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IPCA-15 pode reforçar aposta de corte da Selic e direcionar mercado; balanços no Brasil trazem resultados mistos

Postado por: TC Mover em 23/07/2019 às 9:06

Apesar de ter acelerado na primeira quinzena de julho, com reajustes nas contas de luz e um salto nos custos dos alimentos perecíveis, a inflação medida pelo índice IPCA-15 deve mostrar leituras subjacentes favoráveis e tendências que fortaleçam as apostas de um corte na taxa básica de juros Selic na semana que vem, disseram economistas e gestores. O consenso colhido pela TC Mover ficou em 0,12%, puxando a inflação anual até meados do mês para 3,33% – quase 1 ponto percentual abaixo da meta oficial do Banco Central para o ano, de 4,25%. 

 

O que significa isso? Que o mercado de juros futuros pode ter um dia positivo e enxugar mais prêmio da curva de vencimentos e a bolsa começar a precificar, com menos apreensão, um corte de, pelo menos, 25 pontos-base em 31 de julho – coincidentemente, o mesmo dia que o banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, também pode reduzir sua taxa-alvo. 

 

Outro destaque, na ausência da atividade parlamentar e do Judiciário, deve ser o triunfo dos lobbies da indústria da construção que, após forte pressão no presidente Jair Bolsonaro e seu entorno político, devem conseguir limitar os saques da liberação das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço em R$500 neste ano. Um dos principais aliados do setor é o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo. 

 

Ajudando ao desempenho dos ativos locais, o exterior mostra dinâmica interessante para os ativos de risco. Hoje os futuros dos índices acionários americanos avançam em linha com o dólar e os rendimentos dos Treasuries – típico movimento que costuma apontar para um recuo na percepção de risco dos EUA. Por um lado, o acordo entre o presidente americano Donald Trump e o Congresso para remover o teto do endividamento” americano e elevar o gasto público por dois anos tira um pouco a incerteza do ambiente. 

 

As bolsas europeias se aproximam das máximas em quase sete meses, também refletindo maior otimismo quanto à resolução da disputa comercial entre os EUA e a China e com balanços e eventos corporativos que o investidor julga como positivos.  Demonstrativos sólidos de bancos como o UBS e o Santander, da produtora de bens de luxo Hermes e da Norsk Hydro, além da divulgação de uma aliança entre Daimler e a chinesa Beijing Automotive puxam o mercado europeu. A vitória de Boris Johnson como novo líder do Partido Conservador em Grã-Bretanha fez a libra oscilar e segurou, momentaneamente, a alta na bolsa de Londres. 

 

Aqui no Brasil, o destaque corporativo do dia veio do Santander Brasil, o maior banco estrangeiro operando no país, que bateu as estimativas de lucro no segundo trimestre por conta do crescimento nas receitas por empréstimos e serviços a ritmo maior que as despesas. Isso, apesar do ajuste para cima nas provisões, na esteira de uma carteira de crédito com um mix mais arriscado. Os resultados da Profarma de ontem mostraram queda no lucro. 

 

Na agenda de hoje, além dos números de inflação no Brasil e da eleição de Johnson como líder do partido de governo no Reino Unido, a União Europeia informará dados de confiança do consumidor. Os EUA terão dados dos estoques de petróleo bruto semanal. É importante ficar atento nas notícias sobre o ministro da Economia, Paulo Guedes, cujo celular foi hackeado. no Reino Unido, onde o Banco da Inglaterra divulga a ata da reunião do comitê de política monetária.

 

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Principais notícias corporativas

 

No âmbito empresarial, O Santander Brasil mostrou lucro líquido recorrente de R$3,635 bilhões, acima do consenso TC de R$3,58 bilhões, representando alta de 4,3% na base sequencial. A margem financeira bruta avançou 5,3% para R$11,327 bilhões, acima do consenso de R$11,22 bilhões. O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido subiu para 21,4%, acima do consenso de 20,8%. Já as provisões dispararam 8,8% na base sequencial para compensar a maior exposição a créditos mais arriscados na carteira de consumo.

 

A Helbor divulgou prévia operacional do segundo trimestre, que registrou vendas no total de R$301,8 milhões, valor 37,2% superior ao primeiro trimestre e 17,5% maior que o mesmo trimestre de 2018. Os lançamentos totais no primeiro semestre atingiram R$272,2 milhões na parte Helbor, 57,8% superior ao mesmo período do ano passado.

 

Hoje Telefônica Vivo e TIM Brasil, que controlam as duas maiores operadoras de celular do país, assinaram hoje um memorando de entendimento relacionado com o compartilhamento de infraestrutura de rede, para melhorar a eficiência operacional das duas companhias. A Copel registrou um crescimento de 1,4% no consumo de energia no segundo trimestre. 

 

A Vale atualizou as projeções em 2019, divulgadas na manhã de segunda-feira, de produção de níquel, para 210 a 220 mil toneladas, de pelotas de 45 milhões de toneladas, e de carvão em aproximadamente 10 milhões de toneladas. Ainda, ela irá descontinuar as projeções de custo de negócio de carvão para 2019 devido à revisão da produção. Investidores podem reagir à notícia de que dados de clientes do Banco Pan foram vazados, após falha em servidores de correspondentes bancários relacionados ao banco.

 

A BR Distribuidora confirmou a criação de uma companhia de gás com o Estado do Espírito Santo, ela terá 49% de participação no novo negócio. Hoje também deve ser precificada a oferta de ações da companhia pela Petrobras.

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

08h00 IPC-S semanal (julho) – FGV

09h30 IPCA-15 mensal (julho) – IBGE

09h30 IPCA-15 anual (julho) – IBGE

10h30 Arrecadação federal mensal (junho) – MinEconomia

 

Indicadores internacionais

11h00 EUA – Vendas de casas usadas mensal (junho)

11h00 EUA – Índice de manufatura Fed Richmond mensal (julho)

11h00 UE – Confiança do consumidor mensal (julho)

17h30 EUA – Estoques de petróleo bruto semanal – API

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

 

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