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Por que os 100 mil pontos simbolizam tanto? Para alguns, é a ressurreição do setor privado

Postado por: TC Mover em 18/03/2019 às 15:07

Por: Conrado Mazzoni, editor TC News

 

A bolsa brasileira alcançou nesta segunda-feira a marca histórica dos 100 mil pontos, um ponto inédito que traduz a retomada do apetite por risco de investidores e empresários, mesmo apesar do Brasil ainda não se recuperar completamente da sua pior recessão em oito décadas. Mas do que o número, a marca, para muitos, é sinônimo da ressureição do setor privado após anos de políticas econômicas intervencionistas e erráticas.

 

O ápice da renda variável neste início de 2019 sintetiza um funcionamento mais adequado do mercado de capitais, o que beneficia a valorização de empresas diante do baixo custo de capital, com a taxa básica de juro, a Selic, na mínima de 6,50% e, o mais importante, sem pressões inflacionarias à vista. Logo, essa alta, se sustentável, deve canalizar a poupança das pessoas que querem rentabilizar seu patrimônio para atividades produtivas com boas perspectivas de crescimento.

 

A bandeira liberal vitoriosa na eleição de 2018 sedimentou os sinais de mudanças em empresas estatais, emitidos desde o impeachment de Dilma Rousseff no segundo semestre de 2016, em prol de melhores práticas e menor presença do governo. O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, trouxeram um recado claro na direção de reformas estruturantes para o ajuste fiscal, desburocratização e venda de estatais.

 

Em resposta, uma onda de otimismo tem irradiado no setor privado, ciente da oportunidade de voltar a assumir as rédeas do próprio destino. Quem havia postergado decisões de investimentos na pessoa física e na jurídica voltou a colocar a mão no bolso, e a economia trotando prestes a galopar viu sua retomada antecipada nos sucessivos recordes do índice Bovespa desde janeiro. Não à toa, os anos de crise serviram como incentivo à lição de casa, com empresas reduzindo seu endividamento e racionalizando suas atividades, para agora usufruírem da melhora operacional.

 

“É o início de um processo bastante duradouro de reprecificação do mercado brasileiro. O potencial de valorização é bem mais do que 100 mil pontos”, opina Pedro Rudge, sócio-fundador e CFO da gestora Leblon Equities, que prevê um ciclo virtuoso com retomada de aberturas de capital, os IPOs, inaugurando novos setores na bolsa brasileira.

 

Uma análise do histórico do Ibovespa fundamenta tal perspectiva. O comportamento de preços do índice mudou de patamar a partir de transformações políticas. Em dólares, a bolsa multiplicou 16 vezes com o fim da ditadura militar na década de 1980, depois multiplicou por 30 vezes na esteira do impeachment de Fernando Collor e, mais recentemente, multiplicou por 19 vezes em seis anos, entre 2002 e 2008, desde a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Por ora, desde o impeachment de Dilma, a bolsa já triplicou de valor em dólares.

 

(Foto: B3, em São Paulo/Reprodução)

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