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‘Não deu’: 2º turno da Previdência fica para agosto; semana que vem tem PIB chinês e discursos do Fed

Postado por: TC Mover em 12/07/2019 às 17:29

A votação do segundo turno da Reforma da Previdência ficou para depois do recesso parlamentar, em agosto, após mais um desencontro entre o governo e deputados referente à quitação de compromissos de emendas parlamentares. A aprovação de uma pauta tão impopular, alegam líderes da Câmara, justifica que sejam adiantadas as emendas que permitam aos congressistas antecipar as articulações junto a prefeitos e vereadores, a pouco mais de um ano da eleição municipal. O governo não quer dar o braço a torcer – afinal de contas, o presidente Jair Bolsonaro foi eleito para acabar com o toma lá, dá cá.

 

Foi nesse contexto que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o grande fiador da reforma até agora, e líderes partidários acertaram hoje à tarde que a votação seria adiada. Segundo a imprensa, o governo tentou manter o quórum para votar hoje e no sábado, mas foi vencido. O acordo que está sendo costurado entre o governo e o poder Legislativo prevê a retomada das votações em 6 de agosto. Ainda estão sendo procuradas formas de quebrar o interstício – o prazo obrigatório de cinco sessões entre as votações de primeiro e segundo turno. O tempo da política corre a uma velocidade diferente da do investidor.

 

O Ibovespa fechou em queda de 1,18% a 103.905 pontos, segundo dia consecutivo de recuos, não somente por conta do atraso na votação, mas pela potencial diluição que uma votação mais demorada pode trazer à potência fiscal da reforma. Silvio Costa Filho, vice-presidente da comissão especial da Nova Previdência, confirmou acordo para abrandar as regras de aposentadoria dos professores. Até o momento, a diluição gerada pelos destaques não ultrapassava os R$30 bilhões, mas a dos professores deve trazer ônus significativo à economia fiscal da reforma. Os juros futuros subiram em bloco, com exceção do DI para janeiro próximo – sinal de que o investidor ficou incomodado com a situação.

 

O exterior trouxe um alívio, contrabalançando os temores com a Nova Previdência. Assim, o dólar futuro operou em território negativo pela maior parte do pregão de hoje. O câmbio caía 0,44% a R$3,745 na reta final do pregão. Mundo afora, os mercados avançaram por conta do maior otimismo quanto à possibilidade de corte de juros nos Estados Unidos, após os discursos do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, desta semana. O índice S&P500 encerrou o pregão com alta de 0,46% e renovou a máxima históricam a 3.013 pontos; o dólar americano e os rendimentos dos Treasuries de dez anos recuaram e o índice VIX, conhecido como índice do medo, fechou em queda.

 

Na semana que vem, já com o Congresso em recesso a partir da noite de quarta-feira, o investidor muda o foco para dois ou três assuntos que devem dominar a mente do investidor até final do mês: o primeiro, se os dados econômicos vão apontar para uma tendência de desaceleração econômica global que abra espaço para cortes de juros nos EUA e, porque não, no Brasil. O destaque será o dado de crescimento na China, na madrugada de segunda: analistas esperam o pior desempenho trimestral do PIB chinês em quase três décadas no segundo trimestre, refletindo o impacto da guerra comercial com os Estados Unidos e as políticas de redução de poluição e dívida do presidente Xi Jinping.

 

O segundo, a sinalização mais forte por parte dos bancos centrais, começando pelo Federal Reserve, de que mais estímulo monetário está a caminho. As falas do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sinalizaram que um corte nos EUA é iminente. As chances de que possa ser uma redução maior ou menor dependerá do que os dados vão dizer até a reunião do comitê que decide sobre os juros, o FOMC, em 30 e 31 de julho. O que nos leva ao terceiro ponto: se o mercado sobe com os juros, essa alta só será sustentável se estiver em linha com os fundamentos. Nos próximos dias, começa a temporada de divulgação de balanços nos EUA. Será que os múltiplos de mercado têm suporte nos fundamentos?

 

Na segunda-feira, fique de olho na divulgação do IBC-Br, o indicador que o Banco Central do Brasil criou para fazer um seguimento mensal da variação do PIB. É provável que os números de maio apontem que o país está à beira de cair na recessão. Os números da pesquisa Focus, também do BC, podem mostrar a 19ª queda consecutiva nas projeções de PIB para o ano. Caso as estimativas da inflação também recuem, as apostas para um corte na taxa básica de juros Selic devem crescer. Além dos números do PIB, a China também divulgará indicadores de produção e vendas no varejo para o mês de junho. Nos EUA, o índice de atividade industrial Empire State deve ser divulgado. Também preste atenção aos discursos de vários membros da diretoria do Fed.

 

(Foto: Rodrigo Maia no Parlamento/ Luis Macedo – Câmara dos Deputados)

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