TC Mover
Mover

Investidor foca em votações no Congresso e no STF; ativos de risco reagem bem à espera de juros menores

Postado por: TC Mover em 05/06/2019 às 8:51

Mundo afora, os bancos centrais voltam a atrair os holofotes e, aos poucos, retomam seu papel de fiador da atividade econômica em momentos de dificuldades. Ontem o Banco Central de Reserva da Austrália cortou a taxa básica de juros do país pela primeira vez em três anos, deixando-a no menor patamar histórico; a Índia pode fazer o mesmo amanhã. Nos Estados Unidos, os membros do comitê de política monetária do Federal Reserve sinalizam aos poucos a necessidade de flexibilizar os juros caso as incertezas – chamem-se guerra comercial ou ruído geopolítico – ponham em risco quase 11 anos de expansão ininterrupta da economia. Nesta semana, o Banco Central Europeu pode anunciar termos mais generosos para irrigar os bancos com mais empréstimos de longo prazo.

 

É nesse contexto que os ativos de risco apresentam hoje forte recuperação pelo segundo dia consecutivo. O investidor que apostou que a política monetária global ia mudar radicalmente de direção, ou seja, passar de restritiva para estimulativa em questão de meses, está ganhando a partida. Para analistas, o afrouxamento da política monetária deve ser o maior em cinco anos, sinal de que os maiores bancos centrais do mundo ainda estão presos aos programas de emergência que sucederam à crise financeira de 2008. A sinalização do presidente do Fed, Jerome Powell, de que está aberto a cortar os juros para proteger a expansão americana favorece o Brasil: tanto o câmbio quanto a bolsa e os juros futuros mostraram desempenho positivo na véspera.

 

Essa confiança, pelo exterior menos tenso e o avanço da agenda econômica liberal, será testada hoje. Pelo lado externo, o Fed divulgará, hoje à tarde, o Livro Bege – um compilado de sondagens que age como um retrato das condições econômicas do momento nos EUA. O relatório pode confirmar o sinal de Powell em relação aos juros, na esteira da desaceleração americana e as incertezas quanto à guerra comercial com a China. A postura de Powell pode dar sustentação temporária à demanda por ativos de risco, mas não muda em nada o panorama desafiador para a economia global – que vá desde o risco de uma recessão global profunda até a piora dos riscos geopolíticos no Oriente Médio e a escalada da guerra comercial para outros países e regiões fora dos EUA e a China.

 

Já do lado local, o investidor fica atento à evolução da agenda de debates no Congresso, com as votações do pedido de crédito suplementar para cumprir a Regra de Ouro e da proposta do Orçamento Impositivo. A sessão plenária de hoje no Supremo Tribunal Federal, que deve discutir a constitucionalidade do atual modelo para vendas de ativos estatais, deve gerar alguma tensão no mercado. À tarde, o STF analisará duas ações que podem ditar o rumo das privatizações: os ministros irão decidir sobre a manutenção da liminar concedida pelo colega Ricardo Lewandowski em junho, determinando que quaisquer privatizações deverão ser aprovadas pelo Congresso; e irão votar sobre a liminar do ministro Edson Fachin que suspendeu a venda de 90% da TAG, rede de gasodutos da Petrobras.

 

Vários veículos de imprensa esperam um placar apertado em ambas as decisões, com o risco de que sejam requeridos ajustes nos processos de privatização. Ontem, em evento no Instituto Brasiliense de Direito Público, do ministro do STF Gilmar Mendes, o ministro da Economia Paulo Guedes criticou a liminar que suspendeu a venda da TAG – que ele corretamente chamou “uma quebra de monopólio duplo” – e alertou sobre a consequência pior de uma derrota na Justiça: a retirada em massa de investidores do setor de óleo e gás, refino e energia em geral.

 

Além desse importante evento, teremos a divulgação de PMIs no Brasil e nos Estados Unidos; na Europa, Ásia e Reino Unido, os resultados vieram mistos. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, viaja ao Japão para participar da reunião de ministros da fazenda e os banqueiros centrais do Grupo das 20 maiores economias, no final desta semana em Fukuoka, no Japão. Michelle Bowman, parte do comitê decisório dos juros do Fed, o FOMC, discursará à tarde. O BC solta dados de fluxo ao meio-dia, pouco depois de fazer leilão de contratos de swap cambial para rolagem.

 

Quer ser um investidor bem informado? Cadastre-se no TradersClub e siga nosso canal de notícias e comentários exclusivos.

 

Mercado hoje, segundo Contribuidores TC

 

 

As bolsas na Ásia e na Europa, assim como os futuros dos índices acionários americanos, avançavam hoje, como reflexo da sinalização por parte do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, de que uma redução na taxa-alvo de juros não está descartada caso ele note maior fraqueza nos dados econômicos nos Estados Unidos – alimentando expectativas de que outros bancos centrais se antecipem e cortem os juros. Os comentários de Powell, após as falas de outros membros do comitê de política monetária do Federal Reserve, sugeriram que o banco central americano ainda não está pronto para mudar os juros, mas que o agravamento das tensões comerciais está empurrando-os nessa direção. Os investidores já se preparam para uma sucessão de até três cortes na taxa-alvo do Fed antes do final de ano, o que já foi sinalizado pela inflexão da curva de juros da dívida americana em dias recentes.

 

Bolsas: O índice pan-europeu Stoxx 600 acelerava a alta para 0,56%, após dados do PMI composto em alguns países da Zona do Euro atingirem leituras acima do consenso. Os futuros dos índices Dow Jones Industrials e S&P500 subiam 0,60% e 0,63%, respectivamente, repercutindo os comentários de Powell. O índice Xangai Composto fechou em leve queda de 0,03%, com investidores ainda à espera da retomada nas negociações comerciais entre os EUA e a China. O índice VIX, a medida mais popular de volatilidade de mercado, recuava 2% a 16,69.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Principais notícias corporativas

 

 

Netshoes: Conselho da Netshoes descarta oferta da Centauro por considera-la pouco atrativa (Valor)

 

Renova Energia: Renova Energia esclareceu que a decisão da Aneel de rejeitar o plano de transferência de controle centrais eólicas e revogar autorizações impacta somente os parques da fase B do complexo eólico Alto Sertão III.

 

BTG Pactual: BTG Pactual Holding anuncia oferta secundária de 48 milhões de units do BTG Pactual.

 

Fundos: Bahia Asset multiplica capital e chega a R$ 21 bi (Valor)

 

Braskem I: Braskem perde R$5,6 bilhões de valor de mercado na B3 e pode voltar ao radar da Lyondell (Valor)

 

Braskem II: Caixa quer ações da Braskem como garantia para não executar Odebrecht (Estado)

 

Caixa: Caixa faz pacote com bancos de investimento para IPOs de subsidiárias (Valor)

 

 

 

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

10h00 PMI composto mensal (maio) – Markit

10h00 PMI do setor de serviços mensal (maio) – Markit

12h30 Fluxo cambial estrangeiro semanal – BC

 

Indicadores internacionais

04h55 Alemanha – PMI composto mensal (maio)

04h55 Alemanha – PMI do setor de serviços mensal (maio)

05h00 UE – PMI composto mensal (maio) – Markit

05h00 UE – PMI do setor de serviços mensal (maio)

05h30 Reino Unido – PMI do setor de serviços mensal (maio)

06h00 UE – IPP mensal (abril)

06h00 UE – Vendas no varejo mensal (abril)

08h00 EUA – Pedidos de hipotecas semanal – MBA

09h15 EUA – Variação de empregos privados mensal (maio) – ADP

10h45 EUA – PMI composto mensal (maio) – Markit

10h45 EUA – PMI do setor de serviços mensal (maio)

11h00 EUA – PMI ISM não-manufatura mensal (maio)

11h30 EUA – Estoques de petróleo bruto

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

Mover Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Experimente 7 dias grátis