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PIB do Brasil acima do consenso, exterior ameno impulsionam Ibovespa; dólar opera instável

Postado por: TC Mover em 29/08/2019 às 15:24

O Ibovespa abriu em alta hoje e se mantém no azul, liderado pelas ações mais líquidas, após o número de crescimento do PIB acima do consenso no Brasil no segundo trimestre, mostrando um dinamismo maior no investimento e no consumo privados, apesar de um recuo na atividade do governo e uma alta nas importações. O Produto Interno Bruto, a soma de todas as riquezas produzidas num país durante um período, registrou alta de 0,4% na base sequencial, na série com ajuste sazonal – acima do consenso de 0,18%, conforme divulgou o IBGE nesta quinta-feira. Com esse resultado, o país conseguiu afastar, por ora, a entrada em recessão técnica, que acontece após dois trimestres seguidos de retração. No trimestre anterior, a economia do Brasil tinha mostrado retração de 0,1%.

 

No segundo trimestre, na base anual, o PIB subiu 1,01%, acima do consenso de 0,81% colhido pelo TC. O setor de destaque foi a construção civil, que avançou 2% após 20 trimestres consecutivos de queda. As ações de construtoras, com exceção da Cyrela e sua subsidiária CCP, avançavam entre 0,80% e 4,10%. O PIB agropecuário avançou 0,4%, graças a entressafra muito produtiva, e o da indústria teve expansão de 0,3%, liderado por energia e saneamento. Já as indústrias extrativas caíram 9,4%, ainda pelo desastre da mina da Vale, em Brumadinho. O PIB dos Serviços cresceu 1,2%, puxado por telecomunicações e informática. Atividades financeiras, de defesa, saúde e educação públicas apresentaram resultados negativos – explicando parcialmente o desempenho de bancos como o Itaú e da Qualicrop no pregão.

 

Do lado da demanda, o consumo das famílias teve expansão de 1,6%, o nono avanço consecutivo. A Formação Bruta de Capital Fixo, um termo mais técnico para o investimento privado, avançou 5,2% no trimestre, o sétimo resultado positivo após 14 trimestres de recuo – refletindo o crescimento na importação e produção de bens de capital e na construção. O consumo do governo teve queda de 0,7%, enquanto as exportações e as importações avançaram 1,8% e 4,7%, respectivamente. Por outro lado, a declaração de possível moratória argentina não impactou o mercado brasileiro por ora. Aparentemente, o investidor já diferencia os países latino-americanos entre si e distingue os instáveis e os que têm políticas mais seguras. O presidente Mauricio Macri propôs ontem a extensão dos vencimentos da dívida de curto prazo para investidores institucionais, como bancos e seguradoras. A dívida do país é de US$56 bilhões.

 

Mundo afora as bolsas também operam no azul, impulsionadas por um sentimento de menor aversão ao risco depois de a China baixar o tom na retórica em relação aos Estados Unidos. O porta-voz do Ministério do Comércio da China, Gao Feng, disse nesta quinta-feira que o país rejeita uma escalada da guerra comercial e está disposto a “negociar e colaborar para resolver este problema com uma atitude calma“. O índice Dow Jones Industrials e o S&P500 subiam 0,99% por volta de 11h20, enquanto o rendimento dos Treasuries de dez anos avançava 4,5 pontos-base, para 1,515%. Os rendimentos dos Treasuries americanos reagem pouco à divulgação da mais recente prévia do PIB dos Estados Unidos, que mostrou uma desaceleração maior no segundo trimestre, com o consumo compensado por uma leitura mais fraca do investimento.

 

O PIB americano cresceu a uma taxa anualizada de 2% ajustada pela inflação, em linha com o consenso, e representou uma redução da estimativa da primeira prévia, que mostrava crescimento anualizado de 2,1% no trimestre. Os gastos das famílias, que representam cerca de dois terços da economia, cresceram 4,7% – o maior ganho desde 2014. Com a economia doméstica dando sinais de que já pode respirar sem aparelhos e o empurrão externo da China, o Ibovespa avançava 0,90%, a 99.073 pontos às 11h30. O presidente americano Donald Trump doisse à Fox News radio que as conversas EUA-China marcadas para hoje, fato inédito, estão em “um nível diferente“. O dólar operava instável após os leilões à vista e swaps reversos do Banco Central: no meio-dia caía 0,17%, a R$4,162. Os juros subiam em bloco, com temores de que a economia doméstica mais sólida possa frustrar as apostas de queda nos juros.

 

Entre as ações, o destaque era a MRV ON, que liderava as altas em percentual, subindo 5,41%, após dados do PIB mostrarem bom desempenho do setor de construção. As blue chips Vale ON e Petrobras PN lideram ganhos do Ibovespa em peso, subindo 2,53% e 1,59%, respectivamente. A petroleira anunciou que irá distribuir 60% da diferença entre fluxo de caixa operacional e investimentos se a dívida bruta for abaixo dos US$60 bilhões. Na ponta oposta, Qualicorp ON cai 1,95%, com setor de serviços mostrando dados ruins no PIB. Também vale destacar a Via Varejo ON, que sobe 4,29% na sessão de hoje, a R$7,30. Além de os dados do PIB terem mostrado elevação do consumo doméstico, o preço-alvo da ação foi elevado de R$5,7 para R$8,6 pela XP Investimentos.

 

Analistas da XP também elevaram o preço-alvo de Magazine Luiza, para R$39, e da B2W, para R$58. As ações das companhias sobem 2,89% e 2,9%, respectivamente. Na agenda desta tarde, é importante acompanhar possíveis falas do presidente Jair Bolsonaro em evento de lançamento de projeto em Brasília às 14h00. Fique de olho nos desdobramentos das decisões do Supremo Tribunal Federal que podem prejudicar sentenças da Operação Lava jato contra líderes do PT. O governo pode reagir de forma mais detalhada aos números do PIB, que segundo funcionários do Ministério da Economia, mostram o Brasil a caminho da recuperação. Às 15h00, o ministro Paulo Guedes e o Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, participam da reunião do Conselho Monetário Nacional. No exterior, o Japão divulga, à noite, dados de produção industrial e vendas no varejo.

 

(Foto: Obra de construção civil – Agência Brasil)

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