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Pior semana em Wall Street desde dezembro respinga no Brasil. Sossego? Não na semana que vem

Postado por: TC Mover em 02/08/2019 às 17:38

O Itaú Unibanco elabora um interessante índice, o GEPU, ou índice de Incerteza de PolíticaEconômica Global. Nunca, desde 2003, quando a colheita de informações para o indicador começou, a incerteza tinha atingido um nível tão alto: perto de 250 pontos. O GEPU já disparou mais de 100 pontos desde o início da guerra comercial, há quase 16 meses. Essa insegurança deve perdurar, abrindo espaço para o afrouxamento da política monetária nas maiores economias. Sem pressões inflacionárias à vista, com o declínio da atividade manufatureira sem sinais de estabilizar e com lideranças políticas nas Américas, Europa e Ásia causando, a semana que vem deve trazer pouco – ou nenhum – sossego para o investidor no Brasil e mundo afora.

 

Se tivéssemos que definir esta semana nos mercados, diríamos que os ativos de risco sangraram e os investimentos mais seguros saíram do closet. Os índices acionários americanos mais relevantes, o Dow Jones Industrials e o S&P500, fecharam sua pior semana desde início de dezembro. O contrato do ouro teve seu melhor desempenho em seis semanas. O rendimento dos Treasuries de dez anos teve sua maior queda semanal, de 23 pontos-base, desde junho de 2012. E, no pregão de hoje, o juro da dívida de 30 anos do Tesouro alemão atingiu brevemente valores negativos – primeira vez que a totalidade da curva de vencimentos alemã pagou juros nominais negativos. A coisa não vai bem.

 

A incerteza da política comercial e geopolítica ressurgiu com força e, repetimos, não deve aliviar na semana que vem. Então, prepare-se para mais volatilidade e irracionalidade nos mercados. Parece que os Estados Unidos vão cumprir a ameaça de sobretaxar mais de US$300 bilhões de importações vindas da China. As tensões comerciais e diplomáticas entre Japão e a Coréia do Sul, ou entre a China e Taiwan, devem se intensificar. A chance de um conflito no Oriente Médio envolvendo o Irã, uma teocracia com arsenal nuclear, não pode ser descartada. Todos esses conflitos têm como protagonista os EUA de Donald Trump. “Nos bons manuais do ramo, consta que os recursos econômicos são escassos. Porém, contudo, nos tempos que correm, a incerteza, e o fôlego de Washington para produzi-la, parecem exceções à regra”, escreve Darwin Dib, da Berkana Patrimônio.

 

O Brasil não deve ficar alheio a essa turbulência: o índice Bovespa fechou em alta de 0,54%, a 102.673 pontos, após passar a maior parte do tempo entre o vermelho e o azul. O motivo? A confirmação, pelo assessor econômico de Trump, Larry Kudlow, da decisão de sobretaxar as importações chinesas a partir de setembro. O recado do embaixador chinês nas Nações Unidas de que “vai ter briga comercial, tampouco ajudou. O volume do pregão de hoje ficou em R$13,85 bilhões, em linha com as médias diárias do ano. Na ponta das quedas, Vale ON liderou, na esteira do tombo na cotação do minério de ferro na China. O dólar futuro operava em alta de 1,31% a poucos minutos do fim da sessão, cotado a R$3,897, maior patamar desde junho. O Banco Central anunciou a rolagem de 11.000 contratos de swap para outubro, na tentativa de arrefecer a volatilidade – mas não conseguiu fazer grande coisa. Os juros futuros operaram mistos.

 

O destaque positivo do pregão no segmento Bovespa da B3 veio da Petrobras, cujas ações PN e ON fecharam em alta de 3,59% e 3,03%, respectivamente. O mercado reagiu positivamente ao balanço do segundo trimestre, que registrou o maior lucro líquido na história da estatal: R$18 bilhões. O balanço da Petrobras é sempre difícil de ler e o trimestre passado não foi exceção: baixas contábeis, vendas de ativos… No entanto, o mercado reconhece que há catalisadores positivos para o papel. Em teleconferência hoje, o diretor-presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse que a redução acelerada da dívida continuará, que a nova projeção do capex da estatal reflete maior disciplina no uso do capital e que continuará a pagar dividendos mínimos até a Petrobras atingir um endividamento confortável.

A próxima semana será marcada pela volta dos parlamentares à Brasília e a retomada da votação, em segundo turno, da Reforma da Previdência na Câmara, confirmada pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia, hoje à tarde. O analista político da IdealPolitik e membro experiente do TC, Leopoldo Vieira, está cético quanto ao cronograma. Além disso, serão divulgados, na segunda-feira, dados do PMI composto da China, Brasil, EUA e da União Europeia. O destaque da terça-feira será a divulgação da ata da reunião de juros do Banco Central. No mesmo dia, os EUA informam o índice Redbook. Na quinta, teremos IPCA de julho. No âmbito corporativo, a temporada de balanços continua, com nomes como Banco Pan, Braskem, B3, Banco do Brasil e BRF soltando seus balanços e ajustando suas perspectivas para o ano.

 

(Foto: Merckel, Lagarde e Trump – DPA/M Kappeler)

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