída – de R$1,24 trilhão que o governo queria para R$950 bilhões – e bem acima do que o mercado esperava: alguma coisa entre R$600 e $700 bilhões.

 

Não bastasse a aproximação da aprovação, o cenário externo ainda ajudou a dar um empurrão nos mercados de renda variável e câmbio por aqui. Pela manhã, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse em discurso preparado antes de uma sabatina no Congresso dos Estados Unidos que os riscos de uma inflação baixa persistente estão crescendo, e que os perigos para a economia se mantêm latentes na esteira da prolongada guerra comercial com a China e de outras disputas da mesma natureza, além da menor dinâmica nos investimentos das empresas. O mesmo tom apareceu na ata da última reunião do comitê de política monetária do Fed, divulgada nesta tarde.

 

Segundo o documento, mais membros da diretoria do Federal Reserve acham que o cenário de incertezas e os riscos negativos para a economia dos Estados Unidos fortalecem o racional por trás de uma redução na taxa-alvo básica de juros. Esse tom mais dócil quanto à política monetária favoreceu a busca por ativos de risco nesta quarta-feira e dissipou algum temor de não haver corte de juros iminente, herdado da semana passada, quando foram divulgados fortes de emprego na maior economia do mundo. As bolsas americanas dispararam, com o índice S&P500 tocando 3 mil pontos pela primeira vez e chegando mais uma vez a um recorde intradiário, enquanto o dólar americano e os rendimentos dos Treasuries de dez anos recuaram forte.

 

Com isso, o Ibovespa fechou em alta de 1,23%, em mais um recorde histórico de fechamento, a 105.817 pontos. O dólar futuro negociado na B3 caiu 1,31%, a R$3,759, menor patamar desde fevereiro. Os juros caíram com força, impactados também pelo IPCA de junho divulgado hoje, que mostrou estabilidade, refletindo a fraca atividade e a sazonalidade favorável do período. Os DIs para janeiro próximo recuaram 3,5 pontos-base, a 5,760%. O risco-país recuou mais de 5% e fechou o dia no menor patamar em cinco anos. Além das negociações para acelerara a passagem da reforma em um segundo turno, amanhã merece atenção os discursos de dois membros do Fed, John Williams e Raphael Bostic, que podem dar pistas sobre os juros nos EUA. Teremos o índice de preços ao consumidor da Alemanha e nos EUA, e as vendas no varejo no Brasil.

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