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Landers, do BTG Pactual, não recomenda ‘jogar na defesa’ com chances altas de Nova Previdência passar

Postado por: TC Mover em 30/05/2019 às 14:02

O momento de manter posições muito defensivas na bolsa está passando, graças aos sinais cada vez mais contundentes de que a Reforma da Previdência deverá ser aprovada no Congresso neste ano – um evento que deve levar a uma reclassificação gradual e mais positiva do mercado acionário brasileiro após uma década de desempenho baixo, disse Will Landers, que comanda a área de renda variável da BTG Pactual Asset.

 

A aprovação da Nova Previdência, que pode acontecer entre o terceiro e quarto trimestres, deve ser o ponto de partida para um ciclo mais positivo de investimentos no maior mercado de capitais da América Latina. A reforma continua sendo o principal foco dos investidores estrangeiros – tradicionalmente, o maior motor de crescimento da bolsa brasileira, disse Landers em entrevista ao programa “TC Gestor” da TC News.

 

Landers, que não trabalha com um cenário de colapso da reforma, disse que a volta do estrangeiro à bolsa brasileira acontecerá de forma gradativa. Para ele, o real deve se valorizar e o risco-país deve recuar, dando ao Banco Central mais espaço para cortar a taxa básica de juros Selic, que está na mínima histórica, a 6,5%. O otimismo de Landers e da equipe da BTG Pactual Asset se baseia na premissa de que o establishment político entende a ideia de que, sem uma reforma, o Brasil ficará estrangulado por uma situação fiscal e econômica insustentáveis.

 

“Não é hora de jogar na defesa. Com a reforma aprovada, devemos ver um re-rating em termos de múltiplos quanto às taxas de crescimento, que, com juros mais baixos, o real mais fortalecido e um PIB melhor, deve ter impacto multiplicador importante nos resultados financeiros das companhias”, disse em entrevista na sede do BTG Pactual, em São Paulo.

 

Passada a reforma das pensões, “eu acho que a história Brasil fica menos complicada para contar” aos investidores estrangeiros, avaliou. A aprovação da pauta, afirmou Landers,  “limpa a história de médio prazo e coloca o Brasil de volta na pauta dos investimentos”. Atualmente, o índice Bovespa medido em dólares americanos negocia 45% abaixo da máxima atingida em 2011 – uma amostra da cautela com que o estrangeiro vê um país que, dez anos atrás era visto como a fronteira de investimentos mais promissora do mundo, mas que perdeu brilho após anos de políticas econômicas erráticas.

 

A Nova Previdência é tão relevante que ela poderia ter reverberações fora do Brasil, alimentando de novo o apetite por ações de outros países latino-americanos, Landers disse. Para ele, o Brasil é tão importante dentro dos fundos de ações focados na América Latina que se o país não está indo bem, o investidor nem se interessa em olhar. Com o cenário no Brasil menos incerto para o investidor global, o interesse em ações de países como México, Chile ou Colômbia pode crescer. Com o estrangeiro entrando de novo, o investidor local também deve se interessar pela bolsa brasileira que, apesar de ter aumentado sua exposição em ações ao longo do último ano, ainda mantém uma posição abaixo da média.

 

Mas o processo até uma aprovação não deve ser fácil. “Se o investidor está muito focado no curto prazo, vai ser um período doloroso. Mas, se você tem uma visão de três a seis meses, procure e segure as ações das quais você gosta. A direção da bolsa deveria ser para cima, não em linha reta … nunca é,” disse.

 

Trazer investidor global para se posicionar no Brasil é difícil porque o valor de mercado das empresas listadas na B3 é igual ao da Apple, a maior companhia de tecnologia do mundo, disse.

 

Mesmo que a reforma não seja uma bala de prata e resolva todos os problemas mais graves da economia brasileira, “todo o plano do governo passa por ela,” de acordo com Landers: privatizações, mudanças na legislação tributária e uma estabilização das finanças públicas no longo prazo dependem dessa aprovação. Para o executivo do BTG Pactual, a economia fiscal do projeto que será aprovado no Congresso deve ficar entre a proposta do governo do ex-presidente Michel Temer, de R$500 bilhões a R$700 bilhões, e a atual, de R$1,25 trilhão. “Passada ela, poderemos focar em medidas importantes para o crescimento.”

 

Entre as companhias e setores beneficiários de um desfecho favorável para a Nova Previdência, Landers escolhe companhias com foco no mercado doméstico. “O país está com uma demanda tão reprimida que todos esses setores devem se beneficiar”, explicou. E fez um alerta: com o real se valorizando um pouco, as exportadoras podem se desvalorizar em algum momento, mas nada que impacte seu atrativo de longo prazo.

 

A prateleira de produtos de ações da gestora do BTG Pactual está completa e oferece todo tipo de risco para seus clientes, disse Landers. No entanto, ele quer que a BTG Pactual Asset aprofunde mais a estratégia dos fundos SICAV, que dão maior acesso aos clientes internacionais e aumentam a flexibilidade para o gestor.

 

A BTG Pactual Asset tem três estratégias SICAV atualmente – América Latina, Brasil e México. O fundo de América Latina foi relançado no começo de maio, com o fundo Brasil planejado para o futuro próximo, buscando aproveitar essa flexibilidade e atraindo mais recursos com foco em clientes de wealth management, clientes offshore, investidores institucionais e semi-institucionais que gostem dessa alternativa. As Sociedades de Investimento de Capital Variável, ou SICAVs, operam de forma semelhante a um fundo de investimento, mas têm a estrutura de uma empresa e funcionam como instituições de investimento coletivo.

 

Em relação a ofertas públicas iniciais e secundárias no Brasil, Landers vê um movimento para trazer companhias de tecnologia, saúde e consumo à bolsa. A primeira classe tem poucas empresas listadas no Brasil. Ele espera ver mais cisões de segmentos específicos de grandes grupos empresariais que veem, nesse movimento, uma forma de destravar mais valor para seus acionistas e financiar o crescimento de outras áreas de negócio.

 

A BTG Pactual Asset administrava, até final de março, R$214 bilhões em ativos.

 

(Foto: Will Landers em entrevista ao TC na sede do BTG Pactual, em São Paulo/ Kauê Diacov)

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