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Pregão pré-Carnaval deve ser marcado por cautela externa; no radar, conta corrente, PMI americano, balanços

Postado por: TC Mover em 21/02/2020 às 9:10

Os mercados na Europa e na Ásia e o pré-mercado dos Estados Unidos caminhavam para fechar a pior semana das últimas quatro com a intensificação da cautela dos investidores perante o avanço do coronavírus pela Ásia. A Coreia do Sul registrou ontem a primeira morte relacionada ao vírus e mais de 50 casos no país, o maior número fora da China. Agências de turismo especializadas na península coreana relatam que a Coreia do Norte pode cancelar a tradicional maratona de Pyongyang, marcada para abril – sinal de que o governo mais fechado da região, que mantém a fronteira com os países vizinhos bloqueada, vê o surto se prolongando por pelo menos mais dois meses. Nos EUA, os futuros dos principais índices continuam com humor azedo, potencializado pela fala do vice-presidente do Federal Reserve, Richard Clarida, de que o banco central americano não deve cortar juros no curto prazo. Na Europa, a cautela com o vírus e o efeito neutro dos PMIs e da inflação em linha com o esperado seguram as bolsas no vermelho. No plano local, o mercado deve se preparar para dois dias e meio de pregão interrompido por conta das festividades do Carnaval – a bolsa só volta a negociar na próxima quarta-feira, às 13h00. Assim, prepare-se para um pregão volátil, provavelmente marcado pela busca de proteção antes do feriado prolongado no Brasil.

 

O número de mortos pelo surto de coronavírus subiu para 2.236 na China nesta madrugada, com 118 novas vítimas. Já são mais de 75.000 pessoas infectadas no mundo inteiro, mas com mais de 98% ainda concentradas no país de origem da doença. Hoje, o ministro do Comércio chinês, Zhong Chan, disse às agências internacionais que as importações e exportações para o país devem sofrer uma queda brusca nos dois primeiros meses do ano dado ao bloqueio na maior parte da estrutura logística chinesa. Segundo o Valor Econômico, algumas das maiores prejudicadas pela paralisação da economia chinesa por conta da epidemia devem ser as empresas de pequeno e médio porte do país. Segundo pesquisas da Universidade Tsinghua e da Universidade de Pequim, citadas pelo jornal, 85% de 1.506 pequenas e médias companhias consultadas no início de fevereiro preveem ficar sem dinheiro dentro de três meses, enquanto um terço disse que o surto pode encolher a receita em mais de 50% – grande parte delas fornecedoras de componentes e serviços à cadeia chinesa de tecnologia.

 

A Vale, ainda tentando um acordo definitivo com a Justiça por conta da queda de uma barragem em Brumadinho, registrou prejuízo líquido inesperado tanto no quarto trimestre como no ano de 2019, apesar de geração de fluxo de caixa recorde, na esteira da contabilização de provisões relacionadas à tragédia, e de baixas contábeis nas divisões de metais básicos e carvão. No ano em que teve o rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, a Vale registrou prejuízo de US$1,683 bilhão, revertendo lucro de US$6,860 bilhões em 2018. As provisões e despesas relacionadas com a tragédia, que matou mais de 300 pessoas, somaram no ano passado US$7,402 bilhões. O resultado trimestral contrariou as projeções de analistas no consenso TC: o rombo foi de US$1,562 bilhão, o oposto do lucro de US$3,786 bilhões do mesmo período do ano anterior e do consenso de US$700 milhões. O fluxo de caixa livre operacional foi de US$8,105 bilhões no ano e de US$1,137 bilhões no trimestre – forte queda na base sequencial.

 

(Por: Ana Carolina Siedschlag, Guillermo Parra-Bernal e Vitor Azevedo; com a colaboração de Bárbara Leite || Arte: Nathália Reiter)

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