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Juros recuam com IPCA-15 e bancos grandes sinalizando corte na Selic; bolsa, dólar operam descolados

Postado por: TC Mover em 23/07/2019 às 13:01

A curva de juros futuros recuou em bloco no pregão desta terça-feira após a prévia oficial da inflação de julho vir abaixo do consenso, reforçando as apostas de que o Banco Central deve cortar a taxa básica de juros Selic na semana que vem em, pelo menos, 25 pontos-base. A Selic atualmente está em 6,50% ao ano. O contrato do DI com vencimento em janeiro próximo tocou as mínimas históricas perto da abertura e negociava cotado a 5,62% por volta das 11h45. O DI para janeiro de 2021 recuou para 5,45%, queda de 5 pontos-base – também mínima histórica.

 

Os dados do índice IPCA-15 de julho mostraram alta da inflação de 0,09%, próxima da taxa de junho, de 0,06%, e abaixo do consenso TC de 0,12%. Em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 3,27%, resultado abaixo dos 3,84% registrados em junho e do consenso de 3,33%. Assim, os DIs precificam queda de pelo menos 40 pontos básicos na reunião do BC na semana que vem. Isso quer dizer que há cada vez mais investidores esperando que o BC se decida por um corte de meio ponto percentual, ou um menor para executar um ciclo mais longo de reduções. No primeiro grupo está o Bank of America, que espera 175 pontos-base de corte até final do ano, a 4,75%; no segundo grupo, está o Goldman Sachs, que espera quatro reduções de 25 pontos cada até dezembro.

 

Porém, descolados da menor percepção de risco embutida nos juros, câmbio e bolsa operam em direções opostas. O Ibovespa, que abriu em alta, recuava perto do meio-dia, em típico movimento de realização. Por quê? A sensação, olhando o fluxo e outros indicadores técnicos, é que o investidor não está vendo, por ora, novos motivos para que o índice mantenha a trajetória de alta recente: os dados macroeconômicos continuam fracos, a alta dos últimos tempos foi forte – o que devia levar, em teoria, “a uma acomodação no curto esperando novas e melhores notícias“, diz Christian Lupinacci, editor de mercados da Empiricus e membro experiente do TC. O índice recuava 0,67% a 103.675 pontos, projetando volume para o pregão de R$9 bilhões – abaixo das médias diárias do ano.

 

O mercado também ficou frustrado com o recuo do governo quanto á liberação parcial das contas do FGTS após forte pressão do lobby das incorporadoras e empresas de construção civil. O limite que deve ser imposto, de R$500 por saque, abriu espaço para as quedas nas ações do setores de consumo e financeiro, favorecendo, logicamente, as do setor imobiliário. Os índices setoriais de consumo e finanças na B3, ICON e IFNC, recuavam 0,2% cada. O IOMB, do setor imobiliário, subia 0,5%. Com o estímulo limitado, a esperança de que o produto interno bruto  cresça além  de 1% no ano se diliui, diz um gestor sediado no Rio de Janeiro.

 

Mundo afora, as bolsas sobem em Nova Iorque, e dólar americano e rendimentos dos Treasuries avançam – em típico movimento que costuma apontar para um recuo na percepção de risco dos EUA. Por um lado, o acordo entre o presidente americano Donald Trump e o Congresso para remover o teto do endividamento e elevar o gasto público por dois anos tira um pouco a incerteza do ambiente. Na Grã Bretanha, Boris Johnson, novo líder do Partido Conservador, será ungido premiê amanhã – criando incerteza quanto à forma como ele deve conduzir a saída do país da União Europeia. De qualquer jeito, o que mantém o mercado apreensivo é a divulgação de resultados trimestrais das companhias de tecnologia americanas, que ocorre ao longo da semana.

 

O câmbio futuro segue atento ao fluxo cambial, que sai no meio do dia, assim como aos desdobramentos no exterior – que tem como destaque a alta do dólar americano ante seus pares e divisas de países emergentes. O fluxo positivo dos últimos dias, que teve estrangeiros trazendo dinheiro para participar das ofertas subsequentes da BR Distribuidora, que precifica hoje, e da Movida, que fecha na quinta-feira, não consegue contrabalançar a pressão vinda de fora. A cotação do dólar futuro na B3 mostra alta de quase 0,6%.

 

No âmbito corporativo, a queda do Ibovespa é liderada pela BRF ON, que hoje sofre realização após forte alta ontem. A Ultrapar ON tem a segunda maior alta do Ibovespa após ser indicada pelo Bradesco BBI como preferida no setor de combustíveis na América Latina. Santander Brasil também está entre as altas na sessão de hoje, destoando dos recuos vistos nos bancos, e avançava após registrar lucro recorrente de R$3,635 bilhões, acima do consenso TC de R$3,58 bilhões, apesar do salto nas provisões. Segundo analistas do BTG Pactual, o crescimento mais rápido na carteira de consumidores e pequenas e médias empresas continua sendo um bom sinal para o maior banco estrangeiro do país, assim como a taxa menor de impostos e a qualidade da carteira sob controle.

 

Já a ação ON da Profarma tem queda de mais de 4% hoje após, ontem à noite, divulgar queda no lucro líquido, para R$1,2 milhão, no segundo trimestre. No entanto, segundo o Brasil Plural, os dados confirmam momento positivo da empresa, e o banco vê melhora nas margens e sucesso na reestruturação. A BR Distribuidora também recua, com queda de 0,47%, com o investidor se posicionando com cautela para a precificação das ações de oferta de hoje. Segundo fontes falaram ao jornal O Estado de S. Paulo, a oferta deve precificar a R$24.

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