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Junho começa com ‘banho de sangue’ nos mercados e aversão ao risco em alta; investidor atento com Congresso, exterior

Postado por: TC Mover em 03/06/2019 às 8:50

Chegou junho e o balanço da manhã desta segunda-feira, primeiro pregão do mês, é sangrento. Os mercados globais e, especialmente, os ativos de risco repetem o mantra de “vende em maio e cai fora” e os investidores pagam ainda mais caro para se proteger. Hoje, os rendimentos dos Treasuries de dez anos tocam seu menor patamar em 21 meses. Junho começa com riscos geopolíticos em alta, retórica de acirramento das disputas comerciais e diplomáticas em alta, aversão ao risco em alta e a sensação de que a guerra comercial se tornou uma guerra fria sem distinção clara de quem é o inimigo.

 

Bom, existem nuances: o presidente americano Donald Trump quer se posicionar como o malvado da história. Hoje, assim que tocou solo britânico em visita oficial, chamou o prefeito de Londres de “perdedor”. Ao longo do fim de semana, ele atacou o México – seu novo alvo na guerra comercial. A China contra-atacou, acusando o governo americano de recorrer à intimidação e coação nas negociações comerciais e sugerindo que planejam ações contra empresas estrangeiras “não confiáveis”, com a criação de uma lista de infratores pendentes. Com a arrogância em alta e poucas chances de algum acerto até a reunião entre Trump e seu colega Xi Jinping no Japão, no final deste mês, prepare-se para um junho difícil.

 

Com o impasse comercial se tornando cada vez mais em uma nova versão da Guerra Fria, economistas do Morgan Stanley já preveem uma recessão no começo do ano que vem caso as tensões piorem. “A guerra comercial parece estar em seu ponto mais crítico e, talvez, em um ponto de inflexão extremamente negativo,” disse Dan Kawa, chefe de investimentos da TAG Investimentos. O risco é que cada lado – que deve envolver, daqui a pouco, o Japão e a União Europeia – assuma posturas mais agressivas, sem sinais de algum recuo por parte dos EUA. A desaceleração do ciclo econômico global – razão principal do tombo atual do mercado – é uma filha da retórica belicosa de Trump.

 

Hoje os mercados reagem também aos números dos PMIs na Ásia e na Europa, que trouxeram leituras estáveis em patamares bem fracos, ou abaixo do consenso. Fique de olho no PMI dos EUA, conhecido como ISM, que deve sair no meio da manhã de hoje. Os países emergentes devem demorar em se descolar dessa tendência – o Brasil, de fato, está no meio de um processo de estagnação econômica que pode ser aliviado caso governo e Congresso resolvam suas diferenças e aprovem, em conjunto, a agenda de reformas, principalmente a Nova Previdência.

 

Como o mercado no Brasil vai descolar desse ambiente, se no exterior teremos Trump no Reino Unido, a ata do Federal Reserve, tensão geopolítica no Oriente Médio etc.? Primeiro, esperemos que os indicadores nos ajudem: se os dados do IPCA e da produção industrial confirmarem a tendência de desaceleração, as apostas de corte na taxa básica de juros devem aumentar. A agenda no Senado, que começa hoje com a votação da medida provisória de combate aos fraudes no INSS no final da tarde, pode dar mais um fôlego ao mercado. Na Câmara, os esforços para resgatar a MP do Saneamento Básico e as conversas para manter Estados e municípios na Nova Previdência podem ajudar nesse descolamento do exterior ruim.

 

Na política, o investidor vai ficar de olho na entrega do parecer do relator na Comissão Especial da Câmara, Samuel Moreira, no final desta semana ou início da próxima. Gestores como Marcos Mollica, da Opportunity Asset, nos disseram que o mercado de juros continua interessante para manter alocações, mesmo com avaliações esticadas. Se manter exposto à renda variável local faz sentido, mas gestores alertam que os preços podem reagir de forma súbita e exagerada às oscilações nos mercados internacionais ao longo dos próximos dias.

 

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Mercado hoje, segundo Contribuidores TC

 

 

Os índices acionários ao redor do mundo derretiam nesta segunda-feira, refletindo maior cautela com o tom da disputa comercial e diplomática entre os Estados Unidos e a China, após a divulgação de um documento oficial do país asiático estabelecendo condições para novas negociações e rumores de bloqueios e restrições a empresas americanas. Ontem, a China divulgou documento oficial explicando sua versão sobre as desavenças comerciais e insistindo que foram os EUA que ‘’deram para trás’’ ao sobretaxar importações chinesas de forma unilateral. A exclusão das sobretaxas e o final da pressão para alterar leis chinesas sobre investimentos, transferências forçadas de tecnologia e outros aspectos são condições para a retomada das negociações, disse o documento.

 

Bolsas: Às 07h30, os futuros dos índices S&P500 e Dow Jones Industrials caíam 0,32% e 0,33%, respectivamente, estendendo as perdas de maio, quando os dois índices tiveram seu pior desempenho desde 1960. O índice pan-europeu Stoxx600 recuava 0,12%, liderado por montadoras e companhias  de tecnologia. A maior aversão ao risco nos mercados globais levou o índice VIX a atingir leitura de 19 pela primeira vez em três pregões. O índice Xangai Composto recuou 0,30%, após a China concretizar a retaliação pelo aumento americano das sobretaxas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Principais notícias corporativas

 

 

Ecorodovias: A Ecorodovias informou a aquisição da MGO por R$654,8 milhões.

 

BR Distribuidora: A BR Distribuidora informou o recebimento de R$2,3 bilhões da Eletrobras correspondentes ao pagamento de dívidas até sexta-feira.

 

Banrisul: Banrisul, banco estadual controlado pelo governo do Rio Grande do Sul, divulgou a aprovação do provento de R$0,07829020 por ação PNB.

 

BRF e Minerva: As companhias tiveram perspectiva alterada pela S&P de estável para visão positiva.

 

Taesa: A Taesa concluiu aquisição de ações da Brasnorte, por R$75,6 milhões, e da Transmineiras, por R$77,5 milhões.

 

Banco do Brasil I: O Banco do Brasil anunciou a renúncia do diretor de marketing e comunicação da companhia, Delano Valentim de Andrade.

 

Banco do Brasil II: O BB aprovou distribuição de juros sobre capital próprio de R$476,6 milhões.

 

Petrobras: A Petrobras informou a redução do preço da gasolina, em R$0,1399, e do diesel, em R$0,1383.

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

08h00 IPC-S semanal (maio) – FGV

08h25 Relatório Focus – Banco Central

10h00 PMI industrial mensal (maio) – Markit

15h00 Balança comercial mensal (maio) – MinEconomia

 

Indicadores internacionais

00h00 China – PMI industrial Caixin mensal (maio)

04h55 Alemanha – PMI industrial mensal (maio)

05h00 UE – PMI industrial mensal (maio)

05h30 Reino Unido – PMI industrial mensal (maio)

10h45 EUA – PMI industrial mensal (maio) – Markit

11h00 EUA – PMI industrial mensal (maio) – ISM

11h00 EUA – Gastos com construção mensal (abril)

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

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