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Mercado tem segundo dia de ganhos com trégua entre Congresso e Bolsonaro

Postado por: TC Mover em 21/05/2019 às 18:17

Os ativos brasileiros mostraram desempenho bom pelo segundo dia consecutivo nesta terça-feira, em meio a sinais apontando para melhor entendimento entre o congresso e o governo. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, colocou sete medidas provisórias, que expiram nos próximos dias, na pauta da sessão desta terça-feira, entre elas a MP que autoriza até 100% de capital estrangeiro em companhias aéreas e a reforma administrativa, que enxuga a estrutura da Esplanada dos Ministérios. Segundo agências, isso teria sido resultado de negociações entre Maia e líderes do Parlamento, o que foi visto pelo mercado como sinal de boa vontade, mas também de temor com possíveis manifestações populares contra a lentidão do Congresso para aprovar as iniciativas do presidente Jair Bolsonaro. Já no fim da tarde, notícias citando fontes davam conta de que Maia havia rompido com líder do governo na Câmara, que está em processo de substituição, após comentários sobre articulação. Mercado também aguarda por indicações de substituto para Major Vitor Hugo. O índice Bovespa fechou a sessão em forte alta de 2,76%, a 94.484 pontos, também influenciado pela alta nos índices americanos após indicações do arrefecimento das disputas diplomáticas e comerciais entre os Estados Unidos e a China. O índice Dow Jones e a S&P500 fecharam em alta de 0,77%, e 0,85% respectivamente, com a empresas de tecnologia liderando, após o governo americano aliviar as restrições à chinesa Huawei.

 

O câmbio também seguiu o momento favorável. O dólar chegou a recuar 1,02% no meio da tarde, a maior queda em nove dias, e fechou o pregão cotado a R$4,043, recuo de 1,41%. O nível ainda mostra receio com o cenário local e externo. O câmbio não caiu mais por conta da notícia em que a agência de classificação de risco Fitch dizia que atrasos e diluições na Previdência são prováveis. Os juros recuaram em bloco mais uma vez e o DI de janeiro de 2020 fechou em queda de 1,5 ponto base. Apesar da aparente sensação de tranquilidade, a cautela ainda permanece nos próximos dias, com a enxurrada de MPs que ainda têm de ser votadas até a semana que vem e os atos populares em apoio a Bolsonaro – que podem voltar a desestabilizar a relação deste com o Congresso, apesar de, segundo agências, o presidente dizer que não irá comparecer aos atos e ter sugerido que os ministros fizessem o mesmo.

 

Nesta quarta-feira, o mercado estará atento aos dados de fluxo cambial estrangeiro, às 12h30, no âmbito local; mundo afora, dados de inflação do Reino Unido pela manhã, pedidos de hipoteca e estoques de petróleo americanos e índice industrial no Japão ao longo do dia e da noite de amanhã. Além disso, discursos de membros dos bancos centrais americanos e europeus, junto à ata de reunião do comitê de política monetária do Federal Reserve, pautarão os noticiários. Em relação a esta último evento, o investidor precisa ficar de olho na linguagem da ata, especialmente qual a melhor maneira de lidar com a inflação americana – que continua persistentemente abaixo da meta – e se eles estão cogitando tolerar aumentos mais fortes de preços por mais um tempo para compensar a maior fraqueza da economia do país. Em tal caso, o apetite por risco pode aumentar – mais um fato que favoreceria o desempenho dos ativos considerados como mais arriscados, como os brasileiros.

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