Pregão deve repercutir Fed, Copom e mal-estar com reforma dos militares
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Pregão deve repercutir Fed, Copom e mal-estar com reforma dos militares

Postado por: TC News em 21/03/2019 às 8:36

A leitura dos eventos políticos e econômicos de ontem no Brasil e no mundo deve contaminar o ambiente dos negócios nesta quinta-feira. A docilidade do Federal Reserve com o ciclo da política monetária e a do governo Jair Bolsonaro com os militares na reforma da Previdência deixou entrever que os problemas à frente não serão fáceis de resolver. Também, os crescentes empecilhos para a assinatura de um acordo comercial entre os Estados Unidos e a China, além da frustração pelo tom neutro do comunicado de taxas do Banco Central, podem impactar o sentimento.

 

No início da manhã, os principais índices europeus e asiáticos e os futuros das bolsas americanas operavam em clima misto, após o Fed descartar quaisquer aumentos de juros neste ano, mas apontar preocupação com o crescimento das economias dos EUA e global. O contrato do ouro passou a negociar no maior patamar em mais de três semanas, o dólar retomou os ganhos após forte queda ontem e os juros da dívida pública americana cederam – as apostas de um corte na taxa-alvo dos EUA só crescem. Hoje fique de olho nos dados de seguro-desemprego dos EUA, na decisão de política monetária no Reino Unido e, à noite, em dados do Japão. O petróleo Brent continua em alta após os cortes na produção anunciados pela Opep.

 

Na cena local, preste atenção redobrada na reação da classe política à proposta de Bolsonaro para aliviar o impacto da reforma da Previdência nas Forças Armadas. Em um claro exercício de patrimonialismo, quebrando todas as promessas que até o momento tinha feito em relação à igualdade de tratamento entre categorias, Bolsonaro favoreceu a antes sua classe e colocou em sério risco a aprovação da reforma da Previdência. O mercado não gostou nem um pouco da brincadeira – e as apostas de um recuo nos planos para os militares estão começando a crescer. Já na primeira reunião sob o comando do novo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o destaque foi o anúncio de que os riscos à inflação se mostram simétricos, dando margem para descartar um novo corte na taxa básica de juros Selic – por ora.

 

Assim, o investidor se encontra cercado por maiores riscos externos, uma política monetária doméstica que parece estar no limite do estímulo e um governo que não se mostra comprometido com o controle dos gastos e a sustentabilidade das contas públicas. A reforma é condição necessária, mas não suficiente, para o Brasil sair da lama. Na agenda, Bolsonaro viaja a Chile – e já é boicotado pela oposição de lá; Campos Neto encontra o ministro da Economia, Paulo Guedes; teremos resultados trimestrais da Cyrela, Biotoscana e CCR, entre outras, e teleconferências da B2W e as Lojas Americanas. Opere com cuidado, pois o dia se apresenta volátil e com um noticiário pouco previsível.

 

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Mercado hoje, segundo Contribuidores TC


Os principais índices europeus e asiáticos e os futuros das bolsas americanas operavam em clima misto nesta quinta-feira após o Fed descartar um novo aumento de juros neste ano, mas apontar preocupação com o crescimento da economia do país e do mundo.

 

O índice Xangai Composto, da China, fechou em leve alta de 0,35%, enquanto na Europa as bolsas francesa e alemã tinham leves quedas, próximas à estabilidade. Apesar do tom positivo que tomou conta dos mercados americanos ontem à tarde, após a decisão do FOMC, as falas de Powell ajudaram a mitigar o otimismo. Ele disse que a disputa comercial entre EUA e China tem sido fonte de preocupação e que a desaceleração econômica ao redor do mundo poderia afetar a atividade americana.

 

No mercado das commodities, o petróleo Brent atingiu o maior patamar do ano com a continuação da trajetória de alta dos preços após os cortes na produção anunciados pela Opep e pelas sanções americanas contra o Irã e a Venezuela. Vale acompanhar se o presidente dos EUA, Donald Trump, irá novamente se pronunciar no Twitter sobre isso.

 

Principais notícias corporativas

 

Vale I: A Vale informou que suspendeu temporariamente e de forma preventiva as operações da mina de Alegria, no complexo de Mariana, por resultados inconclusivos em análises preliminares de estruturas. A mineradora estima impacto potencial máximo de cerca de 10 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

 

Vale II: PIB mineiro pode cair 7% com parada de minas da Vale (Valor)

 

Petrobras I: Petrobras disse que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Carf, proferiu decisão desfavorável em processo de R$2,2 bilhões que trata de cobrança de Cide sobre remessas ao exterior. A companhia pode perder até R$ 44 bilhões em processos similares (Valor)

 

Petrobras II: O conselho de administração da Petrobras elegeu Anelise Quintão Lara para o cargo de diretora executiva de Refino e Gás Natural.

 

Banco do Brasil: O Banco do Brasil anunciou que realizou captação externa no montante de US$750 milhões, com títulos que vencem em março de 2024.

 

Cielo: A Cielo comunicou que seu conselho de administração aprovou a distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio equivalentes a 70% do lucro líquido a ser apurado no primeiro trimestre.

 

Sabesp: A Sabesp firmou um protocolo de intenções junto ao município de Santo André visando estudos e avaliações para equacionar dívidas.

 

MRV: A MRV divulgou que os fundos da gestora Dynamo compraram ações e atingiram participação equivalente a 5,18% das ações ON da empresa.

 

Log-In Logística: A Log-In Logística registrou lucro líquido de R$15,2 milhões no quarto trimestre, revertendo prejuízo de R$17,7 milhões em igual período em 2017.

 

CSN: O Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, publicou que acatou pedido da CSN e prorrogou o prazo para que a empresa venda suas ações da Usiminas. A nova data para cumprimento da obrigação é confidencial.

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

10h30 Arrecadação federal (fevereiro) – Receita Federal

 

Indicadores internacionais

06h30 Reino Unido – Vendas no varejo mensal (fevereiro); consenso 0,20%

06h30 Reino Unido – Vendas no varejo anual (fevereiro); consenso 3,00%

09h00 Reino Unido – Decisão da taxa de juros (março); consenso 0,75%

09h00 Reino Unido – Flexibilização quantitativa total; consenso £435 bi

09h30 EUA – Novos pedidos de seguro-desemprego

09h30 EUA – Transações correntes 4T; consenso – US$124,3 bi

09h30 EUA – Índice de atividade industrial Fed Filadélfia (março); consenso 3,2

12h00 UE – Confiança do consumidor (março); consenso -7,4

16h00 Argentina – PIB anual (4T); consenso -3,50%

16h00 Argentina – Taxa de desemprego (4T)

20h30 Japão – IPC-núcleo anual (fevereiro); consenso 0,80%

20h30 Japão – IPC nacional anual (fevereiro)

21h30 Japão – PMI industrial (março)

 

Resultados trimestrais

DF Fertilizantes Heringer

DF Biotoscana

DF Tecnisa

DF CCR

DF Cyrela

DF EZTec

DF Profarma

DF Lupatech

DF LPS

 

Teleconferências de resultados

11h00 Anima, LPS

12h00 B2W

14h30 Lojas Americanas

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

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