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Petróleo desaba com retomada saudita, mas cautela persiste; Ibovespa e dólar sobem à espera de Fed, Copom

Postado por: TC News em 17/09/2019 às 14:07

A cotação dos petróleos Brent e WTI despencam no pregão desta terça-feira após a Reuters News noticiar, citando fontes a par do assunto, que a produção de petróleo da Arábia Saudita deve voltar à normalidade em até três semanas. Segundo a matéria, o impacto do ataque terrorista de sábado nas exportações sauditas tem sido mínimo graças ao amplo estoque da commodity que o país mantém. Lembremos que tanto a planta de processamento de petróleo quanto os campos de petróleo nas proximidades do complexo petrolífero de Abqaiq – considerado o maior do mundo – foram atacados no sábado por mísseis supostamente lançados por rebeldes iemenitas, tirando quase 5,7 milhões de barris/ dia da produção saudita. Inicialmente, especulava-se que a Saudi Aramco, a estatal saudita de petróleo e maior companhia exportadora da commodity no mundo, poderia levar semanas antes de retomar plenamente a produção em Abqaiq. A informação vazou horas antes da coletiva de imprensa do ministro de Energia da Arábia Saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman, por volta das 14h30, horário de Brasília.

 

O que o mercado quer saber é qual é a extensão dos danos às instalações de Abqaiq e em quanto tempo o complexo deve retornar à normalidade. Segundo a Reuters, até 70% da produção perdida deve ser restabelecida até a primeira semana de outubro. A informação puxou a cotação do petróleo Brent quase 6% para baixo. Às 13h00, o Brent recuava 5%, cotado a US$65,59 o barril; o WTI caía 4,9%. A interrupção, que segundo especialistas é a maior perda repentina de produção da história do setor, expõe quão despreparado está o mundo para lidar com o terrorismo no petróleo: por ora, só 65% da produção perdida no ataque pode ser coberta com estoques. De acordo com o The Wall Street Journal e outros veículos, o programa de emergência da Arábia Saudita para evitar uma interrupção prolongada quer mitigar o impacto na economia, a queda na liquidez do sistema financeiro local e a deterioração das finanças públicas deficitárias do reino. E, não esqueçamos, reduzir qualquer demora na oferta pública inicial de ações da Aramco.

 

As repercussões do ataque transcenderam o Oriente Médio e permearam as principais praças financeiras mundiais. Ontem, as bolsas de Nova Iorque caíram e o apetite por ativos seguros disparou. A cautela continua no pregão de hoje: os índices Dow Jones e S&P500 oscilam entre o azul e vermelho, os rendimentos do Treasuries caem de novo e o ouro volta a subir, porém em ritmo mais lento que ontem. Outra notícia teve impacto nos mercados: o Federal Reserve de Nova Iorque ofertou hoje até US$75 bilhões em repo agreements, instrumentos que ajudam a atender a maior demanda por liquidez no mercado overnight. O mecanismo dos repos funciona assim: o Fed compra Treasuries e títulos de dívida de agências estatais para bancos que apresentarem problemas de caixa. Ontem, as taxas interbancárias dispararam, ficando perto do teto da taxa-alvo do Fed, atualmente em 2,25%. Geralmente, quando a taxa interbancária ultrapassa o teto da chamada taxa Fed Funds é porque bancos estão lidando com resgates ou problemas de financiamento típicos de uma corrida por segurança.

 

Segundo o The Wall Street Journal, as tesourarias de alguns bancos americanos estavam oferecendo até 5% por linhas de liquidez de curtíssimo prazo – o que levou o Fed de Nova Iorque, o guardião da estabilidade financeira e de pagamentos no mercado americano, a intervir. O interessante é que a medida aconteceu no mesmo dia em que o comitê decisório dos juros da autarquia, conhecido como FOMC, iniciou sua reunião de dois dias para decidir o novo nível da taxa-alvo Fed Funds. O mercado, que estava começando a repensar a expectativa de um corte de 25 pontos-base na taxa, voltou a precifica-lo com mais força, a raiz da intervenção com notas compromissadas. Se é coincidência ou sinal de alguma coisa, não sabemos. Na madrugada de hoje, o Banco Central do Povo da China teve que drenar liquidez do sistema financeiro, sinalizando que manterá uma condução prudente da política monetária, apesar dos sinais cada vez mais evidentes de uma desaceleração econômica no país.

 

Tanta turbulência impactou a renda variável, o câmbio e a renda fixa no pregão brasileiro, na B3. Na véspera da decisão de juros do Banco Central que, como a do Fed, será anunciada amanhã, o investidor puxa os contratos de juros futuros para baixo – quiçá na esperança de que o comitê de juros do BC, o Copom, reduza a taxa básica de juros Selic em 50 pontos-base amanhã e sinalize mais um corte similar no final de outubro. O Ibovespa, que abriu em queda puxado por bancos, commodities e a Petrobras – na esteira da queda no Brent -, virou e passou a subir – refletindo essa expectativa, disseram traders e gestores consultados pela TC Mover. Certamente, o ambiente menos tóxico em Nova Iorque também aliviou o índice local – assim como a alta do fundo de índice iShares MSCI Brazil, o EWZ. Bancos se recuperaram, assim como a Vale, que tinha aberto o dia em queda por conta das notícias vindas da China. Já a Petrobras caía após confirmar que acompanharia a variação do petróleo nos próximos dias e sem ajustar os preços dos combustíveis de forma imediata. O dólar futuro se fortalece 0,30% ante o real, à espera das decisões do Copom e do Fed.

 

Entre os destaques corporativos da sessão, Vale ON tem dia volátil e sobe 0,14%. B3 ON e Ambev ON lideram os ganhos, avançando 2,48% e 1,31%, respectivamente. A Gol PN tem a maior alta percentual da sessão, subindo 0,18%: a queda nos preços do petróleo alivia a estrutura de custos da companhia aérea, atrelada quase 70% à commodity e a itens dolarizados. A ação ON da MRV Engenharia vinha em seguida, alta de 4,77%, após decidir pela suspensão do plano de aquisição da americana AHS para solicitar a opinião dos acionistas minoritários sobre o negócio. Na agenda de hoje, além da coletiva do príncipe Abdulazziz, os EUA informam o fluxo de capital estrangeiro mensal de julho. No plano local, após antecipar sua volta, o presidente Jair Bolsonaro deve ter reunião sobre preços de combustíveis, segundo a agência Bloomberg citando fala do vice-presidente Hamilton Mourão. No Congresso, o Senado tem mais uma sessão de debate sobre a Reforma da Previdência, que volta à Comissão de Constituição e Justiça da Casa para análise de emendas. Fique de olho no Twitter do presidente americano Donald Trump – em relação ao ataque a Abqaiq.

 

(Foto: Príncipe Abdulazziz, ministro de Energia saudita – KSA/Divulgação)

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