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Nova Iorque e São Paulo vivem alívio após sangria; fique de olho no balanço da Gerdau e fala de Evans, do Fed

Postado por: TC Mover em 06/08/2019 às 17:30

Bastou que a China fizesse um pequeno movimento de recuo na disputa comercial com os Estados Unidos para que os ativos de risco vivessem algum alívio nesta terça-feira. Depois de forçar a desvalorização do iuan na segunda-feira, em um acirramento da guerra comercial, o Banco Central do Povo da China fixou a taxa de câmbio oficial para o iuan em 6,9683 iuanes por dólar hoje, mais forte do que os 6,98 iuanes de ontem, o que foi interpretado como um gesto de moderação em meio à radicalização na retórica da disputa.

 

Com isso, em Nova Iorque, os índices acionários voltaram ao azul. O índice Dow Jones Industrials, que ontem viveu a pior queda deste ano, fechou em alta de 1,21%, enquanto o S&P500 encerrou o pregão com avanço de 1,3%. O VIX, que mede volatilidade, e que ontem chegou a disparar 34%, caiu 17,97%. Mas, não se engane: esse otimismo é frágil e não veio para ficar – até porque a disputa entre as duas maiores economias do mundo não parece ter solução num horizonte próximo. Segundo o Goldman Sachs, isso não vai se resolver antes de 2020, quando, aliás, ocorrem as eleições presidenciais nos EUA.

 

Representantes dos dois países devem se encontrar novamente em setembro, desta vez em Washington, mas não se espera um grande avanço nas conversas. Enquanto isso, a disputa ameaça intensificar a desaceleração econômica global. O anúncio da China de que foram suspensas as compras de produtos agrícolas dos EUA, por exemplo, deve penalizar fortemente os agricultores americanos, já que a China é seu quarto maior comprador. Por outro lado, as cadeias de fornecimento global para a indústria de semicondutores e outros produtos de tecnologia devem continuar estremecidas com a imposição de tarifas e retaliações entre os EUA e a China.

 

Análises técnicas apontam que há mais espaço para quedas em Nova Iorque,mesmo com o tombo visto na última semana: o índice S&P500 recuou por seis dias consecutivos e perdeu quase 5,5% desde que tocou máxima histórica no final de julho. O recuo da semana passada empurrou o índice abaixo das médias móveis de 50 e 100 dias, deixando-o perto da média móvel de 200 dias – o indicador técnico mais temido pelos investidores. Segundo a firma de análise de mercado Bespoke Investment Group, recuos de pelo menos 5% no S&P500 tendem a durar 28 dias, na média. O tombo médio desses períodos é de 8,4%. Qualquer recuperação nesses dias deve ser temporária, disseram analistas do Nomura.

 

Diferentemente de Wall Street, na Europa as bolsas fecharam em queda. A atitude do banco central chinês não foi o bastante para fazer frente aos crescentes rumores de que o Brexit será feito sem um acordo. O índice pan-europeu Stoxx600 encerrou o dia em queda de 0,47%. O que deve permanecer por um bom tempo é a volatilidade. Desde a semana passada, uma onda de volatilidade não vista desde dezembro impactou Wall Street, produto da frustração com a mensagem menos dócil do Federal Reserve quanto ao rumo dos juros e da intensificação da guerra comercial. Muito investidor foi pego de calças curtas nos EUA, disse Sérgio Machado, gestor da SF2 Investimentos e membro experiente do TC, sobre o discurso do Fed.

 

O risco de que aconteça o mesmo no Brasil não é desprezível, aponta Machado: o investidor que apostou forte na queda dos juros e na alta na bolsa após a aprovação da Reforma da Previdência pode fugir caso o dólar dê uma disparada ou algum ruído político surja. Respondendo ao alívio no exterior, o Ibovespa fechou em alta de 2,06% a 102.163 pontos. Por aqui, a divulgação da ata da última reunião do comitê de política monetária do Banco Central, ajudou a melhorar o sentimento, mas também ajudou a pressionar o câmbio. A ata disse que a inflação está bem comportada, sinalizando mais um corte de juros. O dólar futuro chegou a bater R$3,994 na máxima, mas caía na reta final do pregão, negociado a R$3,968. Os juros futuros caíam em bloco, com o DI para janeiro próximo a 5,525%, queda de 4,5 pontos-base.

 

Para os próximos dias, é importante estar atento a qualquer tuíte do presidente americano Donald Trump ou quaisquer notícias a respeito da disputa entre as duas maiores economias do mundo. Por aqui, o investidor deve atentar para novidades que envolvam a votação da Reforma da Previdência em segundo turno na Câmara dos Deputados. A expectativa é de que os debates comecem ainda hoje e sejam concluídos amanhã, segundo o Ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Mas, a oposição não irá descansar e ainda planeja modificar a proposta.

 

Amanhã, a agenda traz o discurso de Charles Evans, presidente do Federal Reserve de Chicago, às 13h00. Além disso, a China publica dados de reservas cambiais do mês de julho, os Estados Unidos divulgam pedidos de hipotecas semanais, estoques de petróleo e dados de crédito ao consumidor; o Banco da Inglaterra divulga ata da reunião dos juros da semana passada. Entre os indicadores, o IBGE divulga dados de vendas no varejo de junho. O Banco Central informa o fluxo cambial semanal, às 12h30. Entre os resultados corporativos aguardados para amanhã, Gerdau informa balanço antes da abertura. Depois do fechamento, Braskem, SulAmérica e Notredame Intermédica e outras empresas divulgam balanços do segundo trimestre.

 

(Foto: Xi Jinping/ Reuters)

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