TC Mover
Mover

Mercado vê mudanças na Previdência como derrota de Guedes e bolsa cai; amanhã é dia de foco total na reforma

Postado por: TC Mover em 12/06/2019 às 18:18

O investidor viu com ceticismo as mudanças de pontos-chave do texto da Reforma da Previdência, como a retirada da capitalização e dos Estados, o que fez a bolsa cair. Amanhã, o relator da pauta, Samuel Moreira, deve apresentar o relatório final na comissão especial que analisa o mérito da reforma na Câmara, com essas e outras mudanças, que podem reduzir a economia fiscal da Nova Previdência em quase um terço do que o governo projeta, que é R$1,24 trilhão. O mercado leu esse desdobramento como uma derrota do ministro da Economia, Paulo Guedes.

 

Para alguns gestores, o governo pode estar deixando que a comissão molde o relatório dessa forma para, depois, incluir os Estados na votação do plenário e apresentar a capitalização como um projeto separado. Outros acham que a menor economia, algo perto dos R$850 bilhões em dez anos, fere de morte a capitalização – bandeira de Guedes. No momento da publicação desse texto, o ministro da Economia e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, estavam reunidos para debater uma alternativa.

 

Assim, o Ibovespa recuou 0,65% a 98.320 pontos, em dia de vencimento de opções sobre o índice futuro e apesar da enxurrada de notícias corporativas bastante positivas. O investidor ficou frustrado ao ver que os famigerados 100 mil pontos no índice ficaram um pouco mais longe. A situação de hoje era esperada. “Difícil que, no ambiente atual, o mercado consiga o que deseja, que é uma reforma com economia de R$1 trilhão e capitalização,” disse um gestor sediado no Rio. “O ambiente político continua turvo e muito sensível a qualquer problema entre governo e Congresso.”

 

Já o câmbio e os DIs viraram na última meia hora do pregão e passaram a subir. O dólar fechou em alta de 0,26%, a R$3,871; os juros com vencimento em 2021 fecharam em alta de 2 pontos-base. O investidor abriu mão da aposta de que os dados econômicos sustentam um possível corte dos juros, pelo Banco Central, em pelo menos uns 50 pontos-base até final do ano, e decidiu assumir uma posição defensiva em razão da Previdência. Até a leitura do relatório, programada para começar amanhã de manhã, “muita coisa pode acontecer”, disse o gestor. Como ponto positivo de hoje, Maia disse que a comissão deve votar a Nova Previdência antes de 25 de junho e, na primeira semana de julho, o projeto deve ir a plenário.

 

Mundo afora, o sentimento de maior aversão ao risco não ajudou. As ações de tecnologia puxaram as bolsas de Nova Iorque para baixo, devido às maiores preocupações com o rumo que a disputa comercial entre os Estados e a China está tomando. Esses temores, acirrados hoje por comentários do presidente americano Donald Trump de que está pronto para elevar as sobretaxas nas importações de bens chineses se o país asiático não retomar as negociações, ofuscou o otimismo com uma esperada redução de taxas de juros pelo Federal Reserve. Assim, o índice Dow Jones Industrials fechou em queda de 0,17%; S&P500 caiu 0,20%. O petróleo tocou sua mínima de quatro meses, o dólar se fortaleceu e os rendimentos dos Treasuries voltaram a cair – sinais de cautela.

 

Nesta quinta-feira, o dia estará completamente ocupado pela leitura do relatório da Previdência e pelas reações ao projeto, que será debatido na Comissão Especial ao longo da semana que vem. Quanto à agenda de divulgações econômicas, fique de olho no volume do setor de serviços de abril no Brasil, na publicação dos pedidos iniciais de seguro-desemprego nos EUA e, à noite, nos indicadores de vendas do varejo, produção industrial e emprego na China – que devem ter maior impacto no pregão de sexta-feira.

Mover Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Experimente 7 dias grátis