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Powell traz clareza quanto aos juros e exterior reage bem; bolsa, câmbio e juros pegam carona

Postado por: TC Mover em 04/06/2019 às 18:04

As bolsas americanas reagiram com júbilo à fala do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, nesta terça-feira, em que sinalizou que não se oporia a cortar a taxa-alvo de juros dos Estados Unidos se o ambiente mais sombrio para a economia – leia-se, as disputas comerciais que o presidente americano Donald Trump está escalando contra parceiros do país – se materializasse. Referindo-se ao assunto de forma diplomática, destacou que “não sabemos quando as negociações comerciais e outras questões serão resolvidas”. Os mercados, que desde a semana passada elevaram suas apostas de reduções na chamada taxa Fed Funds para três cortes até o final do ano, intuíam que Powell ia ficar em uma sinuca de bico se não sinalizasse tal desfecho.

 

Os ativos de risco agradeceram o fato de o banqueiro central mais poderoso do mundo ter se curvado aos dados, que consistentemente têm mostrado uma deterioração da atividade nos EUA. Os índices Dow Jones e S&P500 chegaram a registrar suas maiores altas intradia desde janeiro, e fecharam com avanços de 2,06% e 2,14%, respectivamente, enquanto o dólar recuou e os rendimentos dos Treasuries dispararam – sinal de menor aversão ao risco entre os investidores globais. A notícia de que o governo do México está trabalhando para chegar a um acordo com Trump quanto a um endurecimento dos controles para combater a imigração ilegal aos EUA antes que o presidente americano imponha uma sobretaxa de 5% nas exportações do país também ajudaram na melhora do sentimento mundo afora.

 

O júbilo permeou o pregão brasileiro, que viu juros futuros e câmbio derreterem de novo graças ao avanço da agenda econômica do governo Jair Bolsonaro no Congresso, e a bolsa virar no meio da tarde – em um movimento clássico de carona. Ao longo do dia, o índice Ibovespa oscilou bastante, em parte refletindo a forte queda da ação da Braskem na esteira do colapso da venda da petroquímica à LyondellBasell e um movimento de realização que envolveu algumas das ações mais líquidas do índice.

 

Mesmo com o exterior menos tenso do que em dias recentes, não deixe de ficar de olho no que pode ser uma quarta-feira cheia de indicadores, eventos e discursos com potencial de imprimir mais volatilidade ao ambiente. O Ibovespa fechou em alta de 0,37%, a 97.380 pontos, liderado por JBS e Sabesp. O dólar futuro recou ante o real na B3 pelo terceiro dia seguido, queda de 0,81% a R$3,862, menor cotação desde abril. O contrato do DI para janeiro próximo fechou em queda de 2,5 pontos-base a 6,235%, precificando corte de 25 pontos-base na taxa básica de juros Selic entre outubro e dezembro.

 

Além de não tirar os olhos do Congresso, que continua empenhado em mostrar serviço e passar iniciativas como o pedido de crédito suplementar de R$249 bilhões para financiar gastos correntes e de Previdência Social nos próximos meses, o investidor precisa ficar atento ao plenário de amanhã no Supremo Tribunal Federal quanto às vendas de ativos estatais. Na tarde de quarta-feira, o STF analisará duas ações que podem ditar o rumo das privatizações: os ministros irão decidir sobre a manutenção da liminar concedida pelo colega Ricardo Lewandowski em junho, determinando que quaisquer privatizações deverão ser aprovadas pelo Congresso; e irão votar sobre a liminar do ministro Edson Fachin que suspendeu a venda de 90% da TAG, rede de gasodutos da Petrobras.

 

Vários veículos de imprensa esperam um placar apertado em ambas as decisões, com o risco de que sejam requeridos ajustes nos processos de privatização de subsidiárias da Petrobras e outras estatais. Além dessa importante votação, teremos a divulgação de PMIs, ou indicadores antecedentes de atividade manufatureira e de serviços, na China, na Europa, no Reino Unido, no Brasil e nos Estados Unidos.

 

(Foto: B3/Reprodução)

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