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Powell vê espaço para juro menor, mas Nova Iorque, B3 não têm alívio; Livro Bege é foco em dia de agenda fraca

Postado por: TC Mover em 16/07/2019 às 17:51

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse o que os mercados queriam ouvir: o banco central americano vê que os riscos negativos para o crescimento da economia dos Estados Unidos estão em alta e que “agirá da forma mais apropriada para garantir a expansão”. Os comentários, feitos na tarde desta terça-feira em Paris, embora deixem mais firmes as expectativas de corte na taxa-alvo de juros dos EUA no final deste mês, não aliviaram os temores do mercado com a falta de definição dos dados econômicos do maior economia do mundo.

 

As bolsas em Nova Iorque recuaram, o dólar americano e os rendimentos dos Treasuries continuaram sua escalada e a volatilidade voltou a subir – impactando o sentimento na Bolsa de Valores de São Paulo. Mesmo com Powell dizendo que seus colegas no comitê de política monetária do Fed, conhecido como FOMC, também temem uma queda prolongada da inflação abaixo da meta de longo prazo de 2%, a preocupação do investidor global é que um corte nos juros chegue tarde demais.

 

É por isso que o mercado está tão ansioso com a temporada de balanços do segundo trimestre nos EUA: se as incertezas que Powell mencionou, como a guerra comercial EUA-China, fazem consumidores e empresários americanos pisarem no freio do gasto e do investimento, vai ser difícil que os índices-referência S&P500 e Dow Jones, que nas últimas duas semanas tocaram máximas históricas, sustentem os níveis atuais. E um mercado acionário em baixa nos EUA é má notícia para os ativos de risco – incluindo os brasileiros.

 

Por mais que Powell tente restabelecer a confiança nos mercados, com o argumento de que o Fed fará o possível para garantir que dez anos de expansão econômica ininterrupta continue por mais um tempo, o ruído persiste. O ânimo em Nova Iorque azedou no começo da tarde, após o presidente americano, Donald Trump, dizer que um acordo comercial e diplomático entre os Estados Unidos e a China continua “longe de acontecer” – revivendo os temores de uma ação unilateral e impulsiva por parte do mandatário, que disse, aliás, que “poderia impor mais tarifas à China se quisesse“. Trump também atacou Powell e o Fed e lamentou que, diferentemente dos EUA, quem manda no BC chinês é o presidente do país, Xi Jinping. Pode?

 

O Ibovespa encerrou o pregão com a quarta queda seguida, de 0,03%, a 103.775 pontos, com volume perto dos R$10 bilhões – abaixo das médias diárias do ano. Câmbio e juros futuros operaram de lado na B3, sem direção e voláteis, repercutindo o exterior na ausência de catalisadores locais de relevância. Os vencimentos mais longos embutiram mais prêmio, refletindo a maior incerteza com o cenário internacional. Mas nem tudo é culpa do que acontece mundo afora: a noção de que a aprovação da Reforma da Previdência traria, automaticamente, um incremento de fluxos para a bolsa é, até o momento, um achismo. O impulso que a passagem da iniciativa deu para o mercado pode estar se esgotando. Qual será o próximo catalisador na cena local? A conferir.

 

Um fato interessante de hoje foi a divulgação da carta mensal da SPX Capital, a maior gestora independente de ativos do país. Os gestores da casa carioca iniciaram uma “alocação direcional comprada na bolsa brasileira” no mês passado, com foco nos setores de óleo e gás, mineração, utilidades e bancos, citando a possibilidade de que uma economia fraca leve o Banco Central a cortar as taxas de juros a níveis nunca imaginados. Nos mercado de juros local, a SPX tem alocações aplicadas na parte intermediária da curva, pelo cenário de inflação favorável no país e a atividade econômica estagnada. É quase certo, disse a SPX, que o Banco Central reduza a taxa básica de juros Selic em 0,5 ponto percentual em 31 de julho, e mais duas vezes até o fim do ano, levando o juro básico a 5%.

 

No âmbito corporativo, Vale foi o destaque do pregão e se manteve ao longo desta terça-feira como a maior alta do Ibovespa. Apesar de o acerto entre a maior produtora de minério do mundo e o Ministério Público do Trabalho ter elevado o valor das indenizações da tragédia da mina de Brumadinho, é possível inferir que os riscos judiciais e reputacionais decorrentes do caso estejam sendo mitigados. A ação ON da companhia fechou a sessão em alta de 0,68%, a R$53,05 – perto de 5% abaixo do preço de tela em 24 de janeiro, um dia antes do fatídico acidente. O novo presidente do BNDES, Gustavo Montezano, também disse que não sabe se esse é o melhor momento para vender a participação que o banco tem na Vale – cerca de R$17 bilhões. Isso também deu um suporte no papel.

 

Outro destaque foi a Via Varejo ON, que teve sua terceira alta consecutiva e já acumula ganhos de 80% desde meados de maio. No lado oposto, as ações ON e PN da Petrobras passaram grande parte do dia em terreno negativo, com a queda dos preços do petróleo no exterior. As ações preferenciais da estatal encerraram o dia em queda de 1,24%, a R$27,83. Com o noticiário político local em clima de recesso, o investidor deverá passar a quarta-feira de olho no exterior mais uma vez: o Fed divulgará, às 15h00, o Livro Bege, uma pesquisa de atividade nos distritos onde o banco tem sedes. Além disso, o investidor também fica de olho na publicação dos estoques de petróleo americanos pela manhã. No plano local, teremos o IPC semanal da Fipe e o monitor do PIB mensal da FGV. À tarde, o Banco Central divulga o fluxo cambial estrangeiro para a semana.

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