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Mercado desorientado tenta entender mecânica da intervenção do BC; Ibovespa sobe em dia volátil

Postado por: TC Mover em 27/08/2019 às 19:32

O investidor hoje foi surpreendido pela decisão impromptu, por parte do Banco Central, de intervir de forma agressiva, sem aviso prévio, por volta das 13h35, para conter uma escalada no câmbio. No dólar futuro, a diferença entre a máxima e a mínima de hoje atingiu R$0,8 centavos, sinal de que a volatilidade está mordendo forte. Não se via tanta volatilidade num pregão só desde o final de março. Agora, o mercado se pergunta por que o BC quer torrar reservas. Ontem, o estoque de reservas internacionais ficou em US$389 bilhões; o de hoje deve ser menor em pelo menos US$2 bilhões.

 

O susto com a intervenção do BC no câmbio deixou o mercado com interrogações quanto aos próximos passos da política monetária. A abordagem está repleta de problemas, por conta do cenário conturbado no exterior e os sinais desencontrados. Se o BC sair cortando juros tão rapidamente quanto parece querer, é preciso esperar que mais capital saia do Brasil. Nesta semana ocorre, ainda, a fixação da taxa Ptax, o que eleva a volatilidade do câmbio. Após tocar os R$4,195 por volta das 13h15, o dólar futuro caiu até os R$4,1230 em menos de dez minutos. O câmbio fechou em queda de 0,67% a R$4,12750.

 

O pano de fundo ainda é o mesmo: guerra comercial e tensão geopolítica, sem contar os sinais de desaceleração global. Por isso, a cautela permanece. O ouro subiu hoje, assim como o VIX, conhecido como índice do medo, e rendimento dos Treasuries de dez anos despencou. Nesse cenário, as bolsas americanas e brasileira oscilaram fortemente ao longo do dia. Os índices Dow Jones Industrials e S&P500 fecharam em queda de 0,47% e 0,32%, respectivamente. Por aqui, o Ibovespa encerrou em alta de 0,88% a 97.276 pontos.

 

Na quarta-feira, o mercado deve seguir de olho no Congresso. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado deve iniciar a leitura do parecer da Reforma da Previdência, caso haja acordo entre líderes. Também nesta quarta, o plenário da Casa pode começar a votar a PEC da cessão onerosa. Haverá ainda uma série de indicadores: o Banco Central informa dados de empréstimos bancários e taxa de inadimplência do mês de julho, além do fluxo cambial semanal. O Tesouro Nacional divulga às 10h00 o relatório da dívida pública federal, também de julho. No exterior, os Estados Unidos divulgam números de pedidos de hipotecas de agosto.

 

 

(Foto: BC em Brasília – Enildo Amaral/ Banco Central)

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