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Mesmo com o exterior dando menos trabalho, investidor mantém postura defensiva com reunião Bolsonaro-Moro, pauta no Congresso e STF

Postado por: TC Mover em 11/06/2019 às 8:37

Nesta terça-feira, o investidor foca todas suas atenções na política, especialmente quanto às consequências do vazamento de mensagens envolvendo o então juiz federal, e agora ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o procurador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol. Segundo o jornal Valor Econômico de hoje disse, sem precisar a fonte, que o presidente Jair Bolsonaro convocou Moro para uma conversa sobre o assunto hoje no Palácio do Planalto. Trechos dos diálogos entre Moro e Dallagnol foram reproduzidos no domingo pelo site The Intercept Brasil e o mercado ensaiou ignorar a reportagem. Com uma plêiade de eventos políticos – votações, julgamentos, pronunciamentos – vai ser difícil dar de ombros de novo.

 

Moro, que até domingo era o ministro mais respeitado da administração Bolsonaro, corre o risco de se tornar um passivo para o governo. A classe política quer vê-lo rodar por ter desencadeado a maior operação anticorrupção da história do país. O porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, afirmou ontem que em momento algum foi cogitado afastar Moro. Mas, ao mesmo tempo, o governo, delicadamente, tenta manter distância da figura do ministro. Enquanto a situação não for esclarecida ou mais fatos vierem à tona, o investidor vai manter uma posição defensiva. Ontem o dólar subiu, a bolsa recuou e os juros futuros operaram mistos – comportamento que denota cautela com a situação.

 

Assim, fique de olho no que acontece nos corredores do Congresso e nos bastidores dos grandes tribunais. Alguns deputados e senadores já falam em abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito, o que vai distrair o trabalho do Parlamento e atrasar votações relevantes da agenda econômica, seja a do pedido para crédito suplementar – necessário para que o governo continue funcionando – ou de outras medidas. A Comissão Mista de Orçamento convocou reunião para votar o pedido, mas a oposição promete obstruir essa e todas as pautas de interesse do governo até que alguma coisa seja esclarecida.

 

O principal ponto da preocupação entre os investidores é o impacto do escândalo na tramitação da Reforma da Previdência. Ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, sugeriu que o vazamento pode ter sido feito para prejudicar o projeto. “Não é coincidência que estoura essa bombinha toda hora. Toda hora estoura uma vendo se paralisa a marcha dos eventos”, disse. Se a tese faz sentido, difícil saber, mas, para avançar na modernização do país, é preciso lidar com a briga político-partidária de forma mais esperta – algo que o governo Bolsonaro não fez. O inimigo do país é a corrupção – não partidos ou ideologias. O fórum do governadores de hoje pode dar mais força ao projeto, apoiando a inclusão das regiões na iniciativa.

 

Mundo afora, os mercados acionários na Ásia fecharam majoritariamente em alta, com mais uma rodada de estímulos na China sendo anunciados. Na Europa, as bolsas e os futuros dos índices americanos também avançavam, enquanto o investidor avalia a situação atual da disputa comercial entre os Estados Unidos e a China, assim como o desbalanço entre oferta e demanda no mercado do petróleo. A aversão ao risco recuava de novo, com os Treasuries e o ouro perdendo terreno.

 

Finalmente, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, liberou para julgamento na Segunda Turma da Corte o recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pode colocá-lo em liberdade. Não se surpreenda se os ministros mandarem um recado forte a Moro e à força-tarefa da Lava Jato – com quem antagonizam há tempo.  Esse não é o cenário mais provável, mas deve dar um alento aos gritos de “Lula Livre” e piorar o quadro de polarização. O recurso foi liberado na véspera do colega Ricardo Lewandowski se afastar da presidência da turma. A agenda inclui indicadores de inflação no Brasil e de emprego no Reino Unido – que vieram acima do consenso – assim como preços ao produtor nos EUA.

 

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Mercado hoje, segundo Contribuidores TC

 

 

Os índices acionários na Europa e os futuros das bolsas americanas subiam nesta terça-feira, sinalizando menor apreensão quanto à resolução dos conflitos comerciais entre os Estados Unidos e a China, à espera da reunião dos presidentes de ambos os países na reunião anual do G-20, em duas semanas. Para gestores, tanto os EUA quanto a China precisam de um acordo comercial para evitar uma desaceleração maior nas duas economias e nas dos seus maiores parceiros comerciais. Na segunda-feira, o presidente americano Donald Trump disse à CNBC que os EUA poderiam elevar as sobretaxas comerciais para todas as importações vindas da China caso o presidente Xi Jinping não se encontrasse com ele na reunião da cúpula do G-20. Trump disse que a China vai chegar a um acordo “porque precisa dele”.

 

Bolsas: Os futuros dos índices Dow Jones Industrials e S&P500 subiam 0,45% e 0,47%, respectivamente, acompanhando a alta de 0,90% do índice pan-europeu Stoxx600. O índice Xangai Composto fechou em alta de 2,58%, na mesma direção do Shenzhen Composto, um índice que reúne companhias de valor menor, que disparou 3,74%, após o governo chinês simplificar as regras para captação de recursos em projetos de infraestrutura. O índice VIX caía 2%, indicando menor aversão ao risco no pregão de hoje.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Principais notícias corporativas

 

 

Petrobras I: A Petrobras deve fechar acordo com o Cade nesta terça-feira para a venda de unidades que representam metade da capacidade de refino da estatal, segundo notícia veiculada pelo Globo.

 

Petrobras II: A Petrobras adiou para esta terça feira a apresentação de propostas não vinculantes pela Liquigás, segundo notícia da Reuters citando fontes.

 

Petrobras III: Petrobras recebe mais R$ 265 milhões por acordo de leniência da Braskem com CGU e AGU (G1)

 

Eletrobras: A Eletrobras anunciou o recebimento da 1ª parcela do acordo feito com a Enel, no valor de R$274,5 milhões. O montante total do acordo é de R$1,4 bilhão.

 

Klabin: A Klabin aprovou a emissão de R$1 bilhão em debêntures, com vencimento para 15 de junho de 2029.

 

Fundos: Fundos de pensão de países em desenvolvimento alocam mais recursos em renda variável (Estado)

 

Enel: Procon aplica multa de R$ 5 milhões na empresa de energia Enel (Folha)

 

CPFL Energia: CPFL tem demanda abaixo do piso em oferta de ação (Estado)

 

 

 

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

05h00 IPC semanal (junho) – Fipe

08h00 IPC-S Capitais semanal (junho) – FGV

08h00 IGP-M primeiro decêndio (junho) – FGV

 

Indicadores internacionais

05h30 Reino Unido – Rendimento semanal médio com bônus (abril)

05h30 Reino Unido – Taxa de desemprego mensal (abril)

05h30 UE – Confiança do investidor mensal (junho) – Sentix

09h30 EUA – Núcleo do IPP mensal (maio)

09h30 EUA – IPP mensal (maio)

18h30 EUA – Estoques de petróleo bruto semanal – API

20h50 Japão – IPP anual (maio)

22h30 China – IPC mensal (maio)

22h30 China – IPP anual (maio)

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

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