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Investidor realiza e Ibovespa cai liderado por bancos

Postado por: TC Mover em 19/07/2019 às 13:04

O mercado brasileiro vive dia de realização e ajuste de posições nesta sexta-feira em dia de agenda esvaziada e foco nos sinais vindos do exterior sobre o rumo da política monetária nos Estados Unidos e a Europa. Sem movimento aparente no quesito política, por conta do recesso parlamentar e do Judiciário, que acaba na primeira semana de agosto, o investidor se prepara para o início da temporada de resultados corporativos, que começa com força na segunda-feira, o anúncio do pacote de estímulos ao consumo pelo presidente Jair Bolsonaro e ruídos – especificamente, produto de rumores de uma possível paralisação dos caminhoneiros e da delação do ex-ministro Antonio Palocci envolvendo os maiores bancos do país em alegações de propina.

 

Essas duas notícias, greve e delação, reforçam o clima de cautela, disseram traders. Uma resolução sobre a política de pisos mínimos do frete rodoviário, publicada ontem pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, foi vista como condizente com os exportadores e criticada por algumas lideranças dos caminhoneiros, que já falam em paralisação. Segundo o jornal O Globo, o ex-ministro Antonio Palocci teria afirmado, em delação premiada homologada pela Justiça, os principais bancos brasileiros teriam feito doações que somam R$50 milhões em troca de benefícios nos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Bradesco, BTG Pactual, Itaú Unibanco e Banco do Brasil – cujas ações recuam no pregão de hoje, – são citados pelo ex-ministro, além do Banco Safra.

 

O saldo negativo de R$5,79 bilhões de fluxo estrangeiro em bolsa brasileira no ano pode ter colaborado para a decisão do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de realizar dois leilões de linha, de US$2 bilhões por dia, hoje e na segunda-feira. Hoje, o BC aceitou propostas totalizando US$2 bilhões na sessão de hoje, com uma taxa de corte de 2,72100%. Assim, o dólar futuro sobe 0,66% na esteira do exterior, cotado a R$3,741 e próximo da máxima intradia, após os investidores passarem a precificar um cenário de relaxamento monetário nos EUA mais direcionado à queda de 0,25 pontos percentuais na reunião de 31 de julho – metade do que se estimava ontem. O motivo? A releitura de dois discursos de membros do Federal Reserve, que foram interpretados inicialmente como um chamado urgente a reduzir agressivamente a taxa Fed Funds no final deste mês.

 

Por volta das 13h00, os índices americanos Dow Jones Industrials e S&P500 operavam mistos: o primeiro subia 0,13% e o segundo recuava 0,09%. O rendimento dos Treasuries de dez anos subia 2,7 pontos base a 2,050%, reagindo inversamente ao títulos de dívida americana – com investidores buscando a precificação das taxas na próxima reunião do Federal Reserve. O Ibovespa recuava 0,67% a 104.010 pontos, maior queda em cinco pregões, em dia de realização de lucros à espera de resultados corporativos na próxima semana. As ações PN do Itaú recuavam 1,36% a R$36,86, liderando as perdas do índice da Bovespa. A curva de juros, após passar um tempo operando em direção mista, passou a subir perto do meio-dia, seguindo o dólar futuro, exceto pelo DI de janeiro próximo, que opera estável.

 

No plano corporativo, o presidente da BRF sinalizou que a empresa voltará a dar lucro ainda em 2019, beneficiada, principalmente, pela gripe suína africana, que matou milhares de suínos na China e alavancou as exportações aos chineses. O conselho da Qualicorp aprovou a redução do capital social da companhia de R$1,866 bilhões para R$886 bilhões, distribuindo R$980 milhões – 15% do valor de mercado atual – para os acionistas atuais. A assembléia geral extraordinária que deliberará sobre o assunto foi convocada para 5 de agosto.

 

A oferta de ações do IRB Brasil pela União e pelo Banco do Brasil foi precificada ontem, em R$90 por ação, movimentando R$7,5 bilhões. No entanto, uma matéria de O Estado de S. Paulo afirmou que o preço de fechamento da operação foi reduzido para R$88 na madrugada de hoje. A Vale, que teve compra reiterada pelo BTG Pactual, opera em alta de 0,8% na sessão de hoje. Segundo o banco, o temor de que o Parlamento crie uma taxa de participação especial na esteira do acidente na mina da Vale que deixou mais de 300 mortos, é exagerado e tem impedido que a ação da mineradora negocie em linha com seus fundamentos melhores.

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