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Mudança na diagnose do coronavírus, fala de Guedes podem azedar pregão; no radar, BB, câmbio e dados

Postado por: TC Mover em 13/02/2020 às 9:12

Os ativos de risco operam em forte queda na manhã desta quinta-feira, marcados por uma alta súbita na aversão a risco, mas que parece ser insuficiente para zerar os ganhos vistos na semana – pelo momento. Por trás dessa dinâmica é a revisão inesperada de números de casos de coronavírus divulgada pela China na véspera, e que confirma as suspeitas de que a metodologia de diagnose permitiu manter a epidemia sub-representada pelas últimas três semanas. Para um gestor sediado em Londres, “confirmou o que todos suspeitávamos: que a China deu um jeito nos dados por um tempo. É, de novo, a desconfiança tomando conta do cenário.” O pior é que ainda é cedo para acreditar em uma inversão de tendência, de acordo com o sócio da TAG Investimentos, Dan Kawa. Como falaremos um pouco depois, foram quase 15 mil novos casos de infectados e cerca de 250 mortes adicionais no dia de ontem. Na opinião de Kawa, “o número e a postura da China trazem enorme incerteza em torno da real situação do vírus” da retomada das atividades na segunda economia do mundo.

 

Os futuros dos índices acionários caem, em sintonia com as bolsas ações europeias na manhã desta quinta-feira, majoritariamente por conta da noiva metodologia de diagnóstico do coronavírus. Como evidência da maior aversão ao risco, os rendimentos dos Treasurirs recuaram, o ouro avançou e o iene japonês subiu ante o dólar. Esse derretida, de mais ou menos 0,80% nos futuros dos índices-referência Dow Jones e S&P500, acontece um dia após eles terem atingido novos recordes. As bolsas em Tóquio, Xangai, Hong Kong e Seul também caíram. O dólar sobe no Brasil há meses por conta do PIB frouxo, juros na mínima histórica, piora nas contas externas e falta de fluxo de entrada de divisas. Nos dados, teremos pesquisa mensal de serviços no Brasil e inflação ao consumidor e pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos. Do lado corporativo, a coisa está mais movida: o mercado deve reagir aos resultados do Banco do Brasil, Suzano, Duratex, Banco Inter … teremos uma enxurrada de teleconferências, assim como a estreia da ação ordinária da Moura Dubeux na B3.

 

O clima é de tensão entre Congresso e Bolsonaro. O Parlamento decidiu deixar para depois do Carnaval a análise do veto do presidente a itens da Lei de Diretrizes Orçamentárias que tratam da execução automática de emendas parlamentares. O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, avisou ontem que criará o grupo de trabalho para tentar unificar as propostas da Câmara e do Senado sobre a Reforma Tributária. O governo deve enviar em duas semanas, a proposta de Imposto sobre Valor Agregado Dual, dizem jornais.  A equipe de Guedes considera a possibilidade de abandonar a proposta de emenda constitucional que desvincula os fundos públicos, disse o Valor Econômico. Tudo isso acontece, coincidentemente, após a decisão de Bolsonaro de deslocar Onyx Lorenzoni da Casa Civil para o Ministério da Cidadania. O substituto de Lorenzoni na função, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Walter Souza Braga Netto, é considerado como alguém que transita bem entre o empresariado e o meio político.

 

O destaque do dia entre os resultados veio do maior banco estatal da América Latina. Com lucro líquido recorrente e margem financeira no quarto trimestre de R$4,625 bilhões e R$14,204 bilhões, respectivamente, ambos acima do consenso, o Banco do Brasil entregou todas as metas operacionais do ano passado e anunciou diretrizes modestas para esse ano – até um pouco menores que as dos concorrentes privados. O BB vê lucro recorrente entre R$18,5 bilhões a R$20,5 bilhões e crescimento de 5,50% a 8,50% na carteira de crédito. No quarto trimestre, o retorno sobre o patrimônio líquido recorrente foi de 19,20%, ante o consenso de 17,30%. Mesmo com uma meta mais relaxada de crescimento nas despesas operacionais, de 2,50% a 4,50%, analistas esperam que o banco liderado pelo economista Rubem Novaes consiga manter ou até superar o ROE do trimestre anterior ao longo do ano.

 

(Por: Guillermo Parra-Bernal || Foto: Guedes – Agência Brasil)

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