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Postura defensiva marca início de semana intensa de Fed, Copom e balanços; plano do BNDES deve impactar bolsa

Postado por: TC Mover em 29/07/2019 às 9:43

A última semana de julho será uma das mais intensas do ano para o investidor. É de ficar grudado na tela e no noticiário: além do destaque principal – as decisões de juros nos Estados Unidos e no Brasil, – ainda teremos reuniões de política monetária no Japão, amanhã, e no Reino Unido, na quinta. Entre os indicadores econômicos, os mais relevantes vêm dos EUA, incluindo a inflação PCE e o relatório de emprego privado não-agrícola de julho, além dos dados de PIB da Zona do Euro e de indicadores de atividade na China. Já a temporada de balanços ganha impulso extra, com os resultados da Apple nos EUA e de Itaú hoje, Vale em 31 de julho e Petrobras em 1 de agosto. Os números dessas três empresas, no Brasil, devem ditar em grande parte a leitura do mercado quanto o saldo da temporada de resultados, assim como das perspectivas para os próximos meses.

 

O outro destaque o reinício, após tensa pausa de quase três meses, das negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China, a partir da madrugada de hoje. Mas, não se iluda: todo mundo acha que pouco, ou nada, significativo deve sair desse reencontro. Isso não impede que ganhos modestos sejam obtidos: os pedidos dos EUA para que a China se comprometa a proteger a propriedade intelectual americana e abandone os subsídios estatais aos negócios podem ter algum avanço. As exigências de Pequim de que os EUA eliminem as sobretaxas como condição para um acordo também podem ser ouvidas com mais carinho pelos americanos.

 

Os mercados operam hoje em modo cautela, com os ativos de risco oscilando em torno da estabilidade, apesar de uma noite de recuos nos mercados da Ásia. Além de o investidor ficar atento à decisão na China de intervenção de mais um banco, os problemas vistos em Hong Kong – onde a população se opõe fortemente à maior ingerência, se não influência, chinesa – criam mais ruído. Dados na noite de ontem mostraram que a lucratividade industrial caiu na China em junho, demonstrando o poder nefasto da guerra comercial. China é, cada vez mais, um lugar que o investidor na B3 precisa ficar mais atento: além de ser o maior comprador individual de produtos brasileiros, continuará sendo o motor de crescimento do planeta por um bom tempo. Notícias sobre uma desaceleração da atividade na que será, a partir do ano que vem, a maior economia do mundo, não devem ser boas notícias para o Brasil.

 

No Brasil, o destaque no noticiário é a movimentação, cada vez mais acelerada, do BNDES para desinvestir sua carteira de participações, de mais de R$100 bilhões. Em artigos publicados pelo Valor Econômico e o site Brazil Journal entre ontem e hoje, se discute tanto o calendário para a potencial venda das fatias do BNDES em companhias como a Petrobras e a JBS, assim como em estatais estaduais como a Cemig e a Copel ao longo deste ano. Para gestores e membros experientes do TC, a notícia pode causar alguma sensação de indigestão no mercado de ações local no curto prazo, mas deve ser bem digerida ao longo do tempo. Para um mercado com grande necessidade de liquidez e em fase de alta, mais profundidade e menos Estado são condições necessárias.

 

Para hoje, fique de olho nas repercussões da notícia sobre as vendas do BNDES e a aceleração do processo de depuração do banco estatal – que podem impactar ações das companhias que estejam na carteira do BNDESPar, o braço de participações do banco estatal. Além do Itaú, as operadoras de shoppings Multiplan e Aliansce – que recentemente anunciou sua fusão com a Sonae Sierra – soltam balanços depois do fechamento. Dados do resultado fiscal consolidado do governo, estados e municípios de junho serão divulgados também, no meio da manhã de hoje, e, hoje pode ser um dia de flutuações pesadas no dólar : no dia 31, haverá fixação da taxa Ptax para a liquidação dos contratos futuros no câmbio. O ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central terão reunião do Conselho Monetário Nacional à tarde. Se houve alguma repercussão das decisões no mercado de juros, elas serão refletidas na terça-feira. Finalmente, o presidente Jair Bolsonaro terá reunião com seu núcleo político e de segurança hoje de manhã.

 

(Foto: Itaú/ Divulgação)

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