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Incerteza com MPs e exterior ruim impactam bolsa; apostas de Selic menor sofrem baque

Postado por: TC Mover em 03/06/2019 às 18:12

Relatos sobre a dificuldade de construir um consenso no Senado para votar duas medidas provisórias que expiram hoje, aliados ao tombo nas ações de tecnologia nos Estados Unidos levaram a bolsa a registrar sua segunda queda consecutiva nesta segunda-feira. Até a publicação desta newsletter, o Senado não votaria duas das quatro medidas provisórias que vencem hoje, entre elas a MP do Saneamento Básico e a da Regularização Ambiental.

 

As “aprovadas”, se houver consenso no plenário da Casa, seriam a MP 871, que trata dos mecanismos de combate a fraudes no INSS – e significaria um passo a mais para a Reforma da Previdência—, e a MP 872, que estende o prazo de gratificações para servidores públicos. Nos EUA, notícias de que o governo do presidente Donald Trump cogita investigar Facebook e Google por supostas práticas anticompetitivas fez a Nasdaq afundar e deprimiu os outros índices referência – que já sofriam com o temor de uma guerra comercial prolongada e a de uma estagnação econômica.

 

Como disse nosso contribuidor TC e analista político Leopoldo Vieira, da IdealPolitik, o investidor precisa ficar atento à forma como o Centrão pode gerar ruído na tramitação da agenda legislativa, incluindo a da Reforma da Previdência. “Centrão é presidencialismo de coalizão e é este mantra que o investidor deve ter na cabeça quando respirar aliviado por sinais de paz política. Ela será sempre temporária,” até que o presidente Jair Bolsonaro “se curve ou se imponha definitivamente,” disse.

 

O investidor não quis pagar para ver e vendeu a maioria das as ações mais líquidas do índice Bovespa, com exceção da Petrobras. O mercado gosta do cenário para a estatal, mas esse otimismo pode ser estremecido nesta semana, quando o Supremo Tribunal Federal julgar a legalidade das privatizações da empresa. O índice recuou 0,01%, próximo da estabilidade, a 97.020 pontos, com volume de R$11,43 bilhões. JBS liderou as quedas, após a suspensão de exportações de carne bovina à China em razão de suspeitas de um caso de vaca louca no Mato Grosso. Também sofreram Ambev, bancos e empresas de consumo.

 

Hoje, as maiores corretoras divulgaram suas carteiras recomendadas para junho e, como publicamos mais cedo no TC News Pro, a mensagem é de que junho deve ser melhor que maio, mas é necessário ter muita prudência. BTG Pactual, XP, Safra, BB Investimentos, Bradesco – todas concordam que a mudança de tom na relação Bolsonaro-Congresso melhorou o cenário para a Nova Previdência. Aposte na alta chance da aprovação da agenda econômica, mas compre alguma proteção, porque solavancos não vão faltar. Esse otimismo ainda permeia os mercados de câmbio e juros futuros, que continuaram em ritmo de queda – ou seja, o investidor está demandando menos prêmio para deter ativos brasileiros.

 

O dólar futuro caiu pela quarta vez em cinco pregões, recuo de 1,04% a R$3,894, enquanto os DIs completaram seu quinto recuo seguido. A queda na curva perdeu intensidade no meio da tarde, após o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, dizer que cortar a taxa básica de juros Selic pode não se traduzir em mais crédito por conta de “entraves microeconômicos.” Essa simples expressão fez o investidor reduzir suas apostas em uma Selic menor antes do final do ano. A curva precifica corte de pelo menos 25 pontos-base na Selic no ano, em algum momento do quarto trimestre; o DI para janeiro próximo chegou a tocar 6,235% no começo da tarde, mas fechou a 6,255%.

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