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Notícias do front: Trump derruba bolsas ao dizer que ‘não está pronto’ para acordo com China

Postado por: TC News em 09/08/2019 às 14:50

A coisa já não ia bem nos mercados globais. Mas, tudo sempre pode piorar, e foi o que aconteceu. O presidente Donald Trump deu um empurrão nos ativos de risco ladeira abaixo ao dizer, no final desta manhã, que não está pronto para assinar um acordo com a China e que os Estados Unidos não irão fazer negócios com a gigante chinesa de tecnologia Huawei. Isso acontece depois que a China parou de comprar produtos agrícolas americanos – em retaliação às sobretaxas sobre seus produtos – na semana passada. Imediatamente após as declarações, os índices acionários em Wall Street aceleraram queda, e no Brasil, o Ibovespa passou a operar em terreno negativo.

 

No entanto, como sempre, o presidente americano usou a retórica do morde a assopra, no sentido de “posso fazer, mas eventualmente posso não fazer”, deixando absolutamente em aberto o que pode vir adiante. Ao mesmo tempo em que corta laços com a Huawei, afirma que isso pode mudar se houver acordo com a China. Por outro lado, diz que não está pronto para negociar com a China – mas que eventualmente pode estar. Lembrando que ambos os países têm – ou tinham – reunião marcada para negociações em setembro, em Washington. Sobre a reunião, Trump disse que há chances de que seja cancelada.

 

Esse acirramento da briga soma-se aos números ruins da economia britânica, que teve a primeira contração trimestral em sete anos, e à queda nos preços ao produtor da China – a primeira em mais de dois anos – e, pronto, está feito o estrago. Além disso, na Europa, pesa a instabilidade política vinda da Itália, onde houve convocação de novas eleições. Entre as commodities, o contrato futuro do petróleo WTI para entrega em outubro disparava mais de 3,5% com notícias de que a Arábia Saudita está negociando com outros produtores medidas para reverter a recente queda nas cotações da commodity.

 

Depois da fala de Trump, o Ibovespa virou e caía perto de 0,30%, perdendo o suporte dos 104 mil pontos. O futuro do índice implica que as quedas vão se aprofundar ao longo do pregão caso não apareça um fato novo – ou um milagre – que alivie os temores de mais volatilidade, disseram membros experientes do TC. Com volume projetado de R$16 bilhões, acima das médias diárias do ano, o investidor deve socar as ações mais líquidas do índice – Vale, Petrobras, bancos, Ambev – em busca de proteção. Esses papéis lideravam as quedas do índice. Qualicorp ON registrava suia maior alta histórica, 25%, após a rede de hospitais Rede D’Or comprar 10% da companhia. Enquanto isso, o dólar futuro disparava 0,6% a R$3,9490 perto do meio-dia.

 

Há quem ache que a estratégia de Trump tem prazo de validade: fala grosso até o Federal Reserve cortar os juros mais uma vez em setembro. Nesse contexto, também há quem veja valor nas ações brasileiras, apesar do recuo no apetite por risco. Estrategistas do banco suíço UBS, o maior gestor de fortunas do mundo, mantiveram hoje o Brasil como compra e adicionaram os papéis da Petrobras à sua lista de ações preferidas nos países emergentes. Essa lista inclui IRB Brasil, Banco do Brasil, TIM Brasil e PagSeguro Digital – todas ligadas a ciclos de consumo e de maior intermediação financeira.

 

Quanto aos juros, a divulgação da pesquisa mensal de serviços de junho apontando a uma pequena recessão no comércio no segundo trimestre não sustentou a queda nos DIs, que reverteram tendência e passaram a embutir prêmio extra na curva, em decorrência da maior aversão ao risco mundo afora. O DI para janeiro próximo, que tem rompido as mínimas históricas em três dos últimos sete pregões, operava em queda de 1,5 ponto-base a 5,46%. Os outros vencimentos, no entanto, subiam.

 

Hoje, e nos próximos dias ou semanas, foco nas notícias do front EUA-China. Fique de olho no noticiário sobre a decisão do governo americano que permitiria às empresas americanas reiniciar negócios com Huawei, assim como a trajetória de desvalorização do iuan na semana que vem. Um olho em Brasília também é recomendável: vale ver como será agora o andamento da Reforma da Previdência no Senado e de outras reformas importantes que devem começar a caminhar no Congresso, como a Administrativa e a Tributária, além de marcos regulatórios importantes para diversos ativos, como é o caso do saneamento e o das telecomunicações.

 

(Foto: Donald Trump/ Skynews)

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