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Petrobras pesa e bolsa ignora otimismo por conversas EUA-China

Postado por: TC Mover em 25/02/2019 às 18:29

A semana nos mercados globais começou sentindo o poder do Twitter de Donald Trump. Os preços do petróleo despencaram 3%, na pior sessão do ano, após Trump reclamar na rede social que as cotações da commodity estão ficando muito altas e pedir calma à Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a Opep, que vem conduzindo uma política de corte na produção. Isso exerceu pressão nas ações da Petrobras e, consequentemente, pesou sobre o índice Bovespa, tirando-o da rota de ganhos nas bolsas globais para recuar 0,66% a 97.239 pontos no início de uma semana carregada de indicadores e eventos importantes.

 

Já o dólar futuro acabou mudando de rumo na reta final dos negócios: subiu 0,08% frente ao real, cotado a R$3,752 na B3, depois de cair ao longo do dia acompanhando a queda global da moeda americana devido ao maior apetite por risco após o presidente americano tuitar no domingo que iria estender o cessar-fogo tarifário firmado junto à China, em razão de enorme progresso nas negociações comerciais entre os dois países, sinalizando um acordo iminente.

 

A subira do dólar no fim e a elevação nos prêmios de risco dos juros futuros refletem incertezas políticas no cenário interno. O foco por aqui segue concentrado nos desdobramentos da reforma da Previdência no Congresso. Novas declarações do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, reforçaram a hipótese de fragilidade na articulação política do governo. Circulou na comunidade TC a informação de que Maia afirmou que a instalação da Comissão de Constituição e Justiça deve ficar para depois do Carnaval – e não mais para esta semana.

 

Assim, com o radar dos investidores ligado também na sabatina do indicado à presidência do Banco Central, Roberto Campos Neto, na terça-feira, o contrato de DI para janeiro 2020 ajustou 2 pontos-base a 6,470%. Enquanto a gestão Jair Bolsonaro utilizará capital político para angariar apoio em favor da reforma, “os investidores irão responder conforme forem surgindo as resistências à reforma, e a depender do grau de acerto das articulações políticas entre Poder Executivo e Legislativo”, avalia a equipe de estratégia do Santander.

 

A temporada de resultados deve agitar a B3 a partir de amanhã, com uma bateria de balanços de empresas como Marcopolo, BR Distribuidora, Ecorodovias, RD, AES Tietê, Iguatemi, Carrefour Brasil, Aliansce, SulAmérica, Odontoprev e Guararapes. Números muito acima ou abaixo do esperado podem servir como catalisadores importantes no decorrer dos próximos dias, enquanto alguns gestores assumem postura mais cautelosa em renda variável por conta da expectativa agora para um período marcado por ruídos políticos antes de surgirem sinais mais claros da dimensão da reforma da Previdência.

 

No ano, o Ibovespa acumula ganhos de 10%, também graças à postura paciente do Federal Reserve, o banco central americano, cujo presidente Jerome Powell fará um discurso na terça-feira. A pausa no ciclo de alta de juros nos EUA por parte do Fed ajudou a fomentar o apetite por risco dos investidores desde janeiro. Investidores agora se preocupam com a saúde da economia global e também estarão atentos amanhã aos números do mercado imobiliário americano e do sentimento do consumidor alemão.

 

(Foto: B3/Divulgação)

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