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O que acontece se a Selic cair ou subir: entenda

Postado por: TC Mover em 16/09/2020 às 14:16
Termina hoje a reunião do Comitê de Política Monetária, que definirá o futuro da taxa básica de juros do país, a Selic.

Termina hoje a reunião do Comitê de Política Monetária, que definirá o futuro da taxa básica de juros do país, a Selic. O segundo e último dia da reunião do Copom é marcado pela análise dos dados apresentados ontem, debate, votação e decisão sobre o aumento, manutenção ou diminuição da taxa Selic. A decisão será divulgada ainda hoje, por volta das 18h00.

A decisão do Copom sobre o futuro da Selic tem impacto direto na economia brasileira. Mas você sabe quais são esses impactos? Confira.

Qual a expectativa para a Selic hoje

Segundo dados divulgados pelo Relatório Focus, pesquisa que o Banco Central realiza semanalmente com bancos, gestoras e consultorias financeiras, a expectativa do mercado para a decisão do Copom hoje é de manutenção da Selic, em 2,0% ao ano.

Além do Banco Central, o Projeções Broadcast também entrevistou instituições financeiras a fim de entender qual a expectativa quanto à Selic e o resultado foi unânime entre todas as 48 instituições. Os dados publicados no Estadão mostraram que essa é a primeira vez desde 2019 que o mercado concorda sobre o caminho que deve ser tomado pela política monetária.

As mudanças feitas na Selic afetam, basicamente, três pilares financeiros: a inflação, as taxas de empréstimos e o rendimento de diversos tipos de investimentos. Veja como isso funciona.

O que acontece se a Selic subir?

Aumentar a Selic tem o intuito de desacelerar a economia. Entenda os impactos disso em cada um dos pilares financeiros.

Impacto da Selic alta para a inflação

A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para o controle da inflação. Quando a inflação corre riscos de sair dos trilhos, a Selic pode ser aumentada. Se isso acontece, o BC tem a intenção de desestimular o consumo, uma vez que o crédito fica mais caro.

Com o menor interesse da população em gastar, a demanda do comércio cai, o que impacta diretamente nos preços dos produtos e, consequentemente, segura a inflação.

Impacto da Selic alta para empréstimos

O aumento da taxa Selic tem efeito direto nos empréstimos, afinal, é com base na taxa básica que os juros cobrados por empréstimos e financiamentos são calculados. Desta forma, quanto mais alta a Selic, mais altos são os juros cobrados por esses serviços financeiros.

Essa alta nos juros desanima a contratação de crédito e contém a circulação do dinheiro no mercado.

Impacto da Selic alta para os investimentos

Tendo em vista que os principais investimentos em renda fixa possuem seus rendimentos atrelados à taxa básica de juros, a alta da Selic tem efeitos muito positivos para os investidores.

Para quem investe na Letra Financeira do Tesouro, popularmente conhecido como Tesouro Selic, na caderneta de poupança, nos modelos mais conhecidos de renda fixa como LCs, LCIs, LCAs e CBDs, e em todos os outros investimentos atrelados à Selic, essa alta resulta no aumento dos rendimentos.

O que acontece se a Selic baixar?

Baixar a Selic tem o intuito de estimular e aquecer a economia. Entenda os impactos disso em cada um dos pilares financeiros.

Impacto da Selic baixa para a inflação

Quando a Selic cai, consequentemente, o crédito se torna mais barato e a população se sente estimulada a consumir e poupar menos. A ideia é que esse consumo aumente as vendas das empresas e estimule a indústria, o comércio e os serviços. O BC precisa observar apenas se não há um aumento exagerado no consumo que venha a causar o desabastecimento de produtos e a alta dos preços, o que faz aumentar a inflação.

Impacto da Selic baixa para empréstimos

Uma vez que é a Selic quem dita quais caminhos os bancos tomarão ao definir as taxas de juros para empréstimos e financiamentos, sua queda favorece o cenário para que as pessoas se interessem em contratar produtos e serviços financeiros.

Com o crédito mais barato, aumentam as vendas parceladas, os empréstimos, e o consumo.

Impacto da Selic baixa para os investimentos

Para quem tem investimentos atrelados à Selic, uma queda pode representar a perda de dinheiro. Afinal, quanto menor a Selic, menores os rendimentos dos investimentos da chamada renda fixa. Isso também desestimula a população a poupar.

Uma queda muito acentuada pode deixar a Selic abaixo da inflação, o que significa também perda do poder de compra do dinheiro.

O que acontece se a Selic se mantiver?

A taxa Selic atual é de 2% ao ano, a menor registrada desde 1997. A Selic sofreu nove quedas consecutivas nos últimos tempos e, desde julho de 2015, não aumenta.

Durante a crise causada pela pandemia do Covid-19, o Brasil, em linha com outros países, optou por acelerar a política de estímulo que já estava sendo empregada, baixando ainda mais os juros. Em alguns lugares no mundo, o juro chegou a zerar. Na Europa, a ficar negativo.

Com isso, aplicações atreladas a Selic, como a poupança e os fundos de renda fixa ou DI, devem continuar com seu rendimento abaixo de 2,0%. No caso da poupança, que rende 70% da Selic, o ganho será de 1,40% ao ano, ou 0,115% ao mês. Já os fundos de renda fixa e DI devem ter rendimento menor, pois pagam imposto de renda de 15% a 22,5% e uma taxa de administração cobrada pelo banco.

Os títulos do Tesouro Selic também pagam imposto e taxa de custódia, mas aplicações até R$10 mil agora são isentas de custódia. CDBs também pagam imposto, mas não têm taxas, e podem ser uma alternativa, mas para prazos médios. Já LCI e LCA, também isentas de imposto, precisam pagar mais que os 70% do CDI para ganhar da poupança.

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