TC Mover
Mover

Na boa onda do exterior, mercado releva ruídos com a Previdência e volta a subir

Postado por: TC Mover em 12/02/2019 às 18:36

A busca por ativos de risco em todo o mundo aumentou diante do otimismo de que os Estados Unidos e a China vão superar a maioria de suas diferenças comerciais e diplomáticas em uma rodada de conversas ao longo desta semana, juntamente com a redução da probabilidade de uma paralisação parcial do governo americano. O movimento, que começou nesta terça-feira no pregão asiático e ajudou na subida de 1,86% do Ibovespa a 96.168 pontos, deve se estender também na quarta-feira, em parte pela pouca relevância dos indicadores econômicos que devem ser divulgados amanhã na Ásia e na Europa. E principalmente pelo aceno de Donald Trump a favor do diálogo ao dizer que está aberto a uma prorrogação do prazo final de 1 de março para um acordo entre os países.


O que podemos esperar? Dólar e rendimentos dos Treasuries levemente em queda, o petróleo em alta e os mercados acionários revertendo parte das recentes quedas. Apesar de o ambiente ao redor da reforma da Previdência continuar pouco claro, o investidor está otimista de que o texto base para a proposta deve estar pronto no fim de semana, caso se confirme a alta médica do presidente Jair Bolsonaro para amanhã – o que não ocorreu até o fechamento do pregão na B3. O Hospital Albert Einstein disse que sua saúde está “excelente”. Só dele depende que o projeto seja encaminhado o mais rápido possível para a Câmara – onde deve começar a ser analisado e debatido nas próximas semanas.


O mercado certamente está optando por ignorar os sinais de articulação política fraca por parte do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e do líder do governo na Casa, deputado Major Vitor Hugo. Hoje, coluna do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, apontou que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e seus aliados estão “pessimistas” com o possível desempenho do deputado – não o veem como alguém capaz de angariar ou costurar apoios.


No entanto, o investidor está ciente de que há riscos na articulação e ainda mantém uma posição defensiva. A correção nos juros futuros nesta terça-feira não foi significativa; o dólar futuro não está perto das mínimas do ano; e, na bolsa, o investidor saiu a comprar papéis, mas não abriu mão da proteção. Destacou-se, entre as altas, a Vale, cuja diretoria negou hoje a hipótese de que a empresa sabia de risco iminente de rompimento na barragem de Brumadinho, e a Petrobras – esta última com uma perspectiva cada vez mais positiva, sob a percepção de que o programa de desinvestimentos finalmente vai andar, assim como a renegociação do contrato da cessão onerosa. Hoje o UBS voltou a recomendar compra na Petrobras, citando a maior autonomia que a gestão da estatal deve ter para tocar sua estratégia durante a administração Bolsonaro. A conferir.


Mais cedo, a ata do comitê de política monetária do Banco Central foi digerida sem maiores contratempos, especialmente pelo fato de que o colegiado vê cada vez menores riscos associados à alta de juros nos Estados Unidos. Hoje, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, reiterou em discurso a solidez da economia americana, com a taxa de desemprego perto da mínima em 50 anos, sem comentar sobre a atividade mundial. O mercado monitora a evolução dos dados econômicos com atenção diante da perspectiva de desaceleração gradual do PIB mundial.


Neste contexto, a agenda de quarta-feira traz números de vendas no varejo no Brasil, às 9h00, e de inflação nos EUA por volta das 11h30. Números de estoque de petróleo bruto nos EUA podem mexer com o preço do Brent e do WTI, que tiveram seu melhor desempenho em quase duas semanas hoje. Além disso, discursos de duas lideranças do Fed podem também adicionar alguma volatilidade. E no plano corporativo, resultados trimestrais aqui no País incluem a Duratex e a Totvs.

Mover Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Experimente 7 dias grátis