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Nova Iorque cai com medo de corte tardio de juros, à espera do Livro Bege; bolsa, juros oscilam sem catalisadores locais

Postado por: TC Mover em 17/07/2019 às 12:52

Os índices-referência da Bolsa de Nova Iorque ensaiavam quedas na manhã desta quarta-feira, refletindo o crescente temor entre os investidores de que o Federal Reserve demore muito para cortar a taxa básica de juros, mesmo com alguns indicadores apontando para uma economia sólida. O problema não é a economia doméstica dos Estados Unidos, mas o exterior, parece concluir o banco Morgan Stanley: a participação do comércio internacional no PIB americano passou de 18% em 1990 para quase 30% no ano passado; as interconexões financeiras e de remessas entre os EUA e o mundo também aumentaram drasticamente, com os lucros das multinacionais tendo mais do que dobrado para 20% do PIB no mesmo período.

 

O Dow Jones recuava 0,19% e o S&P500, quase 0,3%, à espera da publicação do Livro Bege do Fed, enquanto a volatilidade, medida pelo índice VIX, disparava quase 3%, em mais um sinal de que o investidor global está, paulatinamente, apertando o botão de venda dos ativos de risco e procurando por sossego em instrumentos considerados mais seguros. UBS também pondera a questão dos juros nos EUA como fundamental para entender a correção atual do mercado: em meses recentes, os ativos de risco ganharam suporte com a expectativa de juros mais baixos nos EUA e uma menor volatilidade – uma configuração rara. Mas, agora, parece que os cortes já precificados na parte mais curta da curva de juros americana também embutem uma probabilidade maior de recessão nos próximos 18 meses, segundo o banco suíço.

 

Nesse contexto, o mercado brasileiro sentiu, ao longo da manhã, o peso do cenário misto no exterior, onde o investidor ainda não sabe se os dados e os resultados corporativos validam ou refutam a visão de que o panorama está cada vez mais sombrio. O Ibovespa oscila constantemente nesta quarta-feira, refletindo a ausência de catalisadores locais relevantes, como as reformas ou a articulação política entre governo e Congresso. O índice ganhava um pouco de impulso antes das 12h30 e subia 0,32% a 104.100 pontos, com volume projetado de R$9,8 bilhões, abaixo das médias diárias do ano. Nem o pacote de medidas para reavivar a economia, revelado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, ao Valor Econômico de hoje, dá um gás no ânimo do investidor local – que adota uma postura defensiva até o panorama se mostrar menos opaco.

 

Um exemplo são as estatais, que deviam reagir de forma mais positiva à notícia, desta vez do jornal O Estado de S. Paulo, de que o presidente Jair Bolsonaro prepara o anúncio de um amplo pacote de desestatizações que pode levantar até R$450 bilhões para os cofres da União. A sinalização de que Bolsonaro pretende reduzir a participação da União na Eletrobras, de 60% para 50%, impulsiona o papel ON da estatal, que avança 2,8%. Porém, nem a fala do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, de que o governo vai “privatizar tudo aquilo que puder ser privatizado“, incluindo a Petrobras, aliviam a pressão nos papéis da petroleira, que operava estável após passar a maior parte da manhã em queda. Banco do Brasil cai 0,10%, apesar de ter encaminhada a venda da fatia que possui no IRB Brasil; o motivo pode ser a notícia de que a Caixa levará adiante a alienação da sua participação de R$3,7 bilhões no BB.

 

Pode ser que a bolsa ensaie uma alta mais forte ao longo da tarde, disseram traders. Já dólar e juros futuros operavam mistos, mas mostravam viés de queda no mesmo horário, ensaiando ignorar a situação no exterior, que não somente tem a ver com a perspectiva dos juros americanos, mas também com o ressurgimento das tensões comerciais entre os EUA e a China e os crescentes rumores de que o presidente americano Donald Trump vai tentar desvalorizar a moeda americana. Assim, o real avança sobre a divisa americana e se firma nos R$3,7630. O DI para janeiro próximo continua recuando, e agora opera em 5,715% – precificando pelo menos 75 pontos-base de redução na taxa básica de juros Selic antes do final do ano. Os vencimentos seguintes mostram recuos leves, buscando esnobar os riscos externos, de acordo com Pedro Tuesta, economista-chefe da Continuum Economics, em Washington.

 

No âmbito corporativo, o dia se mostra bem ativo em termos de recomendações de investimentos entre grandes corretoras. Analistas do Credit Suisse e Bradesco BBI, receosos com o escopo e as incertezas quanto à execução de novo plano estratégico da Oi, rebaixaram suas recomendações e preços-alvo para o papel da operadora de telefonia – que prometeu gerar EBITDA e crescimento de receita de dois dígitos para os próximos cinco anos. Oi ON cedia 2,6%. O Credit Suisse elevou o preço-alvo da ação da B3, que subia 0,8%, citando as perspectivas mais promissoras para o mercado de ações à vista e de derivativos listados, uma taxa de desconto menor e um aumento esperado na atividade de mercado de capitais no país.

 

A Vale cai 0,3% a R$52,88, após Valor dizer que 25 fundos buscam ser ressarcidos por supostos problemas de governança que levaram a uma queda no valor de suas ações na esteira do acidente da mina de Brumadinho. Desde a tragédia, em janeiro, Vale ON mostrou um desempenho inferior em relação às das principais concorrentes, por conta da incerteza quanto a possíveis despesas de reparação, maior regulação e processos judiciais decorrentes da tragédia. Mas, para membros experientes do TC, informação de que esses fundos cogitavam processar a companhia pode ter ajudado a segurar o papel, mesmo com o rali que elevou o preço do minério de ferro – o principal produto da Vale – a cotações recordes em semanas recentes.

 

Marcada pelo vencimento dos contratos de opções sobre o Ibovespa e do índice futuro, a sessão desta quarta-feira mostra volume financeiro de R$3,5 bilhões no segmento Bovespa. O Bradesco BBI elevou a recomendação para a ação ON da Magazine Luiza para compra, apostando no que chama de segunda onda do e-commerce – voltada para vestuário, calçados e cosméticos -, na esteira da aquisição da varejista Netshoes. O papel disparou mais de 5,6%. Entre as empresas com ações listadas no Ibovespa, Cielo abre a safra de balanços do segundo trimestre já na próxima semana.

 

(Foto: Jerome Powell, presidente do Federal Reserve – Fed)

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