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Prepare-se para um pregão volátil: fluxo de saída dos emergentes continua; no radar, Quarles, Congresso em dia de agenda fraca

Postado por: TC Mover em 20/08/2019 às 10:25

Ao longo das últimas semanas, alertamos para o investidor a necessidade de olhar para o exterior para entender os movimentos de mercado. Às vezes, perdemos tempo olhando para a realidade local quando são os eventos globais que explicam grande parte do movimento de preços no Brasil. A reversão dos fluxos para os mercados emergentes, seja pela situação na Argentina ou pelo temor de uma recessão global, levou à saída de US$10 bilhões dos fundos de índices ligados a países emergentes, de acordo com Morgan Stanley. Na semana passada a saída de recursos dos ETFs de emergentes foi a pior em cinco anos.

 

Os mercados europeus e os futuros dos índices americanos recuavam nesta terça-feira, refletindo um sentimento frágil entre os investidores, apesar do progresso visto em relação à disputa comercial Estados Unidos-China e as iniciativas dos maiores bancos centrais de implementar estímulos para evitar uma recessão. As bolsas asiáticas fecharam mistas, parte refletindo essa incerteza. O mercado não consegue se firmar – veja os fluxos nos emergentes. Os juros dos Treasuries recuam de novo, com o presidente americano Donald Trump reiterando seu pedido por juros mais baixos. O petróleo recua, enquanto o ouro e o dólar sobem. A aversão ao risco vai ficar.

 

Os receios quanto aos países emergentes pesaram no Ibovespa, que reverteu a alta inicial para fechar em queda na segunda-feira. Causou desconforto a fala do candidato opositor na Argentina, Alberto Fernández, sobre as dificuldades de o país cumprir o acordo com o Fundo Monetário Internacional. O recuo do minério empurrou as ações de siderurgia e mineração A divergência de opiniões entre os diretores do Federal Reserve, dessa vez Eric Rosengren, que sugeriu que talvez não seja necessário relaxar a política monetária, induziu a uma alta global do dólar. Ou seja: o exterior continua – e continuará – a direcionar a B3.

 

Hoje entraram em vigor as novas políticas de juros na China, cujo banco central introduziu hoje cedo uma nova taxa interbancária: ela foi fixada em 4,25%. A mudança é parte do esforço da segunda maior economia do mundo de conectar as taxas interbancárias com o mercado de capitais, reduzir o custo de empréstimos para empresas menores e, naturalmente, combater a desaceleração econômica. É possível que, após a medida e outras destinadas a flexibilizar o crédito, o Banco Central do Povo da China corte os juros para as linhas de crédito de médio prazo ao longo deste semestre, disseram economistas. O impacto, porém, é questionável e deve ser pouco expressivo, disse o UBS.

 

A ascensão do dólar americano está se tornando problemática, especialmente para Trump. Ontem, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante pares, atingiu a máxima de 27 meses na véspera. Para Trump, está sendo cada vez complicado agir para enfraquecer o dólar: se diz que as conversas comerciais com a China estão progredindo, o dólar avança e a chance de o Federal Reserve cortar a taxa de juros tende a ser menor. Se joga água no chopp, os mercados despencam – o que pode impactar sua reeleição. O melhor, para o investidor, é ficar de olho no Twitter dele e nas entrevistas dos seus assessores mais próximos, Larry Kudlow e Peter Navarro.

 

Ontem, líderes de algumas das maiores companhias dos EUA jogaram por terra a noção de que o que é melhor para os acionistas é o que as empresas precisam decidir. A chamada Business Roundtable, um influente grupo formado pelos gestores de algumas das maiores empresas do planeta, mudou sua declaração de princípios, pedindo aos executivos levarem em consideração, na tomada das decisões, a funcionários, clientes e a sociedade em geral. Quem defendeu primeiro que as empresas deviam maximizar a criação de valor para seus acionistas foi o Prêmio Nobel Milton Friedman. É improvável que a declaração impacte a bolsa no curto prazo, mas tanto a orientação de longo prazo das empresas quanto o racional das decisões corporativas deve mudar.

 

O noticiário local na política promete fazer ruído: segundo matéria da Folha de S. Paulo, a Operação Lava Jato descobriu que uma empresa que pertenceu ao ministro da Economia, Paulo Guedes, fez pagamento a um escritório de fachada, suspeito de lavar dinheiro para esquema de distribuição de propinas no Paraná. Metade dos líderes da Câmara rejeita a criação de um novo tributo sobre meios de pagamento, segundo levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo: considerada uma nova CPMF pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a proposta não agrada 15 dos 30 líderes de partidos, incluindo os partidos do chamado Centrão. E uma notícia trágica: um homem armado faz passageiros reféns em ônibus na Ponte Rio-Niterói.

 

No plano local, também é importante ficar atento a comentários do governo sobre a transferência do Coaf para o Banco Central, que foi sacramentada ontem à noite. Também pode causar alguma impacto as movimentações do presidente Jair Bolsonaro na escolha do novo Procurador-Geral da República. Hoje começa a série de audiências públicas sobre a Reforma da Previdência, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Mundo afora, alguma sinalização sobre o rumo dos juros nos EUA pode aparecer com o discurso do diretor do Fed, Randal Quarles, às 19h00. Alemanha divulga o IPP de julho e os EUA informam os estoques de petróleo semanal.

 

Os bancos lideraram o recuo do Ibovespa na última sessão, com a queda de 1,44% de Bradesco PN sendo a mais relevante, em pontos. Já a B3 teve a maior alta do índice ontem, avançando 2,25%, após se tornar a quinta ação mais importante do Ibovespa no rebalanceamento de setembro. A francesa Casino elevou a oferta para comprar a fatia que a GPA possui na colombiana Éxito para R$113 por ação. A CVM iniciou inquérito para apurar a conduta dos executivos da Vale sobre a tragédia de Brumadinho. O conselho da CPFL Energia aprovou a compra das ações da CPFL Renováveis detidas pela State Grid. A Petrobras anunciou parada de manutenção na refinaria de Paulínia por 36 dias.

 

Outras notícias corporativas de destaque incluem o plano de aumento de capital da B2W, que precisa de R$2,5 bilhões para reduzir sua dívida e acelerar investimentos em meio à maior concorrência. O plano será feito a R$39 por ação, um deságio de 7,7%. Segundo o Valor Econômico, a sobrevivência da Oi está em risco e acionistas relevantes querem a saída do diretor-presidente Eurico Teles. Para o site Brazil Journal, chegou a hora de o setor de laboratórios de análises clínicas entrar na onda da consolidação. Em três anos, empresas brasileiras já levantaram mais de US$5 bilhões nos EUA: oito empresas abriram capital no mercado norte-americano, com bastante sucesso, diz o site G1.

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