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Milagre acontece e EUA, China mostram vontade de negociar trégua; ativos de risco reagem positivamente

Postado por: TC News em 13/08/2019 às 13:31

Mesmo com o impulso proveniente das reformas, o Brasil está vulnerável aos movimentos de aversão ou apetite ao risco que dominam o mercado global. A disputa comercial entre os Estados Unidos e a China, que duas horas atrás estava indefinida e sem direção, hoje teve, finalmente, alguma sinalização positiva: o Representante de Comércio dos EUA informou, após a abertura de mercado em Nova Iorque, que adiará, até 15 de dezembro, a imposição de uma sobretaxa de 10% sobre alguns produtos da China, citando fatores de “salubridade, segurança nacional e proteção”. A volatilidade, medida pelo índice VIX, derreteu mais de 12% com a notícia.

 

Os principais índices acionários americanos dispararam com a decisão do USTR de eximir temporariamente celulares, computadores, consoles de videogame, brinquedos e alguns itens de roupas e calçados da taxação. A ação da Apple, principal beneficiária da medida, disparou 5%. A USTR vai seguir com a imposição da sobretaxa de 10% para outros produtos. O plano original do presidente dos EUA, Donald Trump, que hoje negou que as tarifas estejam encarecendo a vida dos americanos, era aumentar os impostos de importação de mais de US$300 bilhões em produtos chineses.

 

A guerra tarifária tornou-se um “perigoso e desestabilizador confronto que utiliza câmbio e juros como elementos complementares, coloca mercados e investidores em postura defensiva e fomenta forte aversão ao risco”, disse Sidnei Nehme, economista-chefe da NGO Corretora. O índice de inflação ao consumidor nos EUA acelerou inesperadamente em julho, sinalizando que o legado da guerra comercial está gerando uma alta no custo de vida dos americanos exatamente no momento em que o Federal Reserve deve analisar se vai baixar, ou não, de novo a taxa-alvo básica de juros.

 

O núcleo do índice de preços ao consumidor nos EUA, que exclui alimentos e energia, subiu 0,3% ante junho e 2,2% na base anual, ambos acima do consenso, minando a confiança dos investidores até a notícia da trégua comercial. As conversas entre os EUA e a China devem recomeçar em duas semanas, disse o vice premiê chinês Liu He, de acordo com agências de notícias. O milagre – quando o mercado como um todo achava que as negociações estavam em um ponto morto – ofuscou os temores de mais tensão geopolítica em Hong Kong, onde a onda de protestos contra o governo piora a cada dia, e de um possível calote da Argentina.

 

Assim, o Ibovespa, que abriu em queda, operava, em alta de 1,7%, perto do meio-dia, após a notícia. O volume projetado para o pregão, de R$18 bilhões, superava as médias diárias do ano por ampla margem. As ações mais líquidas do índice, como Petrobras, Vale e os bancos, lideravam os ganhos na ponta das altas. O dólar futuro, que teve alta nos primeiros negócios, também inverteu de direção e recuava 0,75% para R$3,9630. Os contratos de juros futuros também reverteram a tendência de alta vista na abertura e enxugavam prêmio ao longo do curva de vencimentos.

 

Para hoje, há pelo menos uma dúzia de companhias que devem divulgar balançosdepois do fechamento, como Qualicorp, Hapvida, Unipar, Light, Movida, Santos Brasil e Alliar. Hoje, o BTG Pactual publicou seu melhor balaço em quase quatro anos, com alta de 50% no lucro líquido ajustado. A China publica dados de produção industrial anual, números de vendas no varejo e a taxa de desemprego anualizada à noite – os indicadores vão ser minuciosamente auscultados pelo investidor para ter pistas sobre o crescimento na segunda maior economia do mundo.

 

Entre os destaques corporativos desta terça, Vale ON lidera o avanço do Ibovespa, com alta de 3,32%, beneficiada pelo arrefecimento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, que deve favorecer a demanda por minério, segundo traders. Na ponta oposta, JBS ON é o maior peso negativo no início desta tarde, com queda de 0,93%; notícias dão conta de que houve irregularidade no empréstimo do BNDES ao frigorífico para a compra da Swift Argentina, em 2005. A Cosan ON, que informou lucro líquido de R$418 milhões no segundo trimestre, cai mais de 3,6%.

Segundo a agência Reuters, que citou fontes com conhecimento direto da situação, o Banco Pan prepara uma oferta primária e secundária de ações de até R$1,5 bilhão, e contratou quatro bancos de investimento para fazerem a coordenação. O Banrisul informou, mais cedo, que irá suspender a divulgação de metas operacionais, com a possibilidade de oferta pública pelo controlador, o Estado do Rio Grande do Sul. A ação da YDUQS, antiga Estácio, subia 1,25%, apesar de ter registrado lucro líquido de R$194,8 milhões, queda de 17% na base anual.

 

(Foto: Donald Trump – Chen Mentong/ China News Service)

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