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Payroll azeda rali e bolsa recua; dólar, juros sobem com menor procura por ativos de risco

Postado por: TC Mover em 05/07/2019 às 10:30

A bolsa recuou e o câmbio puxou os juros futuros para cima no início do pregão desta sexta-feira, após a criação de empregos privados acima do esperado nos Estados Unidos reduzir as chances de menores taxas de juros na maior economia do mundo e ofuscar as boas notícias no plano local com o avanço da tramitação da Reforma da Previdência no Congresso.

 

Os dados do relatório de criação de empregos privados não-agrícolas nos EUA, o payroll, foram bem mais positivos do que os investidores aguardavam, e sem mostrar maiores pressões salariais. Apesar do número de 220 mil vagas novas ultrapassar em quase 60 mil o consenso e mostrar que a economia americana não parece estar a caminho de uma desaceleração pronunciada, ele elevou o “risco de curto-prazo para os ativos de mercados emergentes”, como o Brasil, de “reduzir a probabilidade de queda de juros pelo Federal Reserve,” disse Dan kawa, diretor de investimentos da TAG Investimentos, no Rio.

 

O payroll ofuscou as boas notícias relacionadas à aprovação, na madrugada de hoje, do texto da Reforma da Previdência na comissão especial da Câmara, abrindo caminho para que o projeto seja votado no plenário da Casa antes do recesso parlamentar, que começa em 18 de julho. Com o payroll tirando do horizonte a chance de um corte na taxa de juros dos EUA ainda neste mês, o investidor passou a demandar mais prêmio para deter ativos brasileiros denominados em reais. O foco do investidor deve passar, a partir de agora, para a reinstalação dos trabalhos da Câmara, na terça-feira, para aprovar o texto da reforma no plenário em dois turnos.

 

BOLSA: O Ibovespa recuava 0,65% a 103.20 pontos por volta das 10h15, com volume projetado de R$10 bilhões, abaixo das médias diárias do ano. “Nos atuais níveis de preço, gosto da bolsa local, em alguns setores e empresas específicas”, disse Kawa. Entre as quedas, o destaque veio para a Vale ON, que despencava 3,2% após o minério de ferro sofrer queda brutal no mercado chinês. De acordo com informações de agências de notícias, o maior lobby do setor siderúrgico do país pediu ao governo para monitorar a forte alta de preço do mineral nas bolsas de valores. CSN ON, outra grande exportadora de minério, perdia 2,8%. Petrobras ON e PN caíam, assim como os bancos, refletindo a menor procura por ações mais líquidas na bolsa. Via Varejo, a ação com melhor desempenho no Ibovespa na semana, recuava e devolvia parte dos ganhos em movimento de realização. Suzano liderava as altas, com o avanço do dólar – a produtora de celulose tem suas receitas atreladas à moeda americana.

 

CÂMBIO E JUROS: O dólar futuro se valorizava 0,43% ante o real brasileiro na B3, puxando para cima a curva de juros, que embutia mais prêmio com a menor chance de cortes iminentes de juros fora do Brasil. Mesmo assim, o contrato do DI para janeiro próximo ainda assume corte de 25 pontos-base na taxa básica de juros Selic em 31 de julho, quando o Banco Central se reúne para decidir sua política monetária. Em boa parte, a aprovação do texto da reforma na comissão especial foi precificada ao longo da semana, disseram contribuidores TC.

 

EXTERIOR: Os rendimentos dos Treasuries americanos mostraram sua maior alta em quase uma semana após a forte recuperação de payroll em junho, diluindo as apostas de um corte na taxa de juros pelo Federal Reserve ainda neste mês. O rendimento do Treasury note com vencimento em 2029, o mais negociado e tido como indicador dos juros de longo prazo nos EUA, disparou 3,2 pontos a 1,982%, maior patamar desde 2 de julho. Os futuros do índice Dow Jones Industrials aceleraram o recuo para 0,27% após os números.

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