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Mercado sente alívio e Nova Iorque, São Paulo sobem forte; dólar, DIs despencam com menor tensão externa

Postado por: TC News em 08/08/2019 às 17:42

As bolsas mundo afora tiveram uma vigorosa recuperação nesta quinta-feira, após os sinais de fumaça branca entre os Estados Unidos e a China na esteira da disputa comercial. O gesto do Banco Central do Povo da China de fixar o iuan hoje em um patamar pouco menos fraco do que o esperado aliviou os temores de tensões crescentes. O índice S&P500 teve seu maior avanço em quase dois meses, liderado pelas ações de tecnologia, e zerou as perdas aferidas na semana. Os rendimentos dos Treasuries subiram e tanto o dólar americano quanto o ouro recuaram – indicando um maior apetite por risco.

 

Dito isso, evite tirar conclusões precipitadas sobre a recuperação do mercado. Os riscos estão latentes e, em caso de um evento imprevisto, como um tweet agressivo do presidente americano Donald Trump contra a China,ou um dado econômico ruim nos EUA, por exemplo, pode reativar a postura defensiva nos mercados. Para muitos gestores, o mercado acionário em Wall Street está tecnicamente sobrevendido, com base em indicadores de momentum de curto prazo. “As chances de uma puxada no curto prazo ou, pelo menos, de uma estabilização, estão subindo”, disse um relatório da MBP Partners.

 

No Brasil, além do alívio vindo do exterior, a atitude proativa do Congresso quanto às reformas e os dados de inflação abaixo do consenso estimularam mais investidores a tomar risco. A recuperação do Ibovespa, que hoje fechou em alta de 1,30% a 104.115 pontos, o maior nível em 15 dias, teve como motor a disparada das ações mais líquidas do índice – as chamadas blue-chips. Papéis ligados a commodities, como a Vale e a Petrobras, e bancos tiveram desempenho notável. Banco do Brasil também foi destaque, após cortar a meta de crescimento da carteira para o ano, apesar do lucro ter batido o consenso.

 

Na ponta das altas, destacou-se a ação ON da B3, que liderou os ganhos na bolsa ao longo da tarde. O maior dinamismo do mercado de capitais, em parte por conta do ritmo mais lento nos desembolsos de crédito do BNDES, e a queda na taxa de juros têm impulsionado a ação nos últimos 30 dias – que subiu quase 8% ante 1,8% do Ibovespa. Assim, o investidor espera que o balanço do segundo trimestre, que será divulgado hoje à noite, confirme as boas perspectivas de crescimento: o consenso espera lucro e EBITDA ajustados de R$750 milhões e R$995 milhões, respectivamente.

 

Outro destaque são os DIs, que romperam as mínimas históricas na tarde desta quinta, após diversos índices de inflação mostrarem leituras benignas em julho. A economia fraca e o menor custo dos alimentos na entressafra ajudaram a frear a alta no IPCA e no IGP-DI de julho, validando a aposta de mais um corte na taxa Selic no mês que vem. O IPCA subiu 0,19%, menor variação para julho em cinco anos, enquanto o IGP-DI ficou quase estável. Assim, o DI para janeiro próximo operou na parte final do pregão a 5,475%, menor patamar na história do contrato.O dólar futuro negociava em queda de 1,21% a R$3,928 – maior queda desde 10 de julho.

 

Hoje, as principais autoridades do Ministério da Economia e do Banco Central participaram de um evento do banco BTG Pactual, em São Paulo. A mensagem em geral foi de tranquilidade e de foco no equilíbrio das contas públicas: o Brasil está preparado para quaisquer choques vindos de fora, disse o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. O interesse dos investidores na infraestrutura do país, especialmente no pré-sal, é gigantesco, disse Waldery Rodrigues, secretário executivo da pasta de economia. Também houve alertas: o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, alertou que o país não tem espaço para reduzir a carga tributária, nem abrir mão de um centavo de arrecadação.

 

Para a sexta-feira, é importante estar atento aos dados de inflação medidos pelo IPC, divulgados às 05h00. Também pela manhã, o Ministério da Economia informa o indicador de governança, e o IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Serviços de junho. No exterior, o Reino Unido divulga prévias do PIB trimestral e anual, e os Estados Unidos informam o IPP mensal e contagem de sondas Baker Hughes. Na agenda corporativa, seguimos atentos aos balanços: BRF informa resultados antes da abertura dos mercados. Depois do fechamento, M Dias Branco e Alpargatas divulgam seus balanços.

 

 

(Foto: Pregão do Chicago Mercantile Exchance – M Spencer/AP)

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