TC Mover
Mover

O que Bolsonaro quis dizer com ‘tsunami’ ficou claro: desarticulação atinge novos níveis; mercados ansiosos mundo afora

Postado por: TC Mover em 16/05/2019 às 8:42

A queda nos rendimentos dos Treasuries americanos na manhã desta quinta-feira para os menores patamares desde o começo do ano passado reflete o elevado nível de ansiedade nos mercados globais, à medida em que passa o tempo e as disputas comerciais entre os Estados Unidos e a China continuam no ar. Enquanto a troca de tuítes, farpas e comunicados entre as duas nações permanecer, o investidor deve se resignar à realidade de uma desaceleração econômica mais pronunciada ao redor do mundo.

 

Os últimos desdobramentos, que incluem a decisão do presidente americano, Donald Trump, de restringir a compra de equipamentos de telecomunicações chinesas no país por motivos de segurança, contrasta com o gesto de dar à União Europeia e ao Japão seis meses para limitar as vendas de automóveis para os EUA. Assim, as bolsas caem na Europa após o fechamento em queda na Ásia, e os futuros dos índices acionários americanos operem levemente no vermelho, após o secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin, dizer que não sabe se vai viajar a Pequim para continuar com as conversas comerciais e que, embora esteja “esperançoso” em um acordo, não se sente “confiante” nele.

 

Espere mais procura por proteção no Brasil, onde o investidor não só tem que tomar as dores do conflito comercial EUA-China, mas também sofre com um cenário político local que gravita entre o insólito e o patético. O dólar deve se manter perto dos R$ 4,00, os juros podem continuar embutindo mais prêmio de risco e o Ibovespa deve operar próximo aos 90 mil pontos. O temor que impera nas mesas de negociação é o da piora da desarticulação no governo do presidente Jair Bolsonaro. A percepção é ainda mais nebulosa quando o investidor inclui na equação o noticiário que vincula o filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro, a indícios de lavagem de dinheiro na compra de imóveis – indícios que não são novidade. Como os protestos de ontem contra o contingenciamento das verbas da educação país afora mostraram, a comunicação do governo se tornou o seu pior inimigo, e, de quebra, o da aprovação do programa da reforma da Previdência: esta última depende do engajamento e da popularidade do presidente para passar.

 

O engajamento de Bolsonaro, porém, veio tarde. Já a popularidade sofre com a percepção que o cidadão tem das atitudes do presidente. Chamar manifestante de idiota útil ajuda pouco, especialmente quando o desempenho pífio da atividade econômica está permeando a opinião pública. Por isso, fique de olho nas estratégias do governo para apagar o incêndio que criou: remanejará verbas de outros ministérios para preservar a educação? Quem será o responsável em restabelecer o diálogo com o Congresso e acelerar a passagem de medidas provisórias, como a da Reforma Administrativa? Hoje o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, deve comparecer à Comissão Mista de Orçamento do Congresso – vai ser interessante ver como os parlamentares se comportam nessa sabatina.

 

Com o final das divulgações de resultados do primeiro trimestre, chegam os balanços do desempenho. Uma análise deles, com dados do TC News, mostra que houve menos companhias que bateram o consenso na base sequencial. Tirando algumas das maiores empresas do Ibovespa, como Petrobras e Vale, a queda dos lucros ultrapassou 7%. Hoje Light, Marfrig, Cemig e Ultrapar – que ontem nomeou um novo presidente do conselho – discutirão seus balanços em teleconferências. A agenda econômica desta quinta-feira traz o IGP-10 e, nos Estados Unidos, dados sobre o setor imobiliário e sobre a indústria na Filadélfia, além dos pedidos semanais de seguro-desemprego no país – número que pode trazer ainda mais volatilidade aos conturbados mercados globais.

 

Quer ser um investidor bem informado? Cadastre-se no TradersClub e siga nosso canal de notícias e comentários exclusivos.

 

 

Mercado hoje, segundo Contribuidores TC

 

 

As bolsas europeias e os futuros dos índices acionários americanos operam sem direção definida nesta quinta-feira, refletindo a ansiedade – ou a confusão – do investidor quanto os últimos desdobramentos das diferenças comerciais entre a China e os Estados Unidos, que sugerem um acirramento das disputas e um endurecimento da retórica.

 

Bolsas: Às 07h00, os futuros dos índices Dow Jones Industrials e S&P500 oscilavam próximo da estabilidade, com investidores em compasso de espera após o recrudescimento da retórica comercial com a China. O Xangai Composto fechou em alta de 0,58%, puxado pelas ações das montadoras, em um sinal de que o mercado quer se recuperar dos tombos recentes.

 

 

 

 

Principais notícias corporativas

 

Metal Leve: A Mahle Metal Leve registrou um lucro líquido de R$63,2 milhões no primeiro trimestre do ano, uma queda de 10,4% na base anual.

 

Ferbasa: A Ferbasa divulgou lucro líquido de R$46,1 milhões no primeiro trimestre, o que representou um declínio de 27,4% na comparação anual.

 

Celesc: A Celesc revelou lucro líquido de R$72,7 milhões no primeiro trimestre, um aumento de 2,4% na comparação com o mesmo período de 2018.

 

Transporte: Aplicativos de transporte poderão exigir registro na Previdência de motoristas, diz ministério da Economia.

 

Ultrapar: A Ultrapar comunicou lucro líquido de R$243 milhões no primeiro trimestre do ano, um aumento de 245% na base anual.

 

Hapvida: Fechada há dez dias, a compra do grupo paulista de planos de saúde São Francisco pela cearense Hapvida é motivo até hoje de surpresa no setor, diz coluna do jornal O Globo. Rivais pagariam menos da metade dos R$5 bilhões que a Hapvida pagou, disse.

 

JSL: A JSL informou início do programa de recompra de ações, de até 3,68 milhões de ações, com início em 16 de maio até 16 de novembro de 2020.

 

Ambev: A Ambev aprovou operação de troca de fluxos financeiros com bancos, conhecido como equity swap, no valor de até R$1,5 bilhão, no prazo máximo de 18 meses.

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

08h00 IPC-S mensal (maio) – FGV Ibre

08h00 IGP-10 mensal (maio) – FGV Ibre

 

Indicadores internacionais

06h00 UE – Balança Comercial (março)

09h30 EUA – Licenças de construção mensal (abril)

09h30 EUA – Licenças de construção (abril)

09h30 EUA – Pedidos iniciais por seguro-desemprego

09h30 EUA – Índice de Atividade Industrial – Fed Filadélfia (maio)

09h30 EUA – Relatório de empregos – Fed Filadélfia (maio)

11h30 EUA – Estoque de Gás Natural

16h00 México – Decisão da Taxa de Juros (maio)

 

Teleconferência de resultados

N.D. Eucatex

10h00 Ultrapar

11h30 Positivo

13h00 Marfrig

14h30 Light

16h00 Cemig

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

Mover Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Experimente 7 dias grátis